
Em 9 de outubro de 2024, Castro, PR, foi palco de um seminário estratégico sobre energias renováveis no setor agropecuário, com foco no potencial do biogás, promovido pelo Sistema Faep/Senar e IDR- Paraná. Produtores rurais e especialistas se reuniram no Centro Cultural Castrolanda para discutir como o uso de biodigestores pode reduzir custos de produção, gerar energia renovável e aumentar a competitividade das propriedades rurais.
O evento contou com a participação de representantes do CIBiogás, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e do Programa RenovaPR, que apresentou linhas de financiamento para incentivar a adoção dessas tecnologias.
Herlon Goelzer de Almeida, engenheiro agrônomo e coordenador do RenovaPR, destacou a importância de olhar para o futuro do agro no Paraná e de como a bioenergia será crucial para o crescimento sustentável do setor.
Ele defendeu que os produtores paranaenses precisam adotar o biogás não só por razões ambientais, mas também como uma estratégia essencial para aumentar a produção de proteína animal, atendendo à crescente demanda global. Para ele, o biogás é uma solução que limpa a cadeia produtiva, gera energia e abre novas oportunidades econômicas.
"Nós estamos numa região produtora de proteína animal — leite, suínos, aves — e para o Paraná continuar competitivo, precisamos tratar os dejetos animais de forma ambientalmente adequada. Isso não só melhora a qualidade ambiental, mas também nos permite aumentar a produção de proteína, porque o órgão ambiental só autoriza a expansão de rebanhos se os resíduos forem bem tratados. Além disso, mercados como a Europa estão condicionando a importação de produtos agropecuários ao cumprimento de normas ambientais rigorosas. Se não nos adequarmos, perderemos oportunidades. Mas o tratamento de dejetos via biodigestão vai além da questão ambiental: ele gera riqueza na forma de energia. O biogás pode substituir a lenha ou o gás de cozinha, e com a filtragem, ele se transforma em biometano, combustível equivalente ao gás natural veicular, que pode ser consumido na propriedade ou vendido.", argumenta.
Bruna Smaniotto, coordenadora de serviços técnicos do CIBiogás, trouxe uma perspectiva prática sobre o potencial do biogás nas propriedades rurais. Ela enfatizou que os resíduos gerados na produção agropecuária podem ser transformados em uma valiosa fonte de energia, e que a união de produtores em arranjos coletivos pode viabilizar economicamente projetos que seriam inviáveis individualmente.
"O resíduo que hoje está apenas acumulado nas propriedades pode se transformar em energia. Seja elétrica, térmica ou veicular, o biogás abre uma série de oportunidades para os produtores. Muitos pensam que, sozinhos, não conseguirão investir, mas é aí que entra o arranjo coletivo. Vários produtores de uma mesma região podem se unir, somando seus resíduos, para viabilizar um projeto de biodigestão. Dessa forma, geramos mais biogás, mais energia e mais receita. Além disso, arranjos coletivos facilitam o acesso a investimentos e financiamentos, tornando o biogás uma solução viável para propriedades de todos os tamanhos.", comenta.
Smaniotto explicou ainda as formas de implementação, como a criação de redes de tubulação para canalizar o biogás de pequenas propriedades até uma central maior, ou a instalação de sistemas de biodigestão em cada fazenda. "Qualquer uma dessas opções pode ser viável, dependendo do modelo de negócio escolhido pelos produtores", finalizou.
Alessandra Nakamura, engenheira química do Instituto Água e Terra, abordou os desafios e a importância do licenciamento ambiental em projetos de energias renováveis. Para ela, o licenciamento não só garante que os projetos sejam realizados de maneira responsável, mas também protege os recursos naturais, como o solo e a água. "Quando falamos de biodigestores, estamos tratando de uma atividade que tem potencial poluidor, por isso o licenciamento ambiental é fundamental. Avaliamos o gerenciamento de resíduos e o uso do digestato — o subproduto da biodigestão — para garantir que sua aplicação agrícola seja segura. Nossa principal preocupação é com a preservação dos recursos naturais, como o solo e a água, e o licenciamento garante que essas práticas sejam realizadas de forma responsável e sustentável.", afirma a profissional.

Débora Grimm, diretora técnica do Senar/PR, ressaltou o compromisso da instituição em promover o uso de energias renováveis, especialmente o biogás, como uma solução prática para o problema dos resíduos no campo. Ela destacou que o Senar vem incentivando os produtores a adotarem essas tecnologias como uma maneira de garantir a sustentabilidade e melhorar a rentabilidade das propriedades rurais.
"Há tempos o Senar trabalha com energias renováveis, principalmente com energia solar, mas agora estamos avançando na questão do biogás, pois entendemos que ele é uma solução viável e sustentável para os produtores que lidam com grande quantidade de resíduos. O biogás não só ajuda a resolver o problema ambiental, mas também gera economia e renda extra para o produtor. Nosso papel é levar esse conhecimento ao campo, mostrando que é possível transformar um passivo em ativo.", salienta a diretora.
Eduardo Gomes Medeiros, presidente do Sindicato Rural de Castro, destacou o impacto positivo do seminário para os produtores da região, reforçando que eventos como esse ajudam a ampliar o entendimento sobre o papel estratégico do biogás na agricultura moderna. Ele ressaltou que o uso de biodigestores está se tornando uma prática cada vez mais necessária para garantir a sustentabilidade do setor agropecuário.
"O seminário foi um marco para nossa região. Está claro que o futuro do agro passa pela sustentabilidade, e o biogás é uma ferramenta chave nesse processo. Estamos falando de uma nova forma de produzir energia e, ao mesmo tempo, de tratar resíduos que antes eram problema. Isso é um caminho sem volta. Os produtores que adotarem essas tecnologias terão vantagens competitivas, tanto no mercado interno quanto nas exportações. O apoio do governo, com o subsídio de juros, mostra que essa é uma prioridade para o estado. Agora é hora de os produtores se unirem e aproveitarem essa oportunidade."