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Produtores de urucum no noroeste do Paraná projetam safra recorde e buscam IG

Em Paranacity e em Cruzeiro do Sul, expectativa é de colher até 1.500 quilos de sementes por hectare. Produtores se organizam para buscar a Indicação Geográfica (IG)

Por: Redação
13/06/2023 às 16h08
Produtores de urucum no noroeste do Paraná projetam safra recorde e buscam IG
Propriedade em Paranacity. Foto: Neri9

Quem planta urucum em Paranacity e em Cruzeiro do Sul, no noroeste do Paraná, está feliz da vida. As condições climáticas somadas aos cuidados no manejo favoreceram a cultura, que promete safra recorde este ano. Os produtores esperam colher até 1.500 quilos da semente por hectare, produção que nos dois últimos anos girou em torno de 500 quilos.

O urucuzeiro é de origem amazônica e se adaptou bem nos municípios do noroeste do Paraná, onde foi introduzido na década de 1980. Seus frutos são cápsulas de espinhos maleáveis onde ficam as sementes, cujo pigmento avermelhado é usado na culinária como condimento conhecido como colorau e como corante em diversas indústrias, a exemplo das alimentícias, têxteis, cosméticas, químicas e outras.

Atualmente, a maioria dos agricultores planta a variedade piave tradicional, árvore de maior porte, e a piave anão que, por ser mais baixa, facilita a colheita. Jair May, que cultiva o fruto desde 1993, planta os dois tipos em uma área de cerca de sete hectares. Ele começou a colher a piave anão e começará a piave tradicional na metade de julho.

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“Este ano está excelente. Vamos colher em torno de 1.500 quilos de semente por hectare. Nos anos anteriores tivemos seca, mas neste ano tudo foi favorável. O preço também está bom, na média de 15 reais o quilo da semente. É uma renda que apoia nossa família o ano todo”, diz May, que também cria vacas de leite.

O urucuzeiro produz uma vez por ano. A colheita começa em março com algumas produções precoces, tem seu auge em junho e julho e termina em setembro.

José Carlos Gusman aprendeu a cultivar o urucum com pai e, hoje, comanda a produção da família, em uma área de cinco hectares. Pela facilidade na hora da colheita, prioriza a variedade piave anão, mas também possui pés de piave tradicional. Ele torce para que o preço se mantenha até o fim da safra.

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“Estamos produzindo bastante, choveu na hora certa, não tivemos nem muita chuva nem muito sol. Colhi um pouco em março e nas próximas semanas começo a colheita maior. Esperamos que o preço não siga o embalo das commodities, em queda. De qualquer forma, pela produção que tivemos, este será um ano satisfatório”, comenta Gusman, que também trabalha com pecuária leiteira.

Gusman ressalta que o urucum é uma boa opção para o agricultor familiar a garante a permanência das famílias no campo.

“São áreas de no máximo dez hectares. Isso inviabiliza maquinário grande de soja e de milho. Por outro lado, nosso solo é arenoso, temos muita luminosidade, calor adequado para produzir urucum e a colheita é semimecanizada”, detalha Gusman.

A produção geral será estimada pelos municípios em outubro, após o término da safra.

“Dependendo dos tratos culturais e das condições do clima, os produtores vão colher de 800 a 1.500 quilos de semente por hectare, o que é bastante. Nos últimos dois anos, tivemos seca e o pessoal não investiu tanto em adubação. Como o preço está atrativo, estão investindo. As lavouras estão bem viçosas”, analisa o agrônomo da prefeitura de Paranacity, André Luiz Moron.

Valorização com a IG

Os produtores têm trabalhado, desde 2022, para conquistar a Indicação Geográfica (IG) para o urucum. Segundo Moron, esse movimento tem provocado melhorias no manejo. 

“O pessoal está substituindo lavouras antigas por novas, investindo em cultivares mais produtivos, em mais adubação”, observa Moron.

Sob o signo distintivo “Urucum de Paranacity”, os produtores de Paranacity, a capital do urucum do Paraná, e de Cruzeiro do Sul, estão mobilizados para conquistar a primeira IG do Brasil para o urucum. O grupo está prestes a protocolar a solicitação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão que concede o reconhecimento.

A intenção é elevar a competitividade do produto com a obtenção da IG por Indicação de Procedência (IP). Os municípios são conhecidos pelo cultivo do urucum, concentrando 600 hectares de urucuzeiros. Os pés entregam sementes com alto teor de bixina, o pigmento avermelhado das sementes. Produções comuns possuem até 3% de bixina, enquanto na região composta por Paranacity e Cruzeiro do Sul, o teor da substância chega a 6%. 

O trabalho pelo reconhecimento vem sendo realizado pelos produtores junto às prefeituras de Paranacity e de Cruzeiro do Sul, ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e ao Sebrae/PR.

“O Sebrae dá muita importância aos movimentos pela conquista da Indicação Geográfica porque o reconhecimento agrega valor aos produtos, ajuda a fortalecer a agricultura familiar, melhora a renda dos produtores e, por consequência, provoca desenvolvimento local e regional. A IG reposiciona a localidade como referência e abre um caminho de prosperidade”, comenta o consultor do Sebrae/PR, Luiz Carlos da Silva.  

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