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Pesquisadores identificam benefícios de manter bezerras em pares já na primeira semana de vida

Estudo realizado no Paraná demonstra que a prática melhora o bem-estar e o desenvolvimento dos animais

Por: Redação
23/06/2025 às 16h25 Atualizada em 24/06/2025 às 15h27
Pesquisadores identificam benefícios de manter bezerras em pares já na primeira semana de vida
Foto: Michail Moroz/Divulgação

O setor de produção de leite no Brasil, que ocupa a terceira posição no ranking mundial com mais de 34 bilhões de litros produzidos anualmente, é um dos pilares do agronegócio nacional. Com mais de 1 milhão de propriedades leiteiras espalhadas por 98% dos municípios brasileiros, o setor emprega cerca de 4 milhões de pessoas, em sua maioria pequenos e médios produtores, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de 2024.

Diante da importância econômica e social da cadeia produtiva do leite, um estudo contínuo feito por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Universidade Positivo (UP) e Universidade de Vermont (EUA) revelou que o alojamento precoce de bezerras leiteiras em pares pode trazer benefícios benéficos para o bem-estar e desenvolvimento dos animais. Uma pesquisa avaliou o impacto do alojamento em pares em diferentes idades e concluiu que o realizado na semana de vida é o primeiro benefício.

O professor do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da PUCPR, Ruan Daros, explica que a separação de bebês de suas mães logo após o nascimento é uma prática comum na peculiar leiteira. “Para reduzir os impactos negativos desse isolamento social, a criação de bezerros em pares ou duplas tem se mostrado uma estratégia eficaz para melhorar o bem-estar animal”, detalha.

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Foram evidenciadas 140 bezerras da raça Holandesa, distribuídas em três grupos conforme a idade: 7 dias (precoce), 30 dias (intermediário) e 50 dias (tardio). Os animais foram acompanhados da primeira semana de vida até o desaleitamento, aos 78 dias de vida. O envio incluiu observações diárias de comportamento, avaliações de saúde, consumo de ração e ganho de peso.

 

Resultados

"Bezerras alojadas em pares na primeira semana de vida apresentaram mais fatores que indicam melhor bem-estar animal. Foram notados comportamentos positivos, como explorar, brincar e interagir socialmente, e menos comportamentos negativos, como ociosidade, comportamentos repetitivos ou anormais", destacou o pesquisador que correspondeu à pesquisa, MV Doutorando da PUCPR, Michail Moroz.

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Embora o peso final das bebidas ao desaleitamento tenha sido semelhante entre os grupos, aquelas alojadas precocemente em pares pareciam pesos mais homogêneos, o que pode indicar uma adaptação alimentar mais eficiente. Além disso, não foram observadas diferenças significativas na incidência de doenças entre os diferentes grupos, reforçando que o alojamento em pares não compromete a saúde dos animais.

Com base nas contribuições, os pesquisadores recomendam a adaptação do alojamento precoce como uma estratégia para maximizar o bem-estar e o desenvolvimento das bezerras leiteiras, sem prejuízos à saúde ou ao desempenho produtivo. “Essa prática pode ser um diferencial para produtores que buscam eficiência produtiva com as crescentes demandas do mercado por bem-estar animal”, frisaram os pesquisadores do estudo.

Publicação do estudo

O estudo When to pair: Effects of different pairing age on milk bezerros health, behavior and performance (Quando parear: efeitos de diferentes idades de alojamento em pares na saúde, comportamento e desempenho de bezerras leiteiras) foi publicado Journal of Dairy Science, em janeiro de 2025, e está disponível no link: https://doi.org/10.3168/jds.2024-25686

O artigo é de autoria de Michail Sabino Moroz, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da PUCPR; Camila Cecília Martin, professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Positivo; João Henrique Cardoso Costa, professor do Departamento de Ciências Veterinárias e Animais da Universidade de Vermont (EUA); e Ruan Daros, docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da PUCPR e coordenador do estudo.

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