Quarta, 01 de Julho de 2026
13°C 22°C
Castro, PR
Publicidade

Do campo à mesa: pesquisa investiga uso de antibióticos em propriedades leiteiras de Minas Gerais

A pesquisa envolveu um ano inteiro de coleta de dados em 118 fazendas leiteiras, revelando um panorama inédito sobre o uso de antibióticos na produção animal em Minas Gerais.

Por: Redação Fonte: Simone Paiva
Analista de Comunicação – FUNDECC

19/02/2026 às 11h26
Do campo à mesa: pesquisa investiga uso de antibióticos em propriedades leiteiras de Minas Gerais
Do campo à mesa: pesquisa investiga uso de antibióticos em propriedades leiteiras de Minas Gerais. Fotos Fundecc/Equipe de pesquisa

Milhares de frascos de antibióticos são utilizados todos os anos em propriedades produtoras de leite de Minas Gerais. O impacto desse uso — muitas vezes invisível ao consumidor — está no centro de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (UFLA), que investiga como o manejo de antimicrobianos nas fazendas pode afetar a segurança do leite, a rentabilidade do produtor e a saúde pública.
O estudo é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e gerenciado pela Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC).

Intitulada “Quantificação de Utilização de Antimicrobianos em Propriedades Leiteiras”, a pesquisa busca compreender a dimensão do uso desses medicamentos na produção animal, identificar riscos associados à presença de resíduos no leite e gerar subsídios científicos para práticas mais seguras e sustentáveis na cadeia leiteira.

Um ano de coleta e dados inéditos

Continua após a publicidade
Anúncio

A pesquisa envolveu um ano inteiro de coleta de dados em 118 fazendas leiteiras, revelando um panorama inédito sobre o uso de antibióticos na produção animal em Minas Gerais.

Segundo a professora e coordenadora da pesquisa, Elaine Dorneles, o volume de medicamentos utilizados ao longo do período chama a atenção.

“Foram 12 meses de coleta em 118 propriedades. Ainda não temos o número exato de frascos, mas estamos falando de milhares de frascos de antimicrobianos utilizados ao longo do período.”

Continua após a publicidade
Anúncio

Ela explica que a preocupação central da pesquisa vai além da questão sanitária. “Quando o produtor aprende a utilizar o antibiótico de forma correta e racional, evita perdas dentro da propriedade. Se não há resíduo no leite, esse produto não precisa ser descartado, o que representa ganho econômico direto para o produtor, além de um benefício importante para a saúde pública.”

Uso racional e prevenção de riscos

O estudo busca entender quanto, como e por que os antimicrobianos são utilizados na produção leiteira. Diferente da medicina humana, onde a prescrição de antibióticos é obrigatória, na produção animal esse controle nem sempre ocorre, o que dificulta a mensuração do uso e pode favorecer a seleção de bactérias resistentes.

Ao mapear as doenças mais frequentes e os antimicrobianos mais utilizados, a pesquisa permite propor estratégias de prevenção, reduzir o uso inadequado desses medicamentos e evitar que percam eficácia ao longo do tempo.

A resistência bacteriana é considerada hoje um dos principais desafios globais em saúde pública, dentro do conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.

Formação acadêmica e impacto no campo

A mestranda e médica-veterinária Ana Carolina Chalfun de Santana, integrante da equipe do projeto, destaca que os resultados da pesquisa extrapolam o ambiente acadêmico.

“Nosso papel é levar esses dados para produtores, indústria, órgãos reguladores e para a sociedade. Quando o uso de antimicrobianos é mais consciente, reduzimos o risco de resíduos no leite, diminuímos custos e fortalecemos toda a cadeia produtiva.”

Ela ressalta que o estudo contribui diretamente para embasar políticas públicas, orientar práticas no campo e apoiar decisões estratégicas da indústria de laticínios.

A visão do setor produtivo

Parceira do projeto, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR) defende que o leite deve ser tratado como alimento seguro, e não apenas como matéria-prima.

Para o gerente de qualidade Cássio Camargo, a segurança do leite depende da responsabilidade compartilhada por todos os elos da cadeia produtiva.

“A qualidade passa por algo simples: água, sabão e atitude. Cada elo precisa fazer a sua parte para que o consumidor tenha acesso a um alimento seguro.”

Segundo ele, pesquisas como essa fortalecem a competitividade do setor e preparam a cadeia leiteira brasileira para atender às exigências do mercado nacional e internacional.

Ciência, segurança e sustentabilidade

Ao integrar universidade, setor produtivo e pesquisa aplicada, o projeto reforça o papel da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC) no apoio à pesquisa científica e à promoção de uma produção leiteira mais segura, sustentável e alinhada às demandas da sociedade.

Mais do que identificar problemas, a pesquisa aponta caminhos para o uso racional de antimicrobianos, a redução de riscos à saúde pública e o fortalecimento econômico do produtor rural, mostrando que competitividade e segurança alimentar caminham juntas.

📌 A reportagem completa está disponível no site da FUNDECC.

Castro, PR
17°
Tempo limpo
Mín. 13° Máx. 22°
17° Sensação
1.78 km/h Vento
86% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
07h05 Nascer do sol
17h42 Pôr do sol
Quinta
23° 13°
Sexta
15° 11°
Sábado
14°
Domingo
19°
Segunda
19°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,21 +0,75%
Euro
R$ 5,93 +0,39%
Peso Argentino
R$ 0,00 +3,12%
Bitcoin
R$ 335,368,90 +3,86%
Ibovespa
171,688,61 pts -0.2%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade