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1º Congresso Abramilho: painelistas debatem cenário político, segurança alimentar, inovação e infraestrutura

Autoridades e especialistas para discutirem as perspectivas e os principais desafios da produção de milho no Brasil

Por: Redação
19/05/2023 às 18h01
1º Congresso Abramilho: painelistas debatem cenário político, segurança alimentar, inovação e infraestrutura
O evento contou com a participação de diversos representantes do setor, que debateram a cadeia produtiva em 10 painéis temáticos ao longo do dia.

O 1º Congresso Abramilho, realizado no dia 17 de maio, em Brasília, reuniu autoridades e especialistas para discutirem as perspectivas e os principais desafios da produção de milho no Brasil. O evento contou com a participação de diversos representantes do setor, que debateram a cadeia produtiva em 10 painéis temáticos ao longo do dia.

No período da manhã, os debates giraram em torno do cenário político pós-eleições; dos desafios a serem superados para a garantia da segurança alimentar; da implantação de novas tecnologias como aliadas de produção e dos problemas de infraestrutura que o país enfrenta.

Durante o painel “Cenário político pós-eleições”, o jornalista José Maria Trindade ressaltou a necessidade de comunicação e negociação entre o setor e o governo, abordando desafios como tributos, logística, infraestrutura, transporte, custo de produção e desperdícios.

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“Os principais desafios passam pelo governo. O setor é independente, mas é importante negociar com o governo, exigir um retorno”, explicou.  

Trindade disse que a reputação do setor depende da conscientização política e da comunicação. “A política é uma força que move e que, naturalmente, vai definir o futuro. Essa importância do agro tem que ser traduzida em força na sociedade”, explicou.

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Milho brasileiro é referência internacional, mas ainda tem desafios a superar

Seguindo os debates, o painel “Segurança Alimentar: os desafios do abastecimento interno versus externo” contou com a participação do superintende da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Thomé Guth; do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin; do presidente da União Nacional do Etanol de Milho, Guilherme Nolasco e do jornalista Rafael Walendorff como mediador.

Thomé Guth abriu o painel apresentando dados atualizados da Conab sobre o panorama do milho no país. O Brasil vive um momento de grande consolidação no mercado de exportações, com previsão de 48 milhões de toneladas exportadas em 2023, quase alcançado os Estados Unidos — atualmente, o maior exportador do grão. Já no mercado interno, Guth falou dos dois setores que consomem boa parte do grão produzido, o de proteína animal e o de energia.

O superintendente falou ainda dos desafios que precisam ser superados para que o agro brasileiro continue garantindo a segurança alimentar, como as questões de logística, armazenamento e a falta de inteligência de mercado.

Ricardo Santin reforçou o papel do setor de proteína animal como grande impulsionador do mercado interno de milho e apontou para a necessidade de estabilidade na produção brasileira, de contratos de vendas antecipadas e de segurança no mercado.

O presidente da UNEM, Guilherme Nolasco, falou sobre o setor do etanol de milho e seus desafios, incluindo a volatilidade de preços e a busca por segurança jurídica, de mercado e tributária.

Nolasco ressaltou a importância de produtores capacitados no Brasil para que haja mais investimento no campo e, consequentemente, aumento na produção. “Queremos produtores fortes. A área plantada cresceu mais de 50% na segunda safra nos últimos seis anos. A janela de plantio é pequena e o produtor estruturado tem como se preparar para aproveitar essa janela e crescer ainda mais a sua plantação”.

Produtores devem se aliar às novas tecnologias para aumento de produção e redução de custos

O terceiro painel do evento teve como tema “Inovação: soluções para alta produtividade”. Os convidados para o debate foram o diretor de marketing de sementes da Bayer, Luiz Marcio Bernardes e o presidente da Associação de Produtores de Soja do Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), André Dobashi. O painel foi mediado por Cassiano Ribeiro, editor-chefe do Globo Rural.

Bernardes destacou a necessidade de inovação na agricultura para enfrentar os desafios crescentes da produção de alimentos. Ele enfatizou que a agricultura digital desempenha um papel fundamental nesse contexto, permitindo uma gestão mais eficiente das operações agrícolas e a tomada de decisões baseadas em dados precisos.

O diretor mencionou que a Bayer está investindo em tecnologias avançadas para impulsionar a produtividade e a sustentabilidade no setor agrícola. Estas soluções digitais permitem monitorar as condições do solo, a saúde das plantas e o clima, proporcionando informações em tempo real que ajudam os agricultores a otimizar o uso de recursos, como água, fertilizantes e defensivos agrícolas.

Durante o debate, André Dobashi, compartilhou exemplos concretos de como a inovação tem impulsionado a produtividade no campo. “A inovação é um apoio para que a gente opere com tecnologia e capricho para incremento da produção.” Ele destacou que a agricultura digital tem permitido um manejo mais preciso das culturas, resultando em maior eficiência na utilização dos insumos e redução dos impactos ambientais. Dobashi enfatizou a importância de incentivar a adoção dessas tecnologias pelos agricultores, tornando-as acessíveis e adaptáveis à realidade de cada região.

Armazenagem não cresce no ritmo do crescimento da produção brasileira e ainda é um grande gargalo no país

Para encerrar os debates do período da manhã, o painel “Infraestrutura: o principal gargalo para o crescimento do milho no brasil” trouxe o diretor da Abramilho, Paulo Bertolini; o secretário da Câmara Temática de Infraestrutura do Ministério da Agricultura, Carlos Alberto Bastos; o vice-presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber e a coordenadora de assuntos estratégicos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Elisangela Pereira Lopes. Desta vez, a mesa contou com a mediação do repórter da Folha de São Paulo, Mauro Zafalon. Ainda vistos como grandes problemas a serem superados, a falta de armazenagem e de logística no país foram os temas centrais no debate. 

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, ressaltou que o custo logístico do milho é alto e que a capacidade estática de armazenagem não acompanha o crescimento da produção brasileira. Bertolini lembrou ainda que estes são problemas antigos para os produtores. “O nosso desafio é entender cada aspecto dessas duas questões e buscar formas de reverter esse quadro. A falta de armazenagem é um fator que já está contribuindo para a redução do crescimento da produção.”

Lucas Beber, vice-presidente da Aprosoja-MT, disse que além de ajudar o produtor a equilibrar a precificação do seu produto, evitando oscilações mais fortes nos valores praticados, o armazenamento é uma questão de segurança alimentar, bem como de soberania nacional.

Segundo ele, Mato Grosso deve produzir aproximadamente 90 milhões de toneladas de grãos em 2023, e o déficit de armazenamento estático do estado é de 62 milhões de toneladas. “Isso faz com que os produtores tenham que vender na hora errada, diminuindo o preço do grão, trazendo outro reflexo negativo: o aumento do custo do frete, além de saturar as rodovias com caminhões para escoar a produção, colocando motoristas e passageiros de veículos menores em risco e causando maior desgaste às rodovias”. Beber ressaltou ainda a necessidade de investimento para a construção de ferrovias no país.

A representante da CNA, Elisangela Lopes, chamou a logística de “o grande vilão do agronegócio brasileiro” em termos de custos. Ela comparou o custo de transporte no Brasil com o de concorrentes, como Argentina e Estados Unidos, e ressaltou a necessidade de integração de diferentes modos de transporte para reduzir as despesas. Elisangela mencionou a importância dos rios brasileiros como uma possível solução logística e enfatizou a necessidade de uma política de estado consistente para garantir a continuidade das boas práticas.

Carlos Alberto Bastos, do Mapa, apontou que a agricultura no Brasil se desenvolveu antes da logística adequada, e falou da importância de ajustar a infraestrutura, especialmente no que diz respeito a ferrovias e armazenagem. “Espero que o Ministério da Agricultura possa oferecer condições para que o milho e o agro cresçam ainda mais”, concluiu.

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