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Experiência Tropeira emociona em Piraí do Sul com cultura, gastronomia e história viva

A terceira parada do projeto Experiência Tropeira aconteceu nos dias 30 e 31 de maio, na Pousada Sítio Campina da Casa, em Piraí do Sul. O evento resgatou a cultura tropeira com encenação teatral, música ao vivo e comidas típicas, encantando o público com um mergulho nas origens do povo do campo.

Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
02/06/2025 às 08h44
Experiência Tropeira emociona em Piraí do Sul com cultura, gastronomia e história viva
O evento contou com teatro, música ao vivo e gastronomia típica em uma imersão cultural que resgatou a história dos tropeiros e encantou visitantes de todas as idades. Foto Toninho Anhaia

Uma noite para reviver o passado tropeiro tomou conta da Pousada Sítio Campina da Casa, em Piraí do Sul, nos dias 30 e 31 de maio. A terceira parada do projeto Experiência Tropeira reuniu moradores e turistas para uma imersão cultural que recriou um verdadeiro pouso tropeiro, com direito a música ao vivo, teatro, comidas típicas e a hospitalidade que só quem vive no campo conhece. Promovido pela Agência de Desenvolvimento do Turismo dos Campos Gerais (Adetur), em parceria com a Prefeitura Municipal e apoio da Copel, o evento fortalece o turismo regional e mantém viva uma das tradições mais importantes do Paraná: o tropeirismo.

A programação começou com uma encenação dirigida por Michella França, revivendo cenas cotidianas dos tropeiros. Ao som de Silvestre Alves, músico raiz que emocionou o público com modas que contam histórias, o ambiente foi tomado por sentimentos de saudade, pertencimento e orgulho das origens e contou ainda com participação do ator Gabriel Lima. As crianças participaram com entusiasmo, reforçando o caráter educativo do projeto, que também contempla ações em sala de aula por meio do programa “Turismo na Escola”.

Quem acompanhou o evento percebeu que não se tratava apenas de uma apresentação: foi uma vivência. Desde o café tropeiro passado na hora até a carne na fumaça servida ao cair da noite, cada detalhe transportava os visitantes a um tempo em que os tropeiros desbravavam caminhos, abrindo rotas e construindo histórias.

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Karen Kobilarz, gerente executiva da Adetur, reforçou o papel do projeto na valorização das raízes tropeiras da região. “O Experiência Tropeira vem com esse intuito de reavivar a questão do tropeirismo aqui nos municípios da região dos Campos Gerais. Nós queremos trazer essa cultura e essa história em forma de produtos voltados também para os turistas”, explicou.

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Segundo Karen, o projeto, patrocinado pela Copel via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, contempla cinco cidades nesta primeira etapa — Jaguariaíva, Arapoti, Piraí do Sul, Palmeira e Ortigueira — mas há planos para expandir.  “O espetáculo foi cuidadosamente pensado: roteiro, trajes, elenco, cenografia... Tudo para dar uma amostra de como eram os pousos tropeiros e o modo de vida do tropeiro. Nosso desejo é que a população volte a ter esse sentimento de pertencimento, que isso fique na memória, especialmente das crianças.”

Tiago Mendes, secretário de Esporte e Turismo de Piraí do Sul, falou sobre o impacto do evento para o município. “A cultura tropeira do nosso município é muito forte, e a gente espera, através deste projeto, resgatar ainda mais essa identidade e fortalecer o turismo local. Agradecemos a parceria com a Adetur e o apoio de todos os envolvidos.”

O cenário ideal para essa viagem no tempo foi a charmosa Pousada Sítio Campina da Casa, aberta especialmente para o evento. A proprietária Édina Guedin Sviech compartilhou a emoção de sediar uma celebração tão rica em significado.

“Abrir o espaço para esse evento é reverenciar os nossos antepassados. É lembrar que o que nos mantém hoje é fruto do passado. A história é cíclica, ela se renova com outra cara, mas mantendo a tradição.”, afirma Édina

Além da receptividade, a culinária tropeira encantou os visitantes. “Preparamos uma carne defumada como faziam meus avós, que foram tropeiros. É um tipo de comida simples, mas com história. O tropeiro comia carne, arroz, feijão – e era com isso que seguia suas jornadas”, contou Édina.  A tradição, segundo ela, não deve ser esquecida.
“Esse momento é uma forma de lembrar dos meus avós, dos meus sogros... de todos que construíram essa história.”

Experiência Tropeira emociona em Piraí do Sul com cultura, música e gastronomia raiz. Foto Toninho Anhaia

 

Teatro que toca, ensina e envolve

O ponto alto da noite foi a encenação teatral dirigida por Michella França, com participação do ator Gabriel Lima, que deu vida a personagens que conduziam o público por meio de histórias, músicas e diálogos interativos. Para Gabriel, a experiência vai muito além de uma simples apresentação. “É um baita desafio. É um linguajar diferente, uma cultura que a gente precisou pesquisar a fundo. Cada cidade tem respondido de uma forma linda. O público participa, interage — e, sem isso, a peça nem acontece. A gente se diverte demais em cena, mas também sente a responsabilidade de representar algo tão autêntico”, relatou o ator.

Gabriel também destacou a riqueza emocional de interpretar um tropeiro diante de um público tão engajado: “Você vê a criançada rindo, os avós emocionados, pessoas se reconhecendo naquilo que a gente encena. É como abrir um baú de memórias coletivas. A arte permite isso: tocar as pessoas sem que elas percebam que estão aprendendo.”

A atriz e diretora Michella França compartilhou da mesma emoção ao falar do processo criativo do projeto. “A gente fez uma pesquisa profunda sobre o tropeirismo. Descobrimos histórias incríveis, expressões, vestimentas, objetos. Trouxemos tudo isso para o palco, numa linguagem que é acessível, afetiva e muito verdadeira.”

Michella comentou ainda sobre o impacto positivo do projeto nas crianças.“As crianças estão atentas, curiosas. É maravilhoso ver isso. Estamos plantando sementes na memória emocional delas. Tenho certeza de que vão lembrar disso pra vida toda. E esperamos que levem isso adiante, para outras gerações.”

A atriz também deixou um recado para o público que vai acompanhar as próximas paradas do projeto em Ortigueira e Palmeira. “Vai ter comida boa, o café tropeiro feito na hora com os segredos do nosso compadre Bento, muita história e arrasta pé. Esperamos que o público vá, participe, se divirta e entenda a importância dessa experiência histórica.”

Já Silvestre Alves, músico que se apresentou durante a noite, trouxe mais que melodias — ele levou o público para dentro das narrativas tropeiras com sua viola e sua voz firme. Suas canções, cuidadosamente escolhidas, intercalavam momentos da encenação com passagens emocionantes da cultura do campo.

“É sempre uma honra participar de eventos como esse. A música é um elo com o passado. Cantar as histórias dos tropeiros é manter viva a nossa raiz.”, afirma o cantor.

O músico emocionou o público com clássicos do cancioneiro tropeiro e destacou a importância da música na vida do tropeiro.“A música faz parte da alma do tropeiro. Cantar essas histórias é manter viva essa memória. É um orgulho fazer parte de um projeto que emociona as famílias e leva cultura de forma tão bonita”, disse o músico.

Tropeirismo vivo nas palavras de quem viveu

Para além do teatro e da música, a Experiência Tropeira ganha um peso ainda mais genuíno quando ouvida da boca de quem viveu — e ainda vive — o tropeirismo em sua essência. João Maria Mainardes, mais conhecido como Nenê Tropeiro, é um desses guardiões da tradição. Natural de Piraí do Sul, ele é um dos últimos tropeiros da região com memórias vivas desse tempo. “Muito bonito. Tinha que ter acontecido um trem desses aí. É lindo demais. Eu fico feliz de ver isso acontecendo aqui em Piraí”, disse Nenê com um sorriso tímido e olhar emocionado.

Questionado sobre o impacto do evento nas novas gerações, ele foi direto. “É importante porque tira a criançada da droga. Dá outro rumo pra elas. Ensina coisa boa. E a melhor parte é encontrar os amigos, lembrar das histórias e tomar aquele café tropeiro que lembra o tempo de antigamente.” afirma.

O café tropeiro, aliás, foi uma das estrelas da noite. Passado na hora, no coador de pano, acompanhado por broa de milho e carne na brasa, ele resgatou sabores que hoje são raros, mas que ainda habitam o imaginário coletivo.

A vivência dos visitantes

Entre os muitos participantes, Reidney Raila Zacarias Jesus era só entusiasmo ao falar da experiência. “Achei muito interessante. É uma imersão. A gente ouve falar de tropeirismo, mas aqui a gente vive. Vê o teatro, sente o cheiro da comida, escuta as músicas e começa a entender o quanto isso tudo é parte da nossa história.”

Para Reidney, a combinação entre história e turismo é um caminho promissor: “O turismo é uma área muito importante que está crescendo cada vez mais. E eventos como esse agregam muito valor, trazem conhecimento e ainda movimentam a economia local. Piraí do Sul tem um enorme potencial.”

O evento não apenas emocionou também plantou sementes para o futuro. Com iniciativas como essa, o tropeirismo deixa de ser apenas uma lembrança e se torna produto cultural, educativo e turístico, atraindo olhares e corações de quem ainda não conhecia a fundo essa herança. E o melhor: gera movimento na economia local, fomenta o turismo sustentável e fortalece a identidade regional.

Piraí do Sul foi o palco desta etapa, mas a rota segue firme. Palmeira e Ortigueira já estão no horizonte da Experiência Tropeira, prometendo mais noites de memória, tradição e convivência como manda o bom costume tropeiro: com café passado na hora, histórias bem contadas e um céu cheio de estrelas por testemunha. As datas podem ser conferidas na rede social da Adetur.

 

 
 
 
 
 
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