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Projeto Sementes Regenerativas prevê reinserção da palmeira Juçara em Florianópolis e doação de sementes para população Guarani M'bya

Realizado pelo Instituto Muhda, em parceria com a Agroindústria Familiar Barbacuá, com financiamento do Fundo Casa Socioambiental, o projeto implantará um sistema agroflorestal (SAF), em Florianópolis, para reinserir a espécie nativa, ameaçada de extinção, na Mata Atlântica catarinense

Por: Redação
06/12/2023 às 19h28
Projeto Sementes Regenerativas prevê reinserção da palmeira Juçara em Florianópolis e doação de sementes para população Guarani M'bya
Muda de palmeira Juçara, plantada no Parque Muhda, em Ribeirão da Ilha, em Florianópolis (SC). Crédito: Acervo Instituto Muhda

O Projeto Sementes Regenerativas, realizado pelo Instituto Muhda, em parceria com a Agroindústria Familiar Barbacuá, e financiado pelo Fundo Casa Socioambiental, implantará um sistema agroflorestal (SAF), no bairro Ribeirão da Ilha, para reinserir uma espécie nativa endêmica da Mata Atlântica, a palmeira Juçara. 

Como resultado esperado, o projeto prevê, já no primeiro ano, a doação de mais de um milhão de sementes para futuro plantio em terras indígenas Guarani M'bya, localizadas no norte de Santa Catarina, que já compõem a rede de parcerias e apoios do Instituto Muhda. 

A agrofloresta será implantada no Parque Muhda. Sede do Instituto Muhda, o Parque é uma área de 96.000m² (com aproximadamente 90% do espaço em Área de Preservação Permanente) e está localizado no Ribeirão da Ilha, bairro considerado Patrimônio Histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com mais de 80% do território inserido no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri.

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O Parque Muhda é um espaço de proteção da vegetação nativa e da biodiversidade da Mata Atlântica, mas é também um congregador dos elementos naturais, abastecendo as famílias vizinhas com a nascente existente no terreno, ampliando redes comunitárias horizontais de distribuição. 

O início das atividades foi em 25 de setembro de 2023. O sistema agroflorestal foi é desenhado como um modelo escalável, que retoma alimentos de base biodiversa e espécies com potencial tintorial para aplicação nas artes naturais, que estimula a prática florestal do bioma Mata Atlântica em conjunto com a valorização de hábitos e culturas tradicionais ancestrais, como o tingimento natural e o cultivo de plantas nativas. 

No Parque Muhda, conforme o fluxo estimado de turistas visitantes nos primeiros 12 meses, realizado pelo Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/USP), 15.000 turistas poderão, anualmente, circular pela agrofloresta e conhecer sobre o SAF, a Juçara e seu simbolismo cultural.

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Local de implantação de sistema agroflorestal (SAF), para plantação de palmeira Juçara, no Parque Muhda, em Ribeirão da Ilha, em Florianópolis (SC). Crédito: Acervo Instituto Muhda.

 

A palmeira Juçara
Por meio de seus frutos e sementes, a palmeira Juçara simboliza hábitos culturais de alimentação, artesanato e cosmovisão de povos tradicionais de diferentes territórios catarinenses. 
Na dimensão técnico-ambiental, o benefício do projeto passa pela otimização da cadeia produtiva de colheita, beneficiamento e ressignificação do resíduo agroindustrial, que passa a ser reutilizado como matéria-prima para práticas artísticas tradicionais, como o artesanato de povos ancestrais e originários. 
A implantação de um modelo agroflorestal de Juçara, com espécies de potencial tintório, gerará diversos benefícios transversais, seja pela regeneração de uma área degradada de encosta, como pelo cuidado com a qualidade da nascente local, que irriga as residências de populações ribeirinhas do entorno. 
O estímulo à geração de renda dos parceiros produtores e extrativistas de Juçara na região sul do Brasil também é outro benefício, assim como a doação de sementes e mudas para matéria-prima para a prática do artesanato Guarani e a manutenção da saúde das artesãs indígenas, ao utilizarem corantes naturais ao invés de material industrializado para a elaboração das tintas.
 
 

SOBRE O INSTITUTO MUHDA 
 
O Instituto Muhda é uma associação civil sem fins lucrativos sediada em Florianópolis (SC) que busca conquistar autonomias com resiliência e determinação, comungando sonhos e trabalhando em união. Enquanto movimento, os caminhos são orientados a partir de diretrizes que, como bússolas, norteiam as intenções do corpo coletivo do Muhda. São elas: soberania alimentar, saúde, educação, apoio às populações vulnerabilizadas, sustentabilidade e estímulo à arte e à cultura. 
Na organização do Instituto, uma rede integrada se esforça para catalisar mudanças transformadoras a favor da vida, liderando iniciativas socioambientais que promovem diversas formas de autonomia. No coração da entidade, está um quadro de colaboradores e parceiros adeptos, com um coletivo de especialistas que abrangem vários campos do conhecimento. Para cada projeto distinto, são selecionados profissionais cujas habilidades se harmonizam e se complementam, alimentando uma visão integrada de suporte e ação impactante nos territórios tocados.


SOBRE A AGROINDÚSTRIA FAMILIAR BARBACUÁ
 
A Agroindústria Familiar Barbacuá está localizada no município de Praia Grande (SC), e tem como filosofia é a regeneração da Mata Atlântica a partir da conservação da espécie de palmeira Juçara. O estímulo ao plantio das Juçaras promove uma economia circular na medida em que as mudas doadas aos pequenos agricultores permitem o fornecimento de posteriores frutos às famílias produtoras de açaí. Já a presença da Juçara nas áreas agroflorestais permite a disponibilidade de alimentos para animais e humanos, contribuindo para um ecossistema equilibrado. 
Em 7 anos de história, o movimento Barbacuá já beneficiou mais de 30 toneladas de frutos e distribuiu 10 milhões de sementes. Cerca de 50 famílias de agricultores foram impactadas durante esse período. A atuação desta rede também se dá pela educação ambiental, no desenvolvimento de práticas e oficinas de conscientização sobre a importância ecológica da palmeira Juçara, o desenvolvimento sustentável, a soberania alimentar e o empreendedorismo agroecológico. Hoje, a rede Barbacuá já integra os municípios de Praia Grande, Mampituba, Morro Grande e Jacinto Machado, em Santa Catarina, além de Itati e Maquiné, no Rio Grande do Sul.


SOBRE O FUNDO CASA SOCIOAMBIENTAL
 
O Fundo Casa Socioambiental é uma organização que busca promover a conservação e a sustentabilidade ambiental, a democracia, o respeito aos direitos socioambientais e a justiça social por meio do apoio financeiro e fortalecimento de capacidades de iniciativas da sociedade civil na América do Sul. 
Para isso, desenvolvemos uma poderosa rede de apoio a pequenas iniciativas da sociedade civil. Uma rede que mobiliza recursos, fornece suporte e fortalece as suas capacidades, garantindo uma autonomia cada vez maior para esses grupos, que estão espalhados por toda a América do Sul. Acreditamos que a transformação parte da escuta, e por isso ouvimos os verdadeiros protagonistas de cada causa que abraçamos: aqueles que têm suas vidas diretamente afetadas por qualquer alteração no território que ocupam

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