
A ExpoLondrina foi palco do II Seminário Regional de Energias Renováveis – O Futuro do Agro e as Energias Renováveis, no Recinto Horácio Sabino Coimbra. O evento promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) teve a participação do presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El Kadre, e do secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara.
O presidente da SRP reforçou que o produtor rural paranaense sabe produzir muito bem. “Temos o apoio do Estado e uma pluralidade de ações para que o produtor seja mais competente e produtivo. Que o Brasil copie o exemplo do Paraná porque o que fazemos bem é distribuir conhecimento”, disse.
“Os tempos são outros e a energia elétrica passou a ser um insumo muito importante, tal qual semente e adubo. Não cabe mais aos produtores focarem no uso de geradores, que gastam muito e geram muitos poluentes, quando temos condição de produzir no sítio uma energia mais estável, que nos dá a possibilidade de baixar custo e melhorar a renda”, declarou o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara.
Segundo ele, hoje, já temos 17 mil ligações de placas solares no Paraná, mas continuamos ineficientes porque geramos muitos dejetos que são desperdiçados e até prejudicam o meio ambiente. “A gente precisa acelerar o passo para gerar biogás e hidrogênio verde, que é uma das energias do futuro.”
“Nós vamos fazer um esforço para aqueles produtores que ainda não despertaram para a energia fotovoltaica e vamos dar uma força para aproveitamento de dejetos para fazer biogás. Essa é a nossa virada de chave em 2023, para a gente ser racional: usarmos o que temos em abundância para virar energia que nós mesmos usamos”, completou Ortigara.
Durante o seminário foram apresentados os resultados do Programa Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR), que apoia a geração distribuída de energia elétrica a partir de fontes renováveis, em especial biomassa e solar, em unidades produtivas rurais paranaenses. Foram compartilhados três casos de sucesso entre produtores que aderiram ao programa e o projeto Three Energy, da empresa P3 Solar Energy, de construção de miniusinas fotovoltaicas no campo.
Entre os objetivos do RenovaPR estão estimular a produção própria de energia nas propriedades rurais para reduzir custo e ampliar a competitividade de produtos agrícolas e agroindustriais do Paraná, além de estimular a expansão das cadeias produtivas já existentes e o surgimento de novas, fomentando as economias locais por meio da geração de trabalho e renda.
O RenovaPR também pretende promover a adequação ambiental das unidades produtivas com tratamento e correta destinação dos dejetos e criar no Paraná uma cadeia produtiva do biogás e biometano que estimule negócios e atraia investimentos.
Segundo Antonio Ricardo Milgioransa, da Unidade Técnica Estadual de Energias Renováveis do IDR-Paraná, o RenovaPR teve início em 1 de agosto de 2021 e em 19 meses já disponibilizou R$ 200 milhões em recursos para os agricultores investirem na produção de energia limpa.
Ele disse que o decreto federal que dá subsídio à energia rural termina este ano, e, por isso, o RenovaPR surge como alternativa para produtores paranaenses evitarem o alto custo de produção e a perda de competitividade, pois, além de produzirem energia para a propriedade, eles podem produzir para o mercado.
Milgioransa citou que o agronegócio consegue produzir sua própria energia, seja ela biogás, solar, eólica ou com pequenas turbinas hidráulicas. “O RenovaPR quer ampliar a oferta de energia para todos os produtores rurais, cooperativas e agroindústrias por meio da geração própria ligada em geração distribuída.”
Ele reforçou que a energia fotovoltaica excedente compensa em geração distribuída para uso oportuno. “Hoje o Paraná oferta crédito rural incentivado com 3% de subvenção de taxas de juros pelo Banco do Agricultor Paranaense para o Plano Safra ou linhas diversas de recursos próprios dos bancos para investimento em energia sustentável.”
Milgioransa explicou que o foco do RenovaPR também é o futuro, promovendo geração de energia térmica, elétrica e de combustível para o autoconsumo e venda a terceiros. “Foram 5,7 mil projetos acatados pelo IDR-Paraná no valor de R$ 1,07 bilhão em 19 meses de RenovaPR, totalizando 604 empresas prestadoras de serviços em energia solar e 19 em biogás e biometano”, calculou.
Meta do RenovaPR foi superada em 40%
O técnico do IDR-Paraná comemorou que a meta inicial de chegar a 12,6 mil propriedades rurais com o RenovaPR foi superada, já que os últimos dados apontam 17.439 propriedades ligadas à geração distribuída. “No início do programa eram cerca de 200, portanto, um aumento de mais de 40% acima da meta estipulada. Hoje, a cada produtor subsidiado pelo RenovaPR, outros dois produtores paranaenses investiram em produção de energia por conta própria”, disse Milgioransa.
Segundo ele, desde agosto de 2021 até agora, o Estado investiu R$ 3,323 bilhões no programa, gerando empregos e reduzindo custos em mais de 90% para os agricultores paranaenses, melhorando a renda líquida na propriedade.
“O investimento se paga dentro do prazo da linha de crédito e tem alta viabilidade econômica e financeira, já que a remuneração, ao preço atual da energia, equivale a IPCA +15% ao ano”, pontuou Milgioransa.
De acordo com ele, a meta do RenovaPR até 2030 é ter 100 mil propriedades rurais com geração própria de energia, com um capital investido de até R$ 20 bilhões, atendendo ao item sete da lista de Objetivos Sustentáveis (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que fala sobre energia limpa e acessível.
O engenheiro agrônomo Paulo Mrtvi, do IDR-Paraná, destacou que os desafios do RenovaPR para a mesorregião Norte, que engloba os municípios de Londrina, Ivaiporã, Apucarana, Cornélio Procópio e Santo Antônio da Platina, passam por manter os jovens no campo, promovendo a sucessão familiar, além de garantir o aumento da produtividade e renda com valor agregado, produto mais limpo, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar e nutricional.
Produtores contam seus casos de sucesso
Durante o seminário, o horticultor Eliel dos Santos Silva, de Londrina, apresentou os resultados da economia de energia que conseguiu em sua propriedade após investir na instalação de um sistema fotovoltaico.
“Eu não acreditava, mas o Paulo Mrtvi (do IDR-Paraná) fez o projeto. Eu sugeri que as placas fossem colocadas na garagem, onde hoje eu guardo meu maquinário, e a economia foi muito grande, fiquei surpreso”, comentou Silva, ressaltando que muitas modificações que ele fez na propriedade de 7 hectares foram incentivadas pelos técnicos do IDR-Paraná.
Ele comentou que costumava pagar uma conta de até R$ 4 mil mensais para manter a câmara fria e estufa funcionando 24 horas e hoje paga R$ 70 por mês. “Agora vou começar um consórcio para comprar uma casa no litoral”, brinca.
Segundo Paulo Mrtvi, o horticultor investiu R$ 182,3 mil nas placas fotovoltaicas e o investimento deve se pagar em dez anos, gerando uma economia de energia de R$ 18.505.
Diego Pissinati, do IDR-Paraná, apresentou outros dois exemplos de produtores que experimentaram economia no gasto com energia ao aderir ao RenovaPR: o avicultor Roberto Linares Lopes, de Sertanópolis, conseguiu zerar a conta de energia em alguns meses, após investir R$ 183.750 na implantação de placas fotovoltaicas pelo Pronaf.
“Com a economia gerada até agora, ele deve pagar o empréstimo de dez anos em 5,5 anos”, calcula Pissinati, contando que o avicultor Juvaldir Olimpio, de Primeiro de Maio, investiu R$ 120 mil nas placas fotovoltaicas e já economizou R$ 21.475. “Ele deve pagar o investimento em 5 anos e 10 meses e sua conta mensal de energia passou de uma média de R$ 1,9 mil para R$ 60 mensais”, informou o técnico.
Miniusina fotovoltaica rentabiliza pequenas propriedades
Rafael Prochet apresentou o projeto Three Energy, da P3 Solar Energy, que prevê a geração de renda para o agricultor familiar a partir da energia produzida por uma miniusina fotovoltaica instalada na propriedade.
“Nosso projeto é voltado para a produção e uso de energia solar, com a implantação de usinas fotovoltaicas no modelo de microgeração de energia até 75 KW, com a utilização de 2 mil metros quadrados de área de pequenas propriedades rurais. Este projeto promove a inclusão social, a sustentabilidade e o aumento de rentabilidade para pequenos produtores”, explicou Prochet.
Conforme ele, além da usina fotovoltaica, a empresa leva internet para as propriedades rurais. Além disso, o projeto aumenta a renda das famílias, por meio do arrendamento de pequenas áreas ou implantação de usina própria. “O produtor não precisa se preocupar: a empresa é responsável pelo desenvolvimento da área, implantação da usina e gestão da energia”, reforçou.
Ainda segundo Prochet, com o arrendamento de 2 mil metros quadrados pelo valor de R$ 600 por mês, por exemplo, a receita do pequeno produtor melhora em até 30%. “Numa mesma área de 2 mil metros quadrados, a soja rende uma receita anual aproximada de R$ 1.875, enquanto a receita anual aproximada com a usina de 35 KWP pode chegar a R$ 23.925,16”, compara.