
Castro, nos Campos Gerais do Paraná, reafirmou seu título de Capital Nacional do Leite ao sediar, entre os dias de evento da 25ª Agroleite, encontros estratégicos da Comissão Técnica Nacional e Estadual do Leite. Realizadas na Casa da Faep/Sindicato Rural, no Castrolanda Expo Center, as reuniões reuniram lideranças, técnicos, produtores e representantes de todo o Brasil para debater tecnologia, mercado e defesa do setor.
A feira, considerada a maior da América Latina voltada exclusivamente à cadeia produtiva do leite, mais uma vez serviu de vitrine para genética de ponta, inovações tecnológicas e negócios que impactam diretamente a produção nacional.
Para Eduardo Lucacin, presidente da Comissão Técnica Estadual do Leite do Paraná, a importância da Agroleite transcende o aspecto comercial. “Castro é a capital nacional do leite. A história, a cultura e a produção desta região sempre foram referência para o país. A feira cresce a cada ano e hoje é a maior da América Latina no setor, reunindo os melhores rebanhos, criadores e tecnologias para a produção de leite”, afirmou.
O Paraná ocupa hoje a segunda posição no ranking nacional de produção, e, segundo Lucacin, muito desse desempenho se deve ao conhecimento e à tecnologia discutidos e implantados a partir das experiências apresentadas na Agroleite.
Além da programação da feira, o dia foi marcado por duas reuniões técnicas: pela manhã, a Comissão Nacional do Leite, com representantes de todo o Brasil; à tarde, a Comissão Técnica Estadual do Paraná.
“Temos a presença do Guilherme, vindo de Brasília, que vai trazer atualizações sobre a defesa contra a importação de leite, uma ação que a Faep promoveu internacionalmente. Também vamos discutir mercado e reunir as lideranças estaduais. Cada um dos 93 membros da comissão atua como difusor de conhecimento em todo o Paraná, fortalecendo o setor”, destacou o dirigente.
O evento também foi palco para a análise de mercado com Valter Galan, analista de mercado do leite e sócio da MilkPoint, que participou das discussões da Comissão Nacional do Leite da CNA. “Falamos sobre o cenário para o segundo semestre, avaliando preços, produção e volumes. Também tratamos de temas da agenda futura do setor, como relação entre produtor e indústria, inovação e consolidação na cadeia produtiva”, explicou Galan.
O analista destacou que, apesar de um momento de demanda menor — reflexo da inflação e do impacto das chamadas bets (apostas online) que retiram cerca de R$ 30 bilhões mensais do consumo —, há expectativa de recuperação no segundo semestre. “Com a queda de preços no varejo, podemos ter uma demanda um pouco melhor, criando possibilidades de sustentação de preços. O setor é pujante e a feira mostra que ele cresce, mas precisamos trazer a indústria para o centro dessas discussões”, alertou.
A Casa do Produtor Rural, instalada na avenida principal da feira, tornou-se um marco para as reuniões e interações do setor. Para Lucacin, o espaço simboliza a união entre tecnologia, mercado e representatividade. “Está muito bonito este ano e convidamos todos os produtores a visitar. É um espaço para troca de conhecimento e fortalecimento da nossa cadeia produtiva”, reforçou.
Ao final do dia, as lideranças saíram com uma pauta clara: manter o protagonismo do Paraná no cenário nacional, alinhar estratégias de mercado e continuar defendendo os interesses dos produtores frente aos desafios econômicos e regulatórios.
A 25ª Agroleite mostrou, mais uma vez, que Castro não é apenas a capital nacional do leite — é também o palco onde o futuro do setor começa a ser desenhado.