
Nos dias 10 e 11 de setembro de 2025, a Fundação ABC realizou a 9ª edição do Show Tecnológico Inverno, em seu Campo Demonstrativo e Experimental (CDE), localizado na PR-151, em Ponta Grossa (PR).
O evento reuniu 25 empresas parceiras, além de pesquisadores, produtores e estudantes vindos de diferentes regiões do país, com foco em apresentar soluções práticas para o cultivo de inverno.
O grande destaque ficou para a cultura da cevada, que tem ganhado relevância nos Campos Gerais, impulsionada pela demanda da maltaria instalada na região e pela necessidade de variedades mais produtivas, adaptadas e de qualidade superior.
O gerente geral da Fundação ABC, Luis Henrique Penkoski, destacou que a programação do evento foi desenhada para valorizar o papel da cevada como alternativa de renda para os agricultores.
“Acho que o grande destaque é a programação bastante interessante que montamos, trazendo todo o histórico da cultura da cevada, de onde começamos até o que esperamos para o futuro. Pela importância da cevada na nossa região, conseguimos conectar diferentes áreas do conhecimento para construir estratégias que aumentem a produtividade, a rentabilidade e a qualidade exigida pela indústria, gerando mais resultados no campo”, afirmou.

O pesquisador da Fundação ABC, Hélio Joris, reforçou que a cevada se consolidou como uma alternativa rentável para os cultivos de inverno, muito em função da maltaria. Ele também detalhou os avanços genéticos e de manejo que têm transformado a realidade dos produtores.
“A cevada tem aumentado bastante em importância, se tornando uma opção rentável para os cultivos de inverno. Entre os aprendizados ao longo dos anos, destaco a evolução no manejo de doenças, com cultivares mais tolerantes e resistentes, além de melhorias nutricionais, especialmente no uso de nitrogênio e boro. Isso se reflete em produtividade e qualidade para atender a maltaria”, explicou Joris.
Ele também lembrou que a capacidade de produção da maltaria já ultrapassa o planejamento inicial, e isso só é possível porque o cultivo vem sendo aprimorado no campo.
“O ponto de partida é sempre o cultivo bem feito, com variedades produtivas, estáveis e de qualidade. Isso motiva o produtor a apostar na cevada e fortalece todo o ecossistema da cultura”, completou.

Convidado para a Arena 1 do Show Tecnológico, o pesquisador da FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária), Noemir Antoniazzi, trouxe um resgate histórico da cultura na região, abordando os avanços genéticos que permitiram que a cevada se tornasse uma alternativa concreta de renda.
“Fomos convidados para destacar a história do cultivo da cevada aqui nos Campos Gerais, que começa na década de 80. No início, enfrentávamos grandes dificuldades porque os solos não eram adequados e a genética vinha de fora, principalmente da Europa. Com o tempo, vieram variedades nacionais, como as desenvolvidas pela Embrapa, e depois voltaram as variedades europeias, já mais adaptadas”, relatou.
Antoniazzi ressaltou que a consolidação da cevada se deu com o melhoramento genético local, liderado pela FAPA.
“A virada de chave foi quando conseguimos desenvolver variedades adaptadas aqui na região, como a Imperatriz e, mais recentemente, a Princesa, que se mostrou muito competitiva. Essa variedade foi testada, avaliada e selecionada nos nossos solos, corrigindo limitações anteriores e trazendo rentabilidade ao produtor. Hoje temos materiais que atendem tanto à indústria, pela qualidade de malte, quanto ao produtor, pela produtividade e estabilidade”, destacou.
Com a maltaria operando acima da capacidade inicial e planos de duplicação, a demanda por cevada nacional se torna ainda mais urgente. “O desafio é oferecer genética adaptada e adequada para que o produtor se anime a plantar e intensifique o cultivo. A indústria precisa de cevada, e isso só será viável se tivermos sementes nacionais de qualidade. Com a Princesa e outras variedades em desenvolvimento, esse momento chegou”, concluiu Antoniazzi.
Mais do que um espaço de difusão de conhecimento, o Show Tecnológico Inverno da Fundação ABC se firmou como um ponto de encontro entre ciência, tecnologia e produção agrícola. Ao longo dos dois dias, visitantes puderam conhecer inovações, trocar experiências e acessar informações atualizadas sobre as culturas de inverno.
A cevada, protagonista desta edição, mostrou-se não apenas uma alternativa rentável, mas um pilar estratégico para o futuro do agronegócio nos Campos Gerais, conectando produtores, pesquisadores e a indústria cervejeira em um ciclo de benefícios compartilhados.