
Realizado em 22 de agosto, em Ponta Grossa, na Central Ponta Grossa (ASSOCAMPOS & inpEV) o Dia Nacional do Campo Limpo destacou conquistas da logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas pós consumo, modelo em que o Brasil é referência mundial.
Coordenado pela ASSOCAMPOS em parceria ao inpEV, o evento reuniu agricultores, representantes do poder público, acadêmicos, especialistas, e comunidade em geral em torno de um tema que alia meio ambiente e produção de alimentos de forma sustentável.
Para Janete Zucco, presidente da ASSOCAMPOS, a data é símbolo de avanço coletivo. “Temos orgulho de ter conseguido mudar a realidade da logística reversa. Hoje o produtor já sabe da sua responsabilidade, e a população também percebe a importância de preservar o meio ambiente. Cada ano conseguimos dar um passo maior”, destacou.
Homenageada pelos 12 anos de atuação na associação, Janete ressaltou a emoção da surpresa. “Não esperava por esse reconhecimento. Faço esse trabalho não pensando em recompensa, mas para garantir um campo mais limpo. Nosso convite é que toda a população participe, pois esse evento não é só dos agricultores, mas de todos.”, afirma.
Para o responsável técnico da ASSOCAMPOS e Coordenador de Centrais do inpEV - Luiz Fernando Marion, reforçou como o sistema evoluiu das práticas incorretas do passado para resultados expressivos.
“Como pode-se ver na apresentação, infelizmente no passado (antes do Sistema Campo Limpo) não havia um destino adequado estabelecido - as embalagens eram enterradas ou queimadas. Hoje, temos uma legislação que envolve todos os elos da cadeia produtiva. Só nos Campos Gerais, em 2024, destinamos de forma ambientalmente adequada mais de 1,2 milhões de quilos de embalagens pós consumo. Cerca de 95% é reciclado, fechando o ciclo com a economia circular”, explicou.

Marion ainda destacou a Ecoplástica Triex, feita em sua maioria a partir de material reciclado. “É a primeira embalagem reciclada do mundo com certificação UN - para transporte marítimo de químicos, reforçando a qualidade e tecnologia do processo. Um orgulho para o sistema Campo Limpo.”
O olhar do produtor também foi evidenciado. Carlos Augusto Delezuk, de Carambeí, homenageado por suas práticas sustentáveis, falou da responsabilidade no leite e na agricultura.
“Produzimos um alimento quase sagrado, que exige qualidade e responsabilidade. Sustentabilidade faz parte da nossa cultura desde os imigrantes da Frísia. Hoje, a logística reversa é natural na propriedade. Faz parte da rotina dos colaboradores.”, salienta o produtor.
Com emoção, ele completou. “A terra não é nossa, nós é que somos dela. Temos que honrar a bênção de cuidar do pedacinho de chão que recebemos.”, afirma
“A terra não é nossa, nós é que somos dela. Temos que honrar a bênção de cuidar do pedacinho de chão que recebemos.”, afirma Carlos Augusto Delezuk.

A programação contou com palestras técnicas que ampliaram a visão sobre o futuro do agronegócio sustentável. O consultor Luiz Francisco Araújo da Costa Vaz explicou como o licenciamento ambiental pode ser um aliado.
“Não deve ser visto só como obrigação, mas como oportunidade. O produtor que regulariza sua propriedade consegue otimizar o uso do solo e até gerar renda extra com créditos de carbono, certificações e tokenização de áreas”, afirmou.
Na mesma linha, o engenheiro Armando Madalosso Vieira Filho, do CREA, lembrou a importância de profissionais habilitados no campo. “Desde o plantio até o armazenamento, ter engenheiros garante mais segurança e sustentabilidade. Um bom profissional sempre se paga como investimento.”
O poder público também marcou presença. Para o secretário de Agricultura de Ponta Grossa, Izaltino Cordeiro dos Santos, o evento está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “A logística reversa e a economia circular dão transparência e credibilidade ao agronegócio. É um exemplo de como preservar e produzir caminham juntos.”
Na área de fiscalização ambiental, o engenheiro agrônomo Rui Mueller, do IAT, destacou que todo o sistema é feito para beneficiar o agricultor.
“As centrais de recebimento estão à disposição para resolver o problema das embalagens. A sustentabilidade depende de respeitar as regras e aplicar boas práticas agrícolas. O maior beneficiado é o próprio produtor.”
Já a academia contribuiu com a formação das novas gerações. O professor Luiz Cláudio Garcia, da UEPG, levou estudantes de agronomia e zootecnia ao evento. “Há mais de 13 anos somos parceiros do Campo Limpo. É essencial que o futuro engenheiro agrônomo conheça sua responsabilidade. O produtor é o maior interessado em preservar o meio ambiente para perpetuar a produção de alimentos.”

O Dia Nacional do Campo Limpo em Ponta Grossa mostrou como a união entre agricultores, distribuidores, indústria fabricante, poder público, academia e iniciativa privada pode transformar desafios ambientais em conquistas coletivas.
Mais do que números, o evento reforçou uma mensagem: sustentabilidade é cultura, compromisso e futuro para o agronegócio brasileiro onde todos estão juntos por um destino melhor.