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Ornitologia: criar aves é prazer que cresce nos domicílios do Brasil

Números significativos comprovam como a atividade vem conquistando brasileiros e mexendo com setores como a economia e a saúde mental

Por: Redação Fonte: Fob
29/03/2023 às 18h23
Ornitologia: criar aves é prazer que cresce nos domicílios do Brasil
Segundo os dados, a população PET brasileira é de 146,9 milhões de animais nas residências brasileiras. Desse total, as aves canoras são a segunda categoria mais populosa do ranking do Censo PET, correspondendo a 41 milhões.

A domesticação de animais foi um processo histórico que demorou, mais ou menos, 30 mil anos, segundo acreditam muitos historiadores e cientistas do mundo PET.

Segundo consta, a domesticação começou no período Neolítico. Do latim “domus”, que significa casa, até seu desdobramento, “domesticus” – trazer para a casa, o ser humano se acostumou com a presença de animais de diversas raças em seu lar (desde as mais inóspitas moradias até as pós-modernistas construções em que moramos atualmente).

Mas criar animais em casa é algo que supera apenas a “domesticação” e vai além das raízes que o significado literal guarda em si: é uma espécie de acordo entre homem e natureza que demanda diversas responsabilidades.

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Se, de um lado, o retorno é o amor incondicional, de outro, exige-se respeito, responsabilidade para com a vida de um ser senciente e, ademais, cuidados básicos com a saúde e nutrição.

Além disso tudo, a recompensa é o prazer: atualmente, diversos estudos atestam que criar traz inúmeros benefícios para a saúde mental.

A pandemia de covid-19 está aí para provar. O último estudo relacionado ao assunto a que se tem notícia, foi publicado pela revista “PLoS Oneuma”.

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A pesquisa revelou que ter um PET em casa foi uma das soluções mais buscadas pelas pessoas que tiveram de se confinar para combater a depressão, a solidão, ansiedade, dentre outros males mentais que atingiram a população nestes últimos anos de infecção pelo coronavírus.

Uma prova disto foi o “boom” registrado pelo Censo PET do Instituto Pet Brasil, de 2022 (com base nos dados de 2021) em relação à ornitologia.

Segundo os dados, a população PET brasileira é de 146,9 milhões de animais nas residências brasileiras. Desse total, as aves canoras são a segunda categoria mais populosa do ranking do Censo PET, correspondendo a 41 milhões.

São centenas de milhares de criadores espalhados por todo o país. Muitos deles, criam há tempos pela experiência familiar, que definiu os primeiros contatos com as aves PETs desde a infância.

Outros, recorreram às aves porque são “bichinhos” que cabem dentro de um espaço mais reduzido, como apartamentos.

“A ornitologia tem crescido muito nos últimos anos e, principalmente, durante a pandemia, quando as pessoas precisavam de companhia em suas casas. Criar faz bem para si e para as aves também, afinal, muitas espécies são salvas por esses criadores já que são garantidos os direitos de reprodução, saúde e bem-estar das aves por diversas gerações”, explica Mário Henrique Simões, presidente da Federação Ornitológica do Brasil (FOB).

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Ornitologia por regiões

A entidade reúne algo próximo de 9 mil criadores em 230 clubes ornitológicos associados diretamente.

“Essas associações são, hoje, a melhor forma de organizar o setor criador, amador, comercial ou competitivo, para difundir informações e orientações, garantindo uma posse responsável das aves”, aponta Simões.

Segundo dados do Censo PET, a população PET está mais presente na região de São Paulo, correspondendo a 24%; Minas Gerais é a segunda, com 13,1%; Rio de Janeiro 9,2%; e Bahia, 9%. O restante está dividido na região Sul e Centro-Oeste, que também corresponde a um importante polo do criatório nacional.

 Mercado em crescimento

Esse panorama tem interferido positivamente no mercado do setor, estimulando o crescimento de criadouros e estabelecimentos de PET FOOD para aves. De 2020 para 2021, a categoria cresceu 9,9%, com mais de 9 mil estabelecimentos em todo o Brasil, segundo levantamento do IPB.

Em crescente expansão, o mercado PET faturou R$ 51,7 milhões em 2021, obtendo uma alta de 27% em relação ao que foi registrado em 2020 (R$ 40,9 mi).

Ressalta-se, ainda, que de 2014 a 2019 foram observados pontos de desaceleração no crescimento do setor – que sofreu uma reviravolta a partir de 2020.

Esse mercado engloba, além do PET FOOD, o setor de produtos, serviços e comércio de animais de estimação.

O presidente da Megazoo, Luiz Fernando dos Reis Albuquerque, condiciona esse crescimento à expansão também de criadores de aves, que vem vertiginosamente crescendo.

“O crescimento é uma forma natural e orgânica do nosso segmento – tendo em vista que, o Brasileiro culturalmente adora criações e com as novas tecnologias e alimentos, além da facilidade no manejo, facilitou a entrada de novos criadores. Muitos obtém sucesso e, além da satisfação, muitas famílias têm uma renda extra com a criação de animais”, afirmou.

A Megazoo é uma empresa do setor de PET FOOD, pioneira no Brasil na produção de alimentos premium e superpremium para aves e outros animais.

Além disso, em 2021, este foi o setor que mais gerou empregos (tanto formal quanto informal), com 2,9 milhões de postos de trabalho criados. Desse total, os criatórios são o setor que mais gerou empregos, com 2,4 milhões de postos criados.

Pesquisa

A FOB e a Universidade Federal de Lavras (UFLA) são pioneiras no incentivo e investimento em pesquisa científica para a criação de aves exóticas e em ambiente doméstico. Desde o início de 2022, mantém um Canaril Experimental com casais de canários de cor sem fator para o desenvolvimento de estudos de graduação e pós graduação no Departamento de Veterinária da universidade.

Os estudos são desenvolvidos nas áreas de nutrição, saúde, bem-estar e reprodução e terão aspecto decisivo na busca de resultados científicos para apoiar a criação, como afirma o professor associado do Departamento de Medicina Veterinária da Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária da UFLA, dr. Juliano Vogas Peixoto.

“Por meio dessa parceria, estudaremos vários aspectos que estão relacionados a produtos de origem natural (fitoquímicos) para estabelecer comprovação científica ou apenas se pertencem à crença popular”, afirma.

 

O docente também ressalta a importância de se criar profissionais capacitados para auxiliar o universo ornitológico brasileiro. “Aproximar a FOB e a UFLA vai permitir a formação de veterinários capacitados para atuar nas consultorias de canaris e da criação de aves em ambiente doméstico. Sabemos que há uma grande lacuna a ser preenchida no setor”, finaliza.

 

Criar é preservar

Um aspecto fundamental da ornitologia é o benefício da conservação das espécies que a atividade traz consigo.

O criador, proporcionando alimentação adequada, controle sanitário e bem-estar a seu plantel garante a reprodução das espécies que cria.

Existem alguns projetos de conservação que devem ser mencionados, como  o Plano de Ação Nacional para Conservação da Ararinha-Azul, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.

Em junho de 2022, oito ararinhas-azuis foram soltas na natureza em uma área de preservação ambiental no município de Curaçá, interior da Bahia. A iniciativa, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a ONG ACTP e instituições privadas que apoiaram o projeto.

O diretor de Psitacídios da FOB, Andrey Naves, participou do projeto. Para Andrey Naves, o projeto comprovou o benefício que a criação ex-situ proporciona à sustentabilidade ambiental. As araras passaram por um processo de adaptação em viveiros para serem lançadas na natureza.

“Isso só foi possível graças ao trabalho dos criadores. Esse é o maior exemplo do que nossa atividade pode fazer pelo meio ambiente, o que nos enche de orgulho e esperança”. afirmou o diretor.

As aves (cinco fêmeas e três machos) fazem parte de um grupo de 52 trazidas da Alemanha e da Bélgica para o Brasil, em 2020.

Uso para terapia e melhora da qualidade de vida

As aves têm sido também grandes auxiliares de terapeutas para a busca do reequilíbrio emocional e tratamento dos transtornos mentais. Esses PETs de penas também têm papel fundamental na melhora comportamental para pessoas de quaisquer idades, principalmente para pessoas autistas.

A Zooterapia é uma técnica que tem sido muito difundida na atualidade e alcançado resultados expressivos.

Um grande exemplo desses benefícios é a Fundação ZOOFOZ, organização não-governamental que atua com projetos de educação ambiental e realiza atendimentos de Zooterapia para crianças com autismo.

São 400 atendimentos por mês e ninguém melhor para atestar a funcionalidade da terapia assistida por animais a pacientes humanos do que o fundador Eduardo Foz, e a psicóloga e diretora Ana Paula Souza.

Segundo eles, este tipo de terapia em pacientes que apresentam TEA, paralisia cerebral, transtorno de hiperatividade, síndrome de down, depressão, ansiedade, dentre outros transtornos, demonstra excelentes resultados como auxiliar no tratamento destes pacientes.

O ZOOFOZ reúne mais de 100 animais para esse tratamento com espécies distintas, dentro das quais 50 são aves.

“Criar uma ave ou qualquer outro PET traz muitos benefícios: eles têm atuado como verdadeiros salvadores quando a questão é o combate à depressão, principalmente durante a pandemia. Sei de casos que os bichinhos de estimação salvaram pessoas até do suicídio. Eles têm o poder de tornar o ambiente mais acolhedor, geram bem-estar para quem convive e isso serve para todas as idades”, explica Ana Paula.

Segundo Eduardo Foz, ter um PET é criar um vínculo afetivo muito profundo. “Ele faz parte da família, passa a ser membro dela. Estabelecemos uma conexão de amor verdadeiro com as aves”, aponta.

O ZOOFOZ têm, entre as aves, espécies como araras, papagaios, tucanos, canários, galinha polonesa, diamante gould e mandarim, flamingo e outras.

 

Benefícios da ZOOTERAPIA

(E da criação como forma geral)

·         Promove a interação e o desenvolvimento das relações sociais

·         Traz novos estímulos sensoriais motores

·         Reduz estresse e ansiedade

·          Melhora a autoestima e traz a sensação de segurança

·         Aumenta a produção de endorfina, promovendo o bem-estar e alegria

 

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