
O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro-PR/SC) e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR), filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), realizaram na quarta-feira (19), às 7h, uma manifestação em frente à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobrás no Paraná (Fafen-PR), em Araucária, pela reabertura da unidade e recontratação dos cerca de mil demitidos, entre trabalhadores próprios e terceirizados.
Fechada em março de 2020, a Fafen-PR, que operava desde 1982 e entrou no plano de desinvestimento da Petrobrás em 2019, era responsável pela produção de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia e de 65% do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas.
O Brasil é o quarto maior produtor de grãos do mundo e o segundo maior exportador, o que implica grande demanda de fertilizantes. “Hoje, 85% desses insumos são comprados no mercado internacional. Perdemos ativos importantes no governo anterior, agora precisamos reconstruir o que foi destruído nos últimos anos. A reabertura da Fafen-PR é de suma importância para essa reconstrução”, observa Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.
Gerson Castellano, petroquímico e diretor de relações internacionais da Federação, lembra que a FUP, desde 2015, fala sobre o risco de o Brasil ficar na dependência externa. “A Petrobrás arrendou a Fafen da Bahia e do Sergipe para a Unigel, que vem priorizando exportações de amônia para produzir ureia no país. A produção de fertilizantes é estratégica. Comer é algo que independe de crenças. Quando falamos de agricultura, estamos falando de uma questão de segurança nacional. A questão alimentar extrapola ideologias”, ressalta Castellano.
A saída definitiva da Petrobrás do setor de fertilizantes foi anunciada pelo governo Bolsonaro em 2019, levando o Brasil a aumentar sua dependência de importação para suprir o mercado doméstico, enquanto suas unidades de fertilizantes permanecem desativadas.
A manifestação desta quarta-feira contará com a participação de petroleiros, petroquímicos, trabalhadores rurais e lideranças políticas e sindicais.