Sexta, 14 de Agosto de 2020
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Cultura Cavalgada da fé

O encantador de cavalos, Bruxo dos Potros cavalga da Fronteira a Padroeira

Bruxo dos Potros saiu de Santa Vitória do Palmar (RS) e segue até o Santuário Nossa Aparecida, o propósito da viagem é o agradecimento de uma graça alcançada e reviver o tropeirismo.. Ele segue sozinho o trajeto acompanhado de 4 cavalos e dois cachorros e faz parada quando é acolhido ao longo do caminho.

27/07/2020 16h27 Atualizada há 1 semana
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Por: Redação Fonte: Reportagem: Toninho Anhaia
O Bruxo dos Potros fez o propósito de cavalgar deste Santa Vitória do Palmar (RS) e segue até o Santuário Nossa Aparecida. Fotos Toninho Anhaia
O Bruxo dos Potros fez o propósito de cavalgar deste Santa Vitória do Palmar (RS) e segue até o Santuário Nossa Aparecida. Fotos Toninho Anhaia

A primeira vista ele lembra um personagem saído do livro “O Tempo e o Vento” do escritor Érico Veríssimo, um romance que conta uma parte da história do Sul do Brasil, mais precisamente do Rio Grande do Sul entre os anos de 1745 a 1945. O Ronival Ferreira, conhecido por Bruxo dos Potros, recorda o personagem do livro o índio Pedro Missioneiro. 

Ronival se apresenta com um lenço branco que prende os cabelos, uma pala vermelho, uma bombacha verde e pés descalços. Ele balbucia uma reza, ou melhor, um mantra que encanta os cavalos xucros e faz com eles o que deseja. Tudo isso sem usar de agressividade, mas de comandos com as mãos e um olhar firme aos olhos do animal.

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Como tudo isso começou?

Ronival Ferreira é natural de Jaguariaíva no Paraná, neto de tropeiro natural de São Borja e ainda adolescente deixou o estado e foi para o Rio Grande do Sul, lidar com cavalos. “Sempre amei e respeitei os cavalos e na minha adolescência observava os mais velhos lidarem e amansarem os cavalos xucros. Eu chegava perto, mas eles me tocavam dali, porém, eu muito curioso ficava escondido olhando como eles trabalhavam e conseguiam deixar um cavalo xucro em um cavalo bom de rédea, seja para laço, tambor, lida, cavalgada e entre outros trabalhos.”, explica Ronival. O tempo passou e ele recebeu um convite e foi trabalhar e morar no Rio Grande, a sua intimidade e encanto dos cavalos lhe rendeu o apelido Bruxo dos Potros. “O apelido nasceu, porque no sul é costume chamar uma pessoa que entende muito bem de um determinado assunto ser reconhecido de bruxo. Assim, nasceu o meu apelido Bruxo dos Potros, pois na opinião de muitos eu sabia encantar e amansar os cavalos xucros muito bem.”, conta Ronival. As palavras melódicas, um mantra ritmado que pronuncia, seguindo ele, nascem da alma. “É um mantra que aprendi e percebi que os animais se acalmam quando faço, portanto, uso o mantra para me comunicar com os cavalos e mostrar que estou ali como amigo.”, revela.

 

O propósito da Cavalgada.

A sua simplicidade e humildade lhe trouxe boas amizades ao longo da vida e assim, o Bruxo não só lançava magia nos cavalos, mas também nos relacionamentos. No final do ano de 2017, um amigo lhe ligou para desejar felicidade e no meio na conversa, este amigo contou que seu filho esta passando por um problema sério de saúde. Bruxo prontamente acalmou o coração do amigo e lhe disse que tudo ficaria bem. “Nesta ligação eu disse que tudo se resolveria e que se o menino recuperasse a saúde eu iria fazer uma cavalgada de agradecimento, saindo da Fronteira da cidade Santa Vitória do Palmar (RS) e indo até à Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida (SP). A graça aconteceu, os exames comprovaram e foi assim, com este propósito que nasceu a cavalgada da “Fronteira a Padroeira”, um agradecimento pela graça conquistada.”, explica Bruxo dos Potros.

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Arrumo da padroeira

Publicado por Ronival Ferreira O Bruxo Dos Potros em Sábado, 28 de dezembro de 2019

 

Assim, com o propósito no coração e a exemplo do passarinho relatado nas escrituras no evangelho de Mateus. "Olhem os passarinhos: não se preocupam com o alimento, não precisam de semear, nem de colher ou de armazenar comida, pois o vosso Pai celestial é quem os sustenta.", saiu da Fronteira na véspera da Festa da Padroeira dos Tropeiros e da Agropecuária Nossa Senhora das Brotas e seguiu viagem até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. “Não tenho patrocinador, o propósito da cavalgada não é comercial, mas sim uma gratidão pela graça alcançada e também para homenagear todos os tropeiros que vieram antes de mim. Quero agradecer a cada amigo que Deus colocou em meu caminho que me ajudaram no pouso, na minha alimentação e dos animais. Cada um destes que se fizeram presentes foi um anjo de Deus na forma de homem que me ajudou. Meu muito obrigado.”, expressa o Ronival. 

Ele cavalga sozinho pelas estradas com quatro cavalos e dois cachorros. A cavalgada se torna partilhada quando algum amigo avisa na cidade seguinte que ele esta passando e de cidade em cidade, um pequeno grupo solidário de tropeiros o acolhe e acompanha até a cidade seguinte. “Isso tem acontecido em toda a viagem até aqui, os tropeiros me acolhem a pedido de um amigo em comum e assim, o cavalo também é um instrumento para realizar novas amizades.”, conta.

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Arrumo da padroeira

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Pouso em Piraí do Sul no Rancho Beira de Estrada.

O Bruxo dos Potros encontrou pouso no Rancho Beira de Estrada do tropeiro João Carlos da Silva, um amante da tradição tropeira e que já fez uma cavalgada também em agradecimento até o Santuário Nossa Senhora Aparecida. Carlinhos Tropeiro como é conhecido é fundador do Grupo Tropeiros Nativos de Piraí do Sul, um grupo que sempre faz promoções culturais para que a tradição tropeira não se perca no tempo. Segundo Carlinhos foi uma grande alegria receber e hospedar por uns dias o tropeiro viajante. “É uma grande honra receber este tropeiro que no casco do cavalo, vem da Fronteira e vai até à casa Mãe Aparecida. Nosso rancho é simples, mas recebe ele bom coração e vamos passar a nossa experiência sobre este trajeto que também fizemos há mais de 10 anos fizemos.”, conta o tropeiro velho.

O João Carlos da Silva Filho (Joãozinho Tropeiro), filho de Carlinhos assumiu a coordenação do Grupo, é ele quem atualmente recebe as ligações contando que algum tropeiro vem seguindo a estrada, até Sorocaba, cidade de chegada da Rota dos Tropeiros ou até o Santuário Nossa Senhora Aparecida. “Conheço o Bruxo dos Potros já de alguns eventos que participamos juntos e foi uma alegria, saber que ele passaria por aqui para cumprir o seu propósito da cavalgada. Acolhemos ele de bom coração e ficamos felizes em fazer parte da história dele, pois com certeza esta cavalgada é algo marcante na vida do Ronival que ele contará no futuro para seus filhos, netos e amigos.”, relata Joãozinho Tropeiro.

 

Visita ao Santuário Nossa Senhora das Brotas.

Em Piraí do Sul no Paraná fica o Santuário Nossa Senhora das Brotas, que é a padroeira dos tropeiros e da agropecuária. A exemplo do viajante a devoção mariana com este titulo nasceu com a visita do Primeiro Santo Brasileiro Frei Galvão em 1808, onde hoje fica a cidade de Piraí do Sul. 

Frei Galvão deu de presente para a viúva Dona Ana Rosa de Paula, uma efígie de Nossa Senhora das Barracas, cultuada em Portugal. Ana colocou em um quadro o santinho, porém ele se perdeu e depois foi encontrado em meio a um broto no campo queimado. Assim, mais um título mariano nasceu, Nossa Senhora das Brotas, o ocorrido foi considerado um milagre e os tropeiros encontravam descanso para o corpo e alma onde hoje esta, erguido o Santuário Nossa Senhora das Brotas em meio a um lindo bosque de araucárias.

Ronival chegou no Santuário acompanhado por Joãozinho Tropeiro e o Nenê Caprieteiro, que é uma figura única do tropeirismo piraiense. Muitos dizem que Nenê Cabriteiro é o verdadeiro tropeiro da cidade, por viver exclusivamente dia a dia na lida dos cavalos e afazes do campo. 

No Santuário Nossa Senhora das Brotas ele recebeu a benção do reitor Pe. Roberval Mulhstedt, para seguir viagem. O reitor explica que o Santuário sempre teve uma proximidade com os tropeiros e que também através deles é que o título mariano foi propagado. “Aqui é muito forte o tropeirismo, a criação de gado a agropecuária e assim por essa devoção popular é que Nossa Senhora das Brotas foi reconhecida como padroeira dos tropeiros e da agropecuária. Tanto que muitos tropeiros têm um carinho especial com nossa querida mãe, tanto, que o nosso peregrino, nosso tropeiro Ronival é muito bem-vindo e representa neste momento todos os nossos tropeiros.”, relata o Pe. Roberval. 

Após a benção e quando os ponteiros do relógio apontavam para o céu ao meio-dia, o Bruxo dos Potros seguiu viagem com seus cavalos e acompanhado por dois tropeiros de Piraí do Sul até a cidade de Jaguariaíva. Na nova parada ele irá passar uns dias e rever os familiares que há muito não via e na sequência continuar a cavalgada até o Santuário Nossa Senhora Aparecida.

 

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