
Na segunda quinzena de setembro, o Sindicato Rural de Castro recebeu um curso diferente, que uniu criatividade, sustentabilidade e geração de renda. Durante três dias, produtores e suas famílias participaram da capacitação em Artesanato com Sementes – Biojoias, promovida pelo Sistema Faep/Senar.
A proposta foi mostrar como sementes, fibras e outros materiais encontrados no próprio ambiente rural podem ganhar nova vida ao se transformarem em colares, pulseiras, brincos e até peças decorativas.
A oficina atraiu tanto produtores quanto entusiastas do artesanato, que buscaram aprender não só técnicas, mas também uma nova forma de valorização do que já existe dentro da propriedade. Para o instrutor do curso, Lindomar Pereira, técnico em agropecuária e responsável pela atividade, o principal objetivo é justamente capacitar as famílias para aproveitar um potencial pouco explorado.
“O curso de biojoias tem como objetivo principal capacitar a família do produtor rural para que ela possa obter uma renda extra através das sementes disponíveis na propriedade, muitas vezes ignoradas por falta de conhecimento. Tudo que o produtor tem ao redor pode se transformar em peças belíssimas”, destacou.
A capacitação tem carga horária de 24 horas, divididas em três dias. Ao longo do período, os participantes aprendem desde a coleta e o preparo dos materiais até técnicas de montagem, design e acabamento das peças. O uso de fibras como taboa, bananeira e milho, além de sementes variadas — entre elas açaí, flamboian, olho de boi e jatobá — é incentivado.
Segundo Lindomar, a prioridade é trabalhar com o que já existe na propriedade, reduzindo custos e tornando o processo mais acessível. “Se o produtor tem o material à disposição, o custo é menor e o resultado pode trazer ganhos importantes para a renda familiar. O artesanato com sementes é uma forma de melhorar a qualidade de vida do produtor e valorizar a produção local”, completou.

Durante a oficina, peças como colares, pulseiras e brincos foram confeccionadas pelos participantes, que puderam experimentar na prática o potencial criativo dos materiais naturais. Um dos exemplos apresentados pelo instrutor foi uma pulseira em macramê, feita com sementes de flamboian e açaí. Outro destaque foi um colar de mesa produzido com olho de boi e lágrimas de Nossa Senhora, evidenciando a diversidade de combinações possíveis.
Para a participante Anice Fadel Ribas, o curso vai muito além da técnica. Ela enxerga na atividade um valor ecológico e social. “A sustentabilidade é um dos pontos mais importantes. Utilizamos materiais que encontramos no nosso ambiente rural, sem a necessidade de buscar em outros mercados. Além disso, é uma atividade que pode envolver a família, especialmente as mulheres, aproveitando a mão de obra local”, afirmou.
Anice conta que ficou surpresa com a beleza e a sofisticação das peças produzidas. “Hoje mesmo estou usando algumas joias que fizemos durante o curso. Não imaginava que seria possível criar algo tão bonito com sementes. É uma atividade que também tem caráter terapêutico, pois valoriza o tempo que temos e pode ser uma fonte de renda em feiras e eventos comunitários”, ressaltou.

Outro participante, Henrique Machado, já tem afinidade com o universo do artesanato e da moda sustentável. Para ele, o curso foi uma oportunidade de agregar conhecimento e ampliar possibilidades. “Sempre gostei da catação de sementes e do trabalho manual. Já atuo na moda sustentável, e percebo que a biojoia vem para complementar esse mercado. Uma peça artesanal de sementes valoriza ainda mais roupas feitas de materiais naturais, como o algodão”, explicou.
Henrique acredita que o mercado de moda ecológica está em crescimento e que o artesanato com sementes pode ocupar um espaço significativo. “O acessório é fundamental para completar o visual. Quando feito de forma sustentável, ele ganha ainda mais valor. Além disso, é uma fonte de renda interessante, especialmente em nossa região, rica em sementes e fibras naturais”, acrescentou.
A aceitação das peças durante o curso demonstrou que, além de técnica, o artesanato com sementes desperta encantamento pelo significado cultural e ambiental que carrega. Cada joia criada conta uma história: da natureza, da propriedade e das mãos que a transformam.

O instrutor Lindomar reforça a importância de os produtores procurarem o Sindicato Rural para conhecer os cursos oferecidos pelo SENAR. “Temos mais de 250 capacitações em diversas áreas. No artesanato, especificamente, trabalhamos com bambu, argila, fibras e outros materiais, sempre pensando em unir tradição, inovação e geração de renda”, destacou.
O curso em Castro deixou um legado para os participantes: a certeza de que sustentabilidade e empreendedorismo podem caminhar juntos. Mais do que aprender a confeccionar peças, eles descobriram que sementes comuns, antes vistas como sobras da propriedade, podem se transformar em biojoias que carregam identidade, criatividade e valor econômico.