
No dia 23 de julho de 2025, o Sindicato Rural de Castro reuniu produtores, lideranças do agronegócio e representantes da Agro Z – Precisão na Agricultura para mais uma edição do tradicional Café do Produtor Rural. O encontro marcou o retorno da empresa ao Café para apresentar os resultados de um ano do projeto de créditos de carbono, lançado em 2024. Com números expressivos, a iniciativa comprovou seu sucesso ao aliar sustentabilidade e geração de renda no campo.
A proposta era ousada: transformar práticas ambientais sustentáveis em uma nova fonte de receita para os produtores locais. Passados doze meses, a ideia mostrou-se não só viável, como altamente lucrativa. Ao todo, 23 projetos foram implementados em 5.500 hectares, gerando R$ 2,5 milhões em créditos de carbono distribuídos diretamente aos produtores de Castro e região.
Quem conduziu a apresentação foi Otávio Alexandre Benvenutti, gerente da Agro Z, que relembrou a trajetória iniciada no Sindicato Rural de Castro, um ano antes.“Ano passado a gente veio apresentar a nossa proposta de geração de valor para o produtor, no projeto de crédito de carbono. Alguns produtores aderiram e, hoje, a gente volta para agradecer o sindicato pelo espaço e apresentar os resultados que são muito positivos.”, afirma
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Otávio explicou que a média regional foi de quatro créditos de carbono por hectare, gerando um faturamento entre R$ 400 e R$ 500 por hectare, por safra. Com duas safras por ano, os ganhos dobram. “Foram mais de dois milhões e meio de reais distribuídos entre os 23 produtores que apostaram no nosso projeto. Isso é um valor considerável para a nossa região. E mais do que o valor em si, é a prova de que o produtor rural está preservando e sendo remunerado por isso.”, argumenta.
A metodologia aplicada envolve o uso de sensoriamento remoto, coleta de dados em campo e auditoria por entidades credenciadas ao Governo Federal. O sistema ainda conta com proteção via blockchain, garantindo total segurança e rastreabilidade dos dados.
“Antes, o produtor era amigo do meio ambiente, mas não existia um jeito de mensurar e transformar isso em dinheiro. Agora temos. O projeto exige regularidade no CCIR e CAR, mede o carbono no solo e na vegetação aérea e, depois de auditado, emite os créditos. Isso tudo com transparência,” completou Otávio.
O custo para participar do programa é de R$ 100 por hectare por safra, ou seja, R$ 200 anuais, e o retorno pode ultrapassar esse valor com folga, considerando o valor de mercado dos créditos — US$ 20 no Brasil, podendo chegar a US$ 70 na Europa.
Além disso, produtores participantes recebem um certificado de sustentabilidade, que permite acesso a benefícios como desconto em financiamentos e reconhecimento em linhas de crédito agrícola. “Temos parcerias com bancos e fundos para financiar a entrada no projeto. E o selo de sustentabilidade ajuda muito nesses acessos. Quem estiver interessado pode nos procurar no WhatsApp pelo número ,42 99945-0451",finalizou Otávio.
Cledson Benvenuti, sócio-proprietário da CG Benvenuti, compartilhou como a empresa pensou em criar um braço para atuar com o crédito de carbono e por isso nasceu a Agro Z . “Nós sempre pesquisamos sobre o mercado de carbono. Meu filho e meus sócios descobriram uma empresa em Palotina e viramos representantes aqui na região. Hoje, mostramos que é possível sim transformar o sequestro de carbono em receita para o produtor.”, conta
Ele destacou que não apenas lavouras produtivas, mas também áreas de mata e reserva permanente geram créditos. “Área de lavoura chega a gerar quatro ou cinco créditos por hectare. Já áreas de mata virgem, três ou quatro. Tudo depende da medição, mas tudo que absorve COâ‚‚ gera valor.”
Segundo Cledson, a chave é estar com a propriedade documentada. “É importante que o CAR esteja em dia. Aí fazemos a leitura, quantificamos o carbono e o produtor recebe. No ano passado, mais de 20 produtores da região participaram e todos já receberam. É uma nova renda que ninguém imaginava.”, revela.

A adesão de produtores locais vem crescendo. Um dos exemplos é do produtor Dalnei Carlos Gomes, que destinou 300 hectares ao programa. Ele não esconde o entusiasmo. “Foi uma grande chance de agregar valor à propriedade com algo que a gente já fazia. A lavoura já sequestra carbono, e agora isso virou receita. Já recebemos a primeira parcela. O projeto realmente funciona.”
Dalnei destacou que muitos produtores ainda não conhecem o mercado e que quem estiver com a documentação em ordem deve aproveitar: “É mais uma oportunidade para quem está dentro das normas ambientais. Agrega valor e traz retorno com responsabilidade.”, afirma
Para Eduardo Medeiros Gomes, presidente do Sindicato Rural de Castro, o projeto é um divisor de águas. “Quando trouxeram essa ideia no ano passado, acreditamos. E dissemos: ‘Daqui a um ano, voltamos para ver os resultados’. E voltaram com números que mostram sucesso.”
Eduardo pontuou que os ganhos vão além da renda. “Isso mostra que Castro e Campos Gerais são regiões conservacionistas. Você não gera crédito de carbono em áreas degradadas. O produtor daqui é responsável, e agora tem reconhecimento.”, argumenta.
Ele também reforçou que a rentabilidade entre R$ 200 e R$ 400 por hectare — é expressiva, especialmente em momentos de instabilidade econômica.“É uma oportunidade real de agregar renda com algo que antes não era valorizado: a preservação. Agora estamos falando de pagamento por serviços ambientais um sonho antigo que está virando realidade.”, celebra.
Com base nos testemunhos e nos dados apresentados, Castro se consolida como referência nacional em projetos sustentáveis no campo. O Sindicato Rural, a Agro Z e os produtores locais demonstram que o futuro do agronegócio passa pela inovação aliada à conservação.