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Os financistas e a inflação

Lições para o futuro: O que a história da inflação nos ensina sobre a economia brasileira

Por: Redação Fonte: Vinícius Brizola de Oliveira*
05/04/2024 às 07h19 Atualizada em 05/04/2024 às 09h07
Os financistas e a inflação
Vinícius Brizola de Oliveira

A história da inflação no Brasil é marcada por períodos de alta volatilidade de preços, principalmente nas décadas de 1980 e 1990. Durante esses períodos, a inflação atingiu níveis extremamente altos, chegando a taxas mensais de três dígitos em alguns momentos.

Mesmo assim - ou por conta disso - diversos financistas ganharam dinheiro durante esses períodos turbulentos de diversas maneiras:

Investimento em ativos reais: Alguns investidores aproveitaram os períodos de inflação alta para investir em ativos reais, como imóveis e commodities, que mantêm seu valor durante períodos de inflação.

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Especulação financeira: Outros financistas lucraram com a especulação financeira, aproveitando-se das flutuações extremas nos preços de ativos, como ações e moedas, para comprar na baixa e vender na alta.

Hedge contra a inflação: Alguns investidores utilizaram estratégias de hedge para proteger seus investimentos contra os efeitos da inflação, como investir em títulos indexados à inflação ou em ativos estrangeiros.

Operações de arbitragem: Durante períodos de alta inflação, as distorções de preços podem criar oportunidades de arbitragem, onde os financistas podem lucrar comprando ativos em um mercado onde os preços estão mais baixos e vendendo em outro mercado onde os preços estão mais altos.

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Essas são apenas algumas das maneiras pelas quais os financistas conseguiram ganhar dinheiro durante os períodos de inflação no Brasil. 

Recentemente, ouvi um grande empresário do varejo relatando como escalou muito seu negócio no período de inflação elevada no Brasil e, inclusive, no momento do confisco da poupança quando muitas empresas faliram. 

Outra grande personalidade do mundo das finanças, um banqueiro, contou também que o banco que fundou cresceu vertiginosamente no período da hiperinflação e que seu banco só faria sentido no Brasil naquela época.

O que estes dois personagens tem em comum é que eles aproveitaram as instabilidades recorrentes da economia brasileira e anteciparam movimentos de forma assertiva e recorrente.

“Obviamente, é importante ressaltar que a inflação elevada também traz consigo consequências negativas para a economia como um todo, afetando o poder de compra das pessoas e reduzindo o crescimento econômico.”

Por outro lado, é inegável o fato de que é possível enriquecer muito aproveitando as oscilações do mercado e até mesmo eventuais equívocos na condução da política econômica de um país.

Com o plano real a inflação foi definitivamente controlada e se mantém razoavelmente estável desde então. Apesar disso, muitos ainda acreditam que a inflação é sentida no bolso das famílias e seu poder de compra é afetado, principalmente, nas camadas mais baixas.

Enquanto muitos ganham dinheiro outros sofrem com os reflexos da instabilidade econômica. Devemos escolher de que lado queremos estar.

Economia e Agro
Economia e Agro
A Coluna Economia e Agro é escrita pelo economista Vinícius Brizola de Oliveira, atual Secretário da Fazenda do município de Piraí do Sul, nos Campos Gerais, que conhece o potencial econômico da região. Já trabalhou por mais de uma década no setor do agronegócio na área de finanças e, hoje, no setor público, complementa sua visão sobre as necessidades da região.
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