
Esse foi um ano de muitos desafios. O agronegócio, que responde por cerca de um quinto do PIB brasileiro e quase metade das exportações , sentiu na pele a combinação de preços apertados, custo alto, clima irregular e crédito mais difícil. E, como se não bastasse, ainda virou alvo de críticas e pressões internacionais que muitas vezes carregam um componente comercial disfarçado de discurso ambiental.
É claro que há problemas a corrigir – e ninguém nega isso. Mas também é fato que o Brasil ainda mantém mais de 60% do seu território coberto por vegetação nativa, um dos maiores índices entre grandes produtores agrícolas do mundo. Esse dado quase nunca aparece quando lá fora tentam reduzir o nosso produtor rural à imagem de destruidor de florestas.
O que falta não é argumento.
O que falta é posicionamento.
Enquanto outros países comunicam agressivamente suas virtudes, o agro brasileiro faz o que sempre fez: trabalha quieto. Planta, colhe, exporta, gera renda, preserva Reserva Legal, mantém APP, recupera pastagem degradada – mas quase não mostra. Esse silêncio virou o nosso calcanhar de Aquiles. Quem não conta a própria história acaba ouvindo a versão dos outros.
Da pequena à grande propriedade, temos gargalos pesados:
Mesmo assim, o produtor rural chega ao fim de mais um ano em pé, com a safra no campo e a cabeça no próximo plantio. Ele segue garantindo alimento na mesa, movimentando o comércio da cidade, sustentando a indústria que processa, transforma e exporta. Em silêncio, paga a conta do desenvolvimento do país.
O que eu defendo é simples:
não basta fazer bem feito, precisamos mostrar que fazemos bem feito.
Mostrar que produzimos em cima de tecnologia, pesquisa, manejo conservacionista, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de áreas e respeito às leis ambientais. Mostrar que o Brasil consegue, ao mesmo tempo, ser potência agrícola e manter grande parte do seu território preservado. Mostrar que segurança alimentar mundial passa pela porteira das nossas fazendas.
Isso não é tarefa só de entidade de classe ou governo.
É tarefa de cada produtor, cada cooperativa, cada técnico, cada empresa ligada ao campo.
Organizar documentação, buscar regularização ambiental, comunicar dados reais, participar do debate público, ocupar espaço na mídia, nas redes sociais, nas discussões de política agrícola.
No fim das contas, com todas as críticas, narrativas distorcidas e obstáculos, quem segura o Brasil em pé continua sendo o mesmo: o produtor rural.
É ele que não tem privilégio de “parar para ver o que vai acontecer”. Ele planta, cuida, colhe e torce para que o próximo ano seja melhor – não só para ele, mas para toda a cadeia que depende do agro.
O Brasil precisa dos seus produtores.
E está na hora de o produtor entender que o Brasil também precisa ouvir a sua voz.
Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz
Engenheiro Agrônomo e Colunista Minuto Rural