
O tradicional julgamento das raças leiteiras, um dos momentos mais aguardados da programação do Agroleite 2025, reúniu entre os dias 5 e 8 de agosto, na Arena Agroleite, em Castro (PR), 548 animais de alto padrão genético.
O evento destaca as raças Holandesa e Jersey, com a presença de 52 expositores e intensa movimentação técnica e comercial. A competição reforça o papel de Castro como polo de excelência da pecuária leiteira nacional.
Entre os inscritos, destacam-se 235 animais da variedade Holandesa preta e branca, 116 da vermelha e branca e 170 da raça Jersey, além de atividades especiais como o Clube de Bezerras, o concurso Jovem Expositor e o tradicional Torneio Leiteiro. A presença de especialistas e produtores de diversas regiões amplia a troca de conhecimento técnico e o reconhecimento das melhores práticas na cadeia produtiva do leite.
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Para Armando Rabers, presidente da Associação Brasileira de Criadores da Raça Holandesa, o Agroleite é uma vitrine inigualável. Rabers destacou a importância simbólica do evento, tanto para os Campos Gerais quanto para todo o Brasil.
"Agroleite é uma vitrine hoje da pecuária leiteira, onde são apresentadas todas as tecnologias novas do mundo para os produtores. A raça Holandesa tem aqui sua feira de julgamento muito bem representada, mostrando o que há de melhor todos os anos", explicou.
O presidente ressaltou o papel da feira na avaliação do progresso genético da raça Holandesa, citando que, nas primeiras décadas de criação no Brasil, os animais produziam em média 5 a 7 litros por dia, enquanto atualmente já existem rebanhos com médias superiores a 45 litros diários.
"E ainda não atingimos o limite da raça. Acredito que, nos próximos 5 a 10 anos, podemos alcançar rebanhos com 60 litros de média. O foco é sempre o bem-estar animal aliado à produtividade", concluiu.

O compromisso com a qualidade do leite — especialmente em gordura e proteína, características essenciais para a indústria — também foi enfatizado. Rabers apontou a evolução constante da raça como um dos principais trunfos da pecuária moderna.
Do lado da raça Jersey, Cristiano Nogueira de Campos, jurado de pista e ex-superintendente da raça no Brasil, também sublinhou o impacto técnico e institucional do Agroleite.
"Estamos no maior polo tecnológico do leite no Brasil. A feira reúne as principais empresas do setor e os melhores animais do país. É onde o produtor tem a chance de comparar seu rebanho com os demais e entender como está o seu melhoramento genético", afirmou.
Cristiano destacou ainda a velocidade com que a genética e o manejo da raça Jersey evoluíram nos últimos anos, saltando de vacas com lactações de 3 a 4 mil kg para animais que hoje superam 12 mil kg por lactação, com médias de 32 a 33 kg por vaca em grandes propriedades.
"A Jersey evoluiu graças a um conjunto de fatores: inseminação artificial, FIV, sêmen sexado, nutrição de precisão, silagens melhores, conforto animal. Tudo isso elevou muito a produtividade", detalhou.
Para ele, a rentabilidade da raça Jersey também está diretamente relacionada à alta produção de sólidos (proteína e gordura) no leite, que confere maior valor ao produto na indústria.
"É uma vaca dócil, com excelente conversão alimentar e que entrega leite de qualidade, com baixos níveis de contagem bacteriana e celular. Por isso, é a raça que mais cresce no mundo", complementou.

Entre o público presente, Aldair Perim, visitante da cidade de Iretama (PR), expressou entusiasmo com o que viu durante a programação.
"É um evento que mostra novas tecnologias e conhecimento de campo. É nas feiras que a gente vê o que há de melhor para levar ao cliente e aplicar no dia a dia da propriedade", disse.
A pluralidade do Agroleite, reunindo julgamento técnico, feira de negócios e difusão de conhecimento, reforça seu papel como evento estratégico para o futuro do setor leiteiro. A valorização dos criadores e a presença massiva de jovens talentos, como no Clube de Bezerras e no Jovem Expositor, também apontam para a renovação da atividade com foco em inovação e sustentabilidade.
Além dos julgamentos e competições, o evento promove o intercâmbio entre instituições de pesquisa, empresas de genética, fabricantes de insumos e equipamentos, todos engajados na construção de uma cadeia leiteira mais eficiente, rentável e tecnológica.
Ao unir tradição e modernidade, o Agroleite 2025 se consolida mais uma vez como vitrine do melhor da pecuária leiteira brasileira.