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Notificação de enfermidades em ovinos é imprescindível para a qualidade do rebanho

Palestras sobre casos e importância do controle de sarna e piolheira ovina abriram a programação de palestras técnicas da Agrovino em Bagé (RS)

Por: Redação
11/01/2023 às 10h56
Notificação de enfermidades em ovinos é imprescindível para a qualidade do rebanho
Foto: Lorena Garcia/Arco/Divulgação (Magali Moura)

A 15ª edição da Agrovino teve início nesta terça-feira, 10 de janeiro, com palestras técnicas  que abordaram os temas “Atualização sobre os casos de sarna e piolheira ovina no Rio Grande do Sul”, com a médica veterinária e fiscal estadual agropecuária, Marcela Bicca Bragança Corrêa, e “A importância do controle de sarna e piolheira ovina”, com  o médico veterinário e fiscal estadual agropecuário, Paulo Francisco Pereira de Andrade.

O evento é organizado pela Associação Bageense de Criadores de Ovinos (Abaco) e Associação e Sindicato Rural de Bagé. O presidente da Arco, Gustavo Velloso, abriu a programação agradecendo a todos os envolvidos no evento e salientou a participação de animais de quatro Estados do país e a presença de 86 expositores de 52 municípios.

Marcela, a primeira palestrante da noite, iniciou a sua fala apresentando dados atualizados sobre os casos de sarna e piolheira ovina e os resultados obtidos com o trabalho desenvolvido pela Inspetoria de Defesa Agropecuária. Lembrou que este trabalho é sempre pautado no que é preconizado no Programa Estadual de Sanidade dos Ovinos (Proeso), assim como na recente ordem de serviço que traz Metas de Vigilância Ativa para visitação em propriedades e inspeções do rebanho Ovino. “Isso se tornou necessário pelo aumento de casos dessas enfermidades, principalmente nos municípios de Fronteira, onde tem o maior número de ovinos”, explicou.

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No período de agosto a dezembro de 2022, foram visitadas 1252 propriedades com ovinos, sendo que em 1075 não foram verificados sinais clínicos compatíveis com sarna ou piolheira ovina. “Já em 118, ou seja, 9,4%, das propriedades visitadas foram encontrados sinais compatíveis com piolheira ovina, o que é um dado bastante relevante. A sarna foi encontrada em 51 propriedades e também registrou um forte incremento no número de focos registrados”, informou a especialista, alertando tratar-se de um agravante em se tratando de sanidade de rebanhos porque são doenças endêmicas no Estado, mas que estão acontecendo com uma maior frequência.

 

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Marcela salientou que como resultado dessas inspeções da Vigilância Ativa, 116 propriedades foram interditadas e produtores de outras 144 receberam orientação para início imediato do tratamento. Segundo ela, uma ação “muito importante”, foi a realização de atividades educativas em 873 propriedades. “Nós chamamos as pessoas responsáveis pelo rebanho e explicamos o trabalho que estamos realizando no local”, destacou, colocando que esta parte da atividade educativa é bastante importante neste processo.

A falta de notificação para a sarna também foi ressaltada pela médica veterinária. Disse que isto acarreta um grande prejuízo ao produtor. “Existem várias formas de fazer a notificação. Pode ser pela plataforma do Ministério da Agricultura, E-Sisbravet, denúncia pelo whatsapp (51) 98445-2033 ou pelo e-mail [email protected] e também pelo contato direto com a unidade local da Inspetoria de Defesa Agropecuária”, informou Marcela.

Na sequência, o médico veterinário Paulo abordou a importância em controlar essas duas enfermidades parasitárias para a questão do bem estar animal e também para fatores econômicos. “No caso da sarna, o animal tenta se coçar o tempo todo e acaba também tendo infecções secundárias. Além disso, pode ocorrer uma perda de até 30%  do velo, assim como deterioração da qualidade, menor reprodução e perda de peso”, observou.

Paulo salientou, ainda, a questão da responsabilidade compartilhada entre governo, indústria e produtor em notificar a ocorrência de focos dessas enfermidades. “A saúde animal é um compromisso de todos. Portanto, é imprescindível a notificação de suspeita imediatamente após a observação de qualquer sinal clínico no rebanho”, ressaltou.

Em suas considerações finais, o especialista alertou para a necessidade de ter mão de obra em quantidade e qualidade para garantir a correta execução dos tratamentos. “Este é um problema grave. Em 90% das propriedades não tem pessoas para trabalhar”, informou, colocando que deve haver também uma conscientização de todos os elos da cadeia sobre a questão da educação sanitária. Na parte de medicamentos, Paulo falou sobre a necessidade de aprovação de produtos antissárnicos comprovadamente eficientes e inócuos para a espécie ovina e com indicação de dosagem específica.

 

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Na sequência, a superintendente do Serviço de Registro Genealógico de Ovinos da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), a médica veterinária Magali Moura, falou sobre a o papel da entidade e do serviço de registro na propriedade. Inicialmente, falou sobre a fundação da entidade, em 1942. Explicou que a Arco faz o registro genealógico de 27 raças em todo o Brasil. "Temos um papel importante na seleção e aprimoramento. Investimos em tecnologia dentro da entidade e temos convênios importantes com instituições", destacou.

Atualmente, a Arco conta com 107 técnicos em todo o Brasil. Magali explicou que o registro genealógico e nele consta todas as informações passadas pelos criadores. "Controlamos todas as informações de dentro do criatório além do controle do padrão racial de todas as raças", explicou. Além disso, a superintendente reforçou que também auxilia nos programas de melhoramento genético, no qual se conta atualmente com dois.

A 15ª edição da Agrovino conta com o apoio da Emater/RS, Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), Embrapa e Prefeitura Municipal de Bagé além do patrocínio de Banrisul, Senar/RS, Hipra, Sicredi, Paramount, TTerrasul, Rede Conesul, Secretaria Estadual da Agricultura e Governo do Estado, por meio do Fundovinos.

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