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Proposta de PL e carta de reivindicações são destaques da audiência pública sobre pesca artesanal no Paraná

29/06/202209h56|porAssessoria parlamentarCompartilheFacebookTwitterWhatsappAudiência Pública sobre Pesca Artesanal no Litoral do Paraná foi realizada em Paranaguá.Créditos:

Por: Redação.. Fonte: Assembleia Legislativa - PR
29/06/2022 às 10h19
Proposta de PL e carta de reivindicações são destaques da audiência pública sobre pesca artesanal no Paraná
Audiência Pública sobre Pesca Artesanal no Litoral do Paraná foi realizada em Paranaguá. / Créditos: Rafael Bertelli

A segunda Audiência Pública sobre Pesca Artesanal no Litoral do Paraná, que teve a participação de representantes de pescadores e pescadoras e de instituições governamentais relacionadas ao setor, definiu quatro pontos principais para serem encaminhados a partir dos debates realizados.

Proposta pelo deputado estadual Goura (PDT), que preside a Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, da Assembleia Legislativa do Paraná, a audiência aconteceu, de forma presencial, na sexta-feira (24), no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE), em Paranaguá.

“Nosso objetivo foi fortalecer quem vive da pesca no nosso litoral ouvindo suas demandas e promovendo o debate para a criação de políticas públicas para incentivar, valorizar e desenvolver de forma sustentável a pesca artesanal”, disse Goura. “A proposta de um Projeto de Lei Estadual da Pesca Artesanal e a Carta de Reivindicações são resultados importantes dessa audiência”.

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As principais decisões tomadas na audiência pública são as seguintes:

1) Encaminhar as reivindicações apresentadas na “Carta de Reivindicações dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Litoral do Paraná”, que é assinada pela Federação dos Pescadores e Aquicultores do Paraná (FEPESPAR) e pelas Colônias de Pescadores do Litoral do Paraná, aos órgãos competentes: MAPA, SEDEST, SEAB, Capitania dos Portos, IAT, IBAMA, Força Verde e outros relacionados ao setor.

2) Criar uma Comissão Permanente da Pesca Artesanal do Litoral com secretarias municipais, colônias de pescadores, associações, universidades, pesquisadores e outros para tratar dos temas relacionados ao setor.

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3) Realizar reunião com Capitania dos Portos do Paraná para tratar dos trâmites para utilização de barcos pesqueiros também como vivência do Turismo de Base Comunitária (TBC), permitindo o transporte de turistas nas embarcações.

4) Dar continuidade aos trabalhos do Grupo de Trabalho para elaboração do Projeto de Lei Estadual da Pesca Artesanal.

Atividade essencial

O deputado Goura destacou a importância da pesca artesanal e enfatizou que é preciso mudar a forma como esta atividade tem sido tratada pelos diversos níveis de Governo ao longo dos anos. “A pesca artesanal não é uma atividade secundária e não é só extrativismo. É uma atividade que ajuda a preservar os ambientes costeiros e uma cultura ancestral”, disse.

Goura lembrou que a primeira audiência pública sobre a pesca artesanal, realizada no início de abril de forma virtual, apontou a insatisfação dos pescadores artesanais com os poderes públicos. “Foram 27 falas em mais de três horas de audiência. Foi a partir das reivindicações que realizamos esta audiência, agora presencial, e com a participação dos órgãos públicos relacionados ao setor”.

A pesca artesanal, lembrou o deputado, está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030, especialmente no que tange à segurança alimentar e à produção sustentável (ODS 2) e à conservação do ambiente e dos recursos marinhos (ODS 14).

“Por isso, a pesca artesanal deve ser alvo de investimentos e de apoio do setor público, com políticas permanentes voltadas ao desenvolvimento dessa atividade. Não só no aspecto econômico, mas também como importante expressão da cultura caiçara paranaense, que deve ser preservada e ter seus representantes ouvidos, conforme garante a OIT 169”, destacou.

Representatividade e qualidade

O prefeito de Guaratuba, Roberto Justus, disse que são necessárias políticas públicas em todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal) para desenvolver a pesca artesanal. “Primeiro quero destacar que essa audiência tem representatividade e qualidade para tratar desse tema. Ainda estamos muito atrasados neste setor e o problema começa na falta de um conceito sobre o que é a pesca artesanal”, disse ele.

A representante da Superintendência do Patrimônio da União no Paraná (SPU/PR), Lucie Mara Winter, destacou os principais aspectos do Projeto Caiçara e Uso Sustentável dos Territórios. “Estamos trabalhando para o desenvolvimento do turismo, buscando a revitalização de áreas da União subutilizadas, gerando benefícios sociais e impulsionando a economia. Ações que também envolvem as atividades da pesca artesanal”, disse.

Os servidores do Instituto Água e Terra (IAT), Carlos Eduardo da Silva e Evelyn Jacques, disseram que os serviços e a estrutura do órgão ambiental atendem a atividade da pesca artesanal e se colocaram à disposição dos pescadores e pescadoras artesanais para esclarecer qualquer dúvida relacionada ao IAT, como por exemplo, a fiscalização.

As ações desenvolvidas pelo IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) na área da pesca artesanal foram apresentadas pelos servidores Satoshi Nonaka, gerente regional de Extensão e pelos extensionistas Marcos Campos de Oliveira e Emerson Gerstembeger.

Café caiçara

Um dos momentos marcantes da audiência pública foi a apresentação da história de como surgiu o Café Caiçara do Guaraguaçú da Dona Conceição. “Começou em 2007 como um projeto de empreendedorismo de resgate da nossa cultura caiçara e geração de renda”, explicou Conceição Vieira Ramos Constante, a Dona Conceição, que mora na comunidade de Guaraguaçú, em Pontal do Paraná.

O Café Caiçara da Dona Conceição foi servido no intervalo da audiência aos participantes e surpreendeu a todos pela qualidade e diversidade dos bolos e salgados. “Eu digo que é um festival de sabores e saberes. Tudo desenvolvido a partir do resgate da nossa cultura e história caiçara”, contou.

Carta de Reivindicações

A “Carta de Reivindicações dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Litoral do Paraná” contém 10 itens, que foram debatidos e sistematizados por representantes das entidades de pescadores e pescadoras artesanais a partir de diversas reuniões.

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