
Na última terça-feira, 16 de abril de 2025, o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders, participou de uma importante reunião na Embaixada da Índia em Brasília. O encontro, que contou com a presença do Embaixador Mr. Suresh Reddy e do Ministro da Agricultura da Índia, Mr. Shivraj Singh Chauhan, teve como pauta principal o fortalecimento do comércio bilateral envolvendo o feijão-carioca produzido no Brasil.
A visita ocorreu em um momento estratégico, com o Brasil buscando ampliar suas exportações e conquistar novos mercados para um dos grãos mais consumidos pelos brasileiros. A Índia, por sua vez, enfrenta o desafio de alimentar 1,4 bilhão de pessoas e vê no Brasil um potencial aliado de peso.
Durante o encontro, Lüders reforçou o papel do Brasil na segurança alimentar global e a necessidade de elevar o diálogo comercial a um patamar mais estratégico e destacou a importância da persistência com propósito: "Obstinação pode ser uma grande qualidade — especialmente quando ela tem nome, destino e propósito. No nosso caso, ela atende por feijão-carioca e aponta para a Índia.", destaca
Ele ressaltou o simbolismo do encontro com as autoridades indianas, classificando o embaixador como um verdadeiro "embaixador também do feijão-carioca brasileiro". A reunião foi vista como um avanço importante nas negociações para transformar o Brasil de simples fornecedor em parceiro estratégico da Índia no setor de pulses. "Defendi que podemos, sim, chegar a exportar 1 milhão de toneladas por ano, mas para isso precisamos elevar as tratativas a outro nível. O Brasil precisa deixar de ser apenas fornecedor para se tornar parceiro preferencial."
Segundo Lüders, o relacionamento entre importadores e exportadores é, por natureza, pautado por preços e requisitos técnicos. No entanto, a proposta apresentada foi além do básico. "Se a Índia realmente precisa contar com o Brasil como fornecedor estratégico, é essencial envolver todo o setor. Não é possível pensar em produzir e exportar 300 mil toneladas de mungo-preto, 100 mil de feijão-rajado, mais 100 mil de caupi, vermelhos e guandu — e só depois saber se vão importar ou não."
Lüders explicou que essa previsibilidade e compromisso são fundamentais para que o produtor brasileiro tenha segurança na hora de plantar, e o setor possa garantir entregas com qualidade, volume e constância.
A proposta inclui o feijão-carioca como carro-chefe, mas não deixa de lado outras variedades importantes para o mercado indiano. A visão apresentada envolve não apenas negócios pontuais, mas uma aliança comercial sólida, capaz de beneficiar produtores brasileiros e contribuir para a segurança alimentar da Índia. "Se a Índia precisa alimentar 1,4 bilhão de pessoas, o Brasil pode contribuir com segurança alimentar e qualidade. E isso inclui, com destaque, o nosso feijão-carioca."
Além do potencial econômico, a exportação de feijão-carioca também é vista como essencial para a sustentabilidade da cadeia produtiva brasileira, hoje pressionada por custos de produção, variações climáticas e volatilidade de preços no mercado interno. "Ter um mercado fora do Brasil é essencial para a sustentabilidade dessa cadeia.", destaca.
Segundo Lüders, a receptividade foi positiva e dentro do esperado, com abertura por parte dos representantes indianos para dar continuidade às conversas. O presidente do Ibrafe concluiu com otimismo: "Estamos avançando. Obstinados — com razão, com estratégia e com um propósito que vale a pena."
A agenda internacional do Ibrafe tem se intensificado nos últimos anos, com participações em feiras, rodadas de negócios e articulações institucionais, sempre com o objetivo de abrir novos mercados para o feijão e outras pulses brasileiras. A Índia desponta como um dos alvos mais promissores, tanto pelo tamanho de sua população quanto pela afinidade com o consumo de leguminosas.
O Ibrafe acredita que, com um ambiente de negócios mais estável e previsível, os produtores brasileiros poderão investir mais em tecnologia, produtividade e qualidade, atendendo à demanda de um mercado exigente e de escala global.
Mais do que uma exportação pontual, a proposta apresentada à Índia é de parceria estratégica, duradoura e vantajosa para ambos os lados — um caminho em que o feijão-carioca deixa de ser apenas um produto nacional para se tornar protagonista no cenário alimentar internacional.