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Status sanitário reforça demanda por carne de frango do Brasil

Alta de exportações deve seguir ao longo do segundo semestre, avalia a ABPA; mercado interno deve seguir equilibrado; custos de produção são favoráveis no complexo soja

Por: Redação Fonte: ABPA
25/02/2025 às 13h12
Status sanitário reforça demanda por carne de frango do Brasil
Alta de exportações deve seguir ao longo do segundo semestre, avalia a ABPA; mercado interno deve seguir equilibrado; custos de produção são favoráveis no complexo soja. Foto Toninho Anhaia

São Paulo, 25 de fevereiro de 2025 – O agravamento da Influenza Aviária em diversos países têm impulsionado a demanda global por carne de frango do Brasil, avalia a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
 

As projeções iniciais da ABPA para o ano indicam que as exportações brasileiras de carne de frango devem alcançar 5,4 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior. No entanto, já em janeiro os embarques apresentaram alta de quase 10%, impulsionados pelo aumento da demanda em mercados como China, União Europeia e Filipinas. A valorização do produto brasileiro no mercado externo se reflete no avanço de 20,9% na receita das exportações, superando o crescimento do volume embarcado. Em fevereiro não deve ser diferente, com base nas parciais semanais recebidas, que preveem embarques acima de 450 mil toneladas.
 

No mercado interno, conforme avaliação do presidente da ABPA, Ricardo Santin, o setor segue em equilíbrio, impulsionado pela alta demanda pelo produto, que tem influenciado positivamente o consumo de carne de frango. A produção nacional deve alcançar até 15,3 milhões de toneladas em 2025, um avanço de 2,7% em relação ao ano anterior, enquanto a disponibilidade interna está projetada para 9,9 milhões de toneladas, crescimento de 2,1%. Graças ao reconhecido custo-benefício da proteína, o consumo per capita deve atingir este ano 46 kg, um aumento de 2%.
 

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Em termos de custos de produção, o cenário é positivo, em especial, no caso do farelo de soja. Com estoques mundiais elevados e a projeção de uma colheita histórica acima de 170 milhões de toneladas no Brasil, o complexo soja deve ajudar a equilibrar os custos de produção do setor.
 

Conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Ciências Aplicadas (CEPEA), em janeiro houve retração do preço do farelo de soja na maior parte das praças monitoradas. Em praças do Oeste do Paraná, a queda supera 13% na comparação com janeiro de 2024. Em outras localidades, como Ijuí (RS), e Passo Fundo (RS), as retrações de preço superam 20%.
 

De acordo com o presidente da ABPA, as agroindústrias e cooperativas do setor também têm boas expectativas sobre a produção de milho, especialmente em relação à safrinha, que não deve enfrentar atrasos graças ao bom andamento da colheita de soja. O quadro é especialmente bom no estado do Mato Grosso, que concentra metade das mais de 100 milhões de toneladas que deverão ser colhidas. Também é esperada neste ano uma menor demanda pela China - principal destino das exportações do cereal no mercado global.
 

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“O setor não preveÌ‚ problemas no acesso aos insumos neste ano. Conforme os levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estoque de passagem de milho para o ano deve ser superior ao registrado em 2024. Diversas consultorias teÌ‚m indicado que produção total deve ultrapassar 130 milhões de toneladas, favorecendo a previsibilidade no custo da ração”, destaca Santin.
 

Cenário Global de IA - Desde o dia 1° de janeiro, mais de 34 países já registraram focos de Influenza Aviária, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Apenas nos Estados Unidos, são mais de 60 focos ativos, além de 64 focos no Reino Unido, 76 na Alemanha, 40 na Polônia e 36 focos nos Países Baixos. “Se tomarmos o último semestre de 2024, são mais de 50 países nesta situação“, avalia Santin.
 

O surto da doença nos Estados Unidos, principal concorrente do Brasil no mercado internacional, tem reduzido a disponibilidade de ovos de consumo, gerando influências, inclusive, no mercado de carnes. De acordo com dados do Departamento de Agricultura do país (USDA), no ano passado, os exportadores norte-americanos deixaram uma lacuna de 367 mil toneladas nas vendas internacionais de carne de frango de 2024 em relação ao ano anterior - encerrando o ano com embarques de 3,3 milhões de toneladas.
 

Além disso, países tradicionalmente exportadores, membros da União Europeia, também registraram casos, restringindo ainda mais o comércio global de carne de frango. No caso da União Europeia, as vendas de 2024 são menores em relação ao realizado quatro anos atrás.
 

Esse cenário tem levado importadores a redirecionar compras para fornecedores estáveis, como o Brasil, avalia o presidente da ABPA. É o caso do Congo, que incrementou as compras de carne de frango do Brasil em 26% no ano passado, ao passo que os EUA retraíram as exportações em 46 mil toneladas, ou 49% a menos em relação ao ano anterior.
 

"A conjuntura internacional está reforçando o papel do Brasil como um fornecedor de carne de frango essencial para diversos mercados. A pressão da Influenza Aviária sobre a oferta global tem direcionado mais importadores ao produto brasileiro, e esse movimento deve se intensificar ao longo do segundo semestre, período historicamente mais forte para as exportações", analisa Ricardo Santin.
 

Além do impacto da Influenza Aviária no comércio global, o Brasil também deve se beneficiar de situações pontuais em mercados estratégicos. É o caso do México, que renovou recentemente o PACIC e já acumula um crescimento de 650% nas importações de carne de frango em relação a janeiro do ano anterior. Esse fluxo positivo deve se manter ao longo do ano, reforçando o ritmo das exportações brasileiras. Vale lembrar que os EUA são os principais fornecedores de carne de frango para o México, sendo origem de 80% das importações mexicanas.

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