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Lely investe 10 milhões em Carambeí no Paraná e inaugura sua sede para a América Latina

Referência mundial em automação para pecuária de leite, a Lely abriu em Carambeí (PR) sua primeira sede da América Latina, com foco em inovação, formação técnica e expansão do setor leiteiro.

Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
24/09/2025 às 18h04 Atualizada em 25/09/2025 às 08h24
Lely investe 10 milhões em Carambeí no Paraná e inaugura sua sede para a América Latina
Autoridades, produtores e executivos celebram a inauguração da sede da Lely em Carambeí. Crédito da Foto: assessoria

A cidade de Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, passou a ser palco de um novo capítulo da modernização da pecuária leiteira no Brasil. No dia 23 de setembro, a multinacional holandesa Lely, líder global em automação para o setor, inaugurou sua primeira sede na América Latina, resultado de um investimento de R$10 milhões. O espaço, além de funcionar como centro de capacitação técnica, também será a sede administrativa da empresa na região, projetada para abrigar até 60 funcionários.

De acordo com Edison Acherman, gerente-geral da Lely América Latina, a instalação segue os padrões internacionais da empresa e tem como missão fortalecer a automação nas fazendas leiteiras do continente.

“O prédio visa impulsionar o crescimento e o desenvolvimento regional por meio da formação técnica especializada para a operação dos robôs Lely. Além disso, servirá como sede administrativa, facilitando a expansão da equipe e o suporte aos distribuidores da América Latina”, destacou Acherman.

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Segundo ele, a decisão de investir no Brasil está diretamente ligada ao crescimento do mercado: “Com uma evolução acelerada na região, onde as vendas dobraram de 2022 para 2023, o investimento reflete o reconhecimento do imenso potencial que o Brasil e a América Latina representam para a adoção da automação no leite”, acrescentou.

Por que Carambeí?

A escolha de Carambeí não foi por acaso. A região dos Campos Gerais é reconhecida como a maior bacia leiteira do Brasil, reunindo tradição e produtividade. Edison Acherman explicou que a história da decisão remonta à visita do fundador da empresa ao país:

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“O dono da Lely esteve no Brasil em 2011, visitou Holambra e, ao perceber que ali era uma região de flores, foi orientado a conhecer Carambeí e Castro, centros da produção leiteira nacional. Ele se encantou e, desde então, a região passou a ser vista como estratégica.”

Hoje, somente nos Campos Gerais, já existem 54 robôs em operação e outros 20 vendidos. No Brasil, são cerca de 400 equipamentos instalados, enquanto a América Latina contabiliza 700 robôs, distribuídos em países como Argentina, Chile e Uruguai.

Tecnologia e inovação no campo

Durante a inauguração, Acherman apresentou equipamentos que compõem o portfólio da Lely, como o Astronaut, robô de ordenha; o Juno, aproximador de trato; o Collector, para coleta de dejetos; e o Calm, destinado à alimentação automatizada de bezerros.

O gerente-geral ressaltou que todos os robôs estão conectados à nuvem, o que permite monitoramento em tempo real:

“Essa análise de dados é fundamental. Conseguimos sugerir melhorias ao produtor, prever situações e aumentar a eficiência. É tecnologia aplicada diretamente ao dia a dia da fazenda.”

Visão global e confiança no Brasil

A diretora financeira da empresa, Maartje Bouvy, ressaltou a importância da inauguração para o futuro da Lely na América Latina:

“Este prédio representa uma nova fase, com oportunidades e crescimento para o time e para os produtores. Vejo positividade e esperança nesta região, que tem um povo trabalhador e cheio de bom humor. É nessa base que grandes empresas florescem.”

Na mesma linha, Norbert van Hemert, diretor de Mercados Globais, destacou o entusiasmo dos colaboradores e a consolidação da marca no continente:

“Todos os funcionários estão muito animados em iniciar as atividades neste espaço. Estou feliz em ver o progresso da Lely na América do Sul e temos um futuro brilhante pela frente, construído junto aos nossos parceiros e distribuidores.”

Orgulho local e impacto regional

Para a comunidade de Carambeí, o investimento representa mais do que inovação: é também a valorização da região. Ricardo Wolter, presidente do Sindicato Rural do município, celebrou a chegada da empresa:

“Estamos muito felizes que Carambeí tenha sido escolhida. A Lely é referência mundial e vai trazer uma mão de obra especializada, além de gerar intercâmbio de conhecimento e desenvolvimento local. É um divisor de águas para a nossa pecuária.”

O prefeito em exercício, Octavio Antônio Azevedo da Costa Filho, reforçou a importância do momento para toda a região dos Campos Gerais:

“Somos a segunda maior bacia leiteira do Brasil e agora contamos com tecnologia de ponta em ordenha robotizada. Esse investimento traz empregos, inovação e fortalece não só Carambeí, mas também Castro, Ponta Grossa e municípios vizinhos.”

Produtores mostram que automação serve do pequeno ao grande

A automação da ordenha já transformou a rotina de diferentes perfis de produtores rurais no Brasil. Durante a inauguração, dois exemplos deram o tom de como a tecnologia da Lely atende tanto ao pequeno produtor quanto às grandes fazendas leiteiras.

O gaúcho Pedro Nólio, de Paraí (RS), foi o primeiro cliente a instalar uma ordenha robotizada Lely no Brasil. Pequeno produtor, ele mantém um rebanho de 134 animais, dos quais cerca de 60 vacas em lactação, distribuídos em uma propriedade de 58 hectares, sendo apenas 12 destinados às vacas. Para ele, a tecnologia foi decisiva para a continuidade da atividade familiar.

“Me sinto muito feliz por ter sido o pioneiro. O robô ensina, traz informações detalhadas de cada vaca e facilita o dia a dia. Para nós, pequenos, é fundamental porque o jovem não quer mais ficar no campo. O casal sozinho consegue tocar a propriedade com o robô, senão seria impossível”, contou Nólio, lembrado na cerimônia como símbolo da coragem de inovar.

Já o paranaense Carlos Augusto Delezuk, da Fazenda Melkland em Carambeí, representa o outro extremo: a grande produção. Sua propriedade conquistou o 4º lugar global em produtividade entre fazendas que utilizam tecnologia Lely, atingindo a média de 49,9 litros por vaca/dia em 2024. Atualmente, ele já utiliza dois robôs em funcionamento e está finalizando um projeto para chegar a dez unidades.

“Hoje temos 850 vacas em lactação e pretendemos chegar a 1.100, sendo 600 delas ordenhadas no sistema robotizado. A robotização reduz a dependência de mão de obra, que está cada vez mais escassa, e permite qualificar melhor os funcionários. Além disso, dentro da sucessão familiar, a tecnologia motiva filhos e netos a permanecerem na atividade, porque cria um ambiente moderno, produtivo e estimulante”, explicou Delezuque.

Enquanto Pedro mostra que a automação é capaz de manter viva a pequena produção familiar diante da falta de mão de obra, Carlos evidencia que os robôs são estratégicos para expandir grandes rebanhos com eficiência e atrair novas gerações para o campo. Dois caminhos diferentes que se encontram na mesma conclusão: a robotização já não é mais tendência, mas uma realidade que garante competitividade e sustentabilidade para produtores de todos os portes.

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