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Por que não?

O setor da carne bovina busca, junto ao governo, uma estratégia para distribuir ao longo do ano as exportações dentro da cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida pela China, evitando tarifas adicionais e equilibrando preços ao produtor e ao consumidor.

Por: Redação Fonte: Por: Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo MT
10/03/2026 às 14h16
Por que não?
Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo MT

Há hoje um esforço para buscar, junto ao governo, uma distribuição de volumes em cima da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira.

O país asiático estabeleceu um mecanismo de salvaguarda que limita as importações quando determinados volumes são atingidos. No caso da carne bovina, a salvaguarda é acionada quando o Brasil ultrapassa a cota anual de 1,1 milhão de tonelada exportadas à China, limite a partir do qual passam a incidir tarifas adicionais sobre os embarques em 55%.

Na prática, trata-se de um instrumento de proteção ao mercado interno chinês. Contudo, a implementação dessa salvaguarda fez com que o mercado reagisse com oscilações e, inicialmente, com posições invertidas e sem parâmetros claros. Porém, com o passar do tempo, o próprio mercado começou a encontrar um novo ponto de equilíbrio.

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Esse processo acabou trazendo benefícios para diferentes elos da cadeia: a pequena indústria, o produtor e também o consumidor.

Para a indústria restou optar entre cumprir rapidamente a cota ou distribuí-la ao longo do ano. Essa estratégia acabou provocando uma elevação dos preços internacionais, a valorização da arroba do boi e, ao mesmo tempo, uma maior oferta de carne no mercado interno.

Como consequência, os preços começaram a ceder para o consumidor brasileiro.
Na última semana, a carne no atacado recuou cerca de 7%, e a tendência é que essa queda continue por pelo menos mais duas semanas, refletindo também nos preços de balcão.

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Bastou passar o período de ajuste para que as peças começassem a se encaixar, trazendo vantagens que muitos inicialmente não esperavam.

Quando há defesa de interesses múltiplos — indústria, produtor e consumidor — não deveria existir oposição de propósitos. O que se busca é justamente o equilíbrio entre esses interesses.

Para consolidar esse cenário, falta ainda que o governo estabeleça parâmetros e mecanismos de controle capazes de dar previsibilidade ao setor e manter esse equilíbrio ao longo do ano.

Todo governo tem a obrigação de cuidar do seu setor produtivo ao mesmo tempo em que protege o consumidor. A ausência de ação governamental pode se transformar em uma postura perversa, permitindo desigualdade de condições e gerando desequilíbrios econômicos e por consequência, sociais.

Enquanto isso, a carne brasileira segue forte no mercado internacional e com uma versatilidade invejável. O desafio agora é transformar esse momento de ajuste em uma estratégia permanente de equilíbrio entre exportação, produção e abastecimento interno.

*Paulo Bellincanta é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo)

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