
A Estação de Pesquisa Fazenda Modelo, em Ponta Grossa, será palco no próximo dia 18 de setembro de 2025, a partir das 13h30, da II Mostra Tecnológica Fazenda Modelo, promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). O evento terá como tema central a Integração Lavoura-Pecuária e busca aproximar produtores, pesquisadores, estudantes e profissionais do setor agropecuário das inovações tecnológicas voltadas para a sustentabilidade e produtividade no campo.
Com programação até as 16h30, a mostra oferecerá palestras, demonstrações práticas e discussões técnicas sobre temas como alternativas genéticas para bovinos de corte e leite, diversificação e uso de bioinsumos em sistemas integrados, além do desenvolvimento de novas cultivares de aveia forrageira.
Segundo o IDR-Paraná, a iniciativa é uma oportunidade de difundir resultados de pesquisas aplicadas diretamente à realidade paranaense, favorecendo a adoção de sistemas que conciliem rendimento econômico e preservação ambiental.
Entre os nomes confirmados, estão José Luiz Moleta, que apresentará as alternativas genéticas para a pecuária de corte e leite no Paraná; Laise Pontes, pesquisadora que abordará a utilização de bioinsumos em sistemas integrados; Josiane Aliança, com foco no desenvolvimento de cultivares de aveias forrageiras; e Elir de Oliveira, que discutirá o consórcio de forrageiras de inverno.
Uma das atrações será a demonstração de produção de pré-secado com aveia, técnica cada vez mais relevante para garantir a alimentação de qualidade dos rebanhos nos períodos de menor disponibilidade de pasto.
Na entrevista concedida ao Minuto Rural, a pesquisadora Laise Pontes, do IDR-Paraná, destacou a importância de práticas inovadoras que fortalecem a sustentabilidade no campo. ”A diversificação é o ponto chave para a intensificação sustentável de nossos sistemas de produção. Os sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA), além de incluir forrageiras, culturas de grãos, adiciona mais um nível trófico ao sistema que é o componente animal. O pastejo, sendo importante utilizar intensidades moderadas, proporciona uma série de benefícios ao sistema, como promoção do perfilhamento das forrageiras e assim maior crescimento e desenvolvimento do sistema radicular, novos caminhos nos ciclos dos nutrientes, pelo consumo da forragem e deposição de excreções, diversificação de resíduos orgânicos e, consequentemente da diversidade microbiana, essencial para a saúde e resiliência do solo.”
Pontes ressaltou ainda que os efeitos sinérgicos dessa integração fortalecem o plantio direto e contribuem para a mitigação de gases de efeito estufa.
Segundo ela, pesquisas do IDR-Paraná já estão testando o uso de Azospirillum brasilense na fase de pastagem, com inoculação de sementes de gramíneas forrageiras. “Estamos ainda no início do experimento, mas a expectativa é reduzir em torno de 25% a necessidade de nitrogênio mineral. Essa diminuição já impacta fortemente os custos de produção, uma vez que grande parte deles está ligada a fertilizantes”, explicou a pesquisadora.
Além disso, estudos também avaliam o uso de cianobactérias na coinoculação da soja com Bradyrhizobium japonicum e Azospirillum brasiliense, que já demonstraram um aumento de 2,5 sacos por hectare em situações de maior estresse biótico e abiótico.
Os ganhos não se restringem ao campo ambiental. Conforme Pontes, há comprovação de que os sistemas integrados são mais lucrativos e estáveis financeiramente. “Resultados de pesquisa, obtidos também aqui nos Campos Gerais pelo IDR-Paraná, têm demonstrado maior lucratividade pelo uso de SIPA em comparação com sistemas puramente agrícolas. Além disso, a pecuária, quando utilizada com pastejo moderado, não reduz a produtividade da soja ou do milho, mas sim contribui para diminuir riscos em anos adversos, tornando o sistema mais estável”, destacou.
Essa combinação de vantagens ambientais e econômicas é apontada como um dos principais caminhos para o futuro do agronegócio no Paraná, especialmente diante das mudanças climáticas e da necessidade de reduzir a dependência de insumos externos.

Na mesma linha de fortalecimento da integração, a pesquisadora Josiane Aliança apresentará os avanços no desenvolvimento de aveias forrageiras adaptadas à região. A expectativa é que novas cultivares ampliem a oferta de forragem de qualidade no inverno, fortalecendo o sistema de produção de leite e carne.
Já Elir de Oliveira trará informações sobre o consórcio de forrageiras de inverno, estratégia que busca aumentar a cobertura do solo, otimizar o uso dos recursos naturais e fornecer uma alimentação mais nutritiva aos rebanhos.
Por sua vez, José Luiz Moleta abordará como a genética pode ser aplicada para aprimorar tanto a pecuária de corte quanto a de leite, com foco na produtividade, rusticidade e adaptação dos animais às condições do estado.
De acordo com os organizadores, a II Mostra Tecnológica Fazenda Modelo deve atrair centenas de produtores rurais, técnicos e acadêmicos da região dos Campos Gerais e de outras partes do Paraná.
O evento será realizado na Av. Euzébio de Queiroz, s/nº, bairro Uvaranas, em Ponta Grossa. As inscrições são gratuitas, e os interessados podem obter mais informações pelo telefone (42) 3311-2800 ou pelo e-mail [email protected].
A programação busca reforçar a importância do diálogo entre ciência e prática agrícola, oferecendo aos participantes subsídios técnicos para transformar os resultados de pesquisa em soluções aplicáveis no dia a dia das propriedades.
Localização:
https://shre.ink/t7Lb
INSCRIÇÃO: https://bit.ly/3NhcvDT
