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Frutas paranaenses ganham mercado internacional

A conquista do selo de certificação de Indicação Geográfica e do selo Global G.A.P. foi o resultado de um esforço conjunto de produtores, cooperativa, prefeitura, Sebrae, Senar-PR, Universidade Estadual Paulista e IDR-Paraná.

Por: Redação
17/03/2022 às 11h09
Frutas paranaenses ganham mercado internacional
Os produtores de goiaba de Carlópolis adotaram tecnologias como o controle biológico e a técnica do ensacamento das frutas, entre 70 e 80 dias antes da colheita.

Produtores de frutas de Carlópolis, Norte Pioneiro do Estado, estão conquistando consumidores da Europa e do Oriente Médio. Para chegar a esse mercado, foi necessário provar que a fruticultura paranaense segue boas práticas agrícolas e tem baixo impacto ambiental. Em 2019 a goiaba produzida em Carlópolis conquistou a certificação de Indicação Geográfica e o selo Global G.A.P. (Global Agricultural Practices). Neste ano, os produtores associados à COAC (Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis) incluíram a carambola, o abacate, a pitaya, o figo-da-índia e a lichia na lista de frutas com certificação internacional.  Para os produtores, além de novos mercados, o selo é um reconhecimento da qualidade e sustentabilidade da produção paranaense.

Durante o ano passado a COAC comercializou 2.998 kg de carambola, 133.117 kg de abacate, 2.084 kg de figo-da-índia, 5.531 kg de pitaya, 39.014 kg de lichia e 50.340 kg de goiaba. Portugal, Suíça, Inglaterra, Espanha e países do Oriente Médio foram os principais compradores.  A expectativa da diretoria da Cooperativa é que as exportações ajudem a sustentar o preço da goiaba no mercado interno, evitando quedas drásticas quando há superprodução. A expectativa é que as exportações aumentem a partir de 2023, pois a geada do ano passado diminuiu a produção desta safra.

A conquista do selo de certificação de Indicação Geográfica e do selo Global G.A.P. foi o resultado de um esforço conjunto de produtores, cooperativa, prefeitura, Sebrae, Senar-PR, Universidade Estadual Paulista e IDR-Paraná. Durante os últimos anos os produtores passaram por diversos treinamentos para atender às exigências da certificação internacional. As instituições levaram até eles cursos de aplicação de defensivos, manipulação de alimentos, Manejo Integrado de Pragas, primeiros socorros, entre outros. "Nós do IDR-Paraná demos apoio, ajudando a elaborar o caderno de campo no qual o produtor faz todas as suas anotações. Agora, com recursos do programa Coopera Paraná, foi adquirido um software com o qual todos esses dados serão armazenados no celular do produtor, facilitando o trabalho. Com o Sebrae participamos da auditoria que verifica a implantação do Sistema de Gestão de Qualidade que regula as propriedades que estão participando do processo de certificação internacional", contou Luiza Rocha Ribeiro Calixto, engenheira agrônoma do IDR-Paraná.

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Controle

Airton José Soares Capote tem 4,5 hectares cultivados com goiaba e nesta safra deve colher 80 toneladas da fruta. Para ele, a certificação melhora o mercado. "É importante porque abre a possibilidade de vender a fruta para outros países. Exportando a gente evita a super oferta no mercado interno e melhora os preços. É uma baita alternativa para os produtores", afirmou o produtor. Ele informou que o mercado externo paga 50% mais que o preço da goiaba praticado no Brasil.

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Segundo Capote, quando foi iniciada a aplicação das práticas exigidas pela certificação internacional, anos atrás, houve um estresse, mas hoje elas são feitas naturalmente. "Nos últimos anos melhoramos alguns pontos no processo produtivo como o uso de produtos recomendados, a observação do prazo de carência, questões ambientais, a qualidade da água para o consumo no pomar e nas residências, moradia e uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual)", observou. O produtor disse ainda que a cada seis meses as frutas são analisadas para verificar se não há resíduos de produtos químicos. Além disso, são feitas análises da água consumida no pomar e nas residências da propriedade. Todo esse trabalho é exigido para manter o selo Global G.A.P. 

Mercado interno

Os produtores de goiaba de Carlópolis adotaram tecnologias como o controle biológico e a técnica do ensacamento das frutas, entre 70 e 80 dias antes da colheita. Com isso foi possível reduzir os níveis de resíduos químicos a zero, já que a partir do ensacamento não é feita nenhuma aplicação de defensivos ou inseticidas nos pomares. A variedade Tailandesa, de cor vermelha, domina os cultivos.  Muitos produtores fazem o plantio consorciado da goiaba com o café. A fruta produz o ano inteiro, complementando a cafeicultura que tem um ciclo anual.

As frutas produzidas em Carlópolis também abastecem o mercado interno, sendo vendidas para São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A certificação também aumenta a confiança do consumidor na qualidade dos alimentos.

Inês Yumiko Sato Sasaki, gerente de vendas da COAC, disse que o processo de certificação das cinco frutas neste ano foi tranquilo, já que a adequação das propriedades tinha sido feita para a goiaba. "A única mudança foi o acréscimo do caderno de campo para cada fruta, com anotações para conferir a rastreabilidade dos produtos. Com mais esse selo coletivo, todas as frutas comercializadas pela Cooperativa passam a contar com a certificação internacional" informou Inês. Ela acrescentou ainda que os resultados conseguidos pela goiaba e a procura pelo mercado externo incentivaram os fruticultores a solicitar o selo para mais frutas. "Para nós é uma oportunidade de vender a preços melhores", ressaltou Inês.

O Global G.A.P. (Good Agricultural Practices) conquistado pelos produtores de Carlópolis é um manual de boas práticas agrícolas que estabelece um conjunto de normas técnicas para diferenciar os produtos e beneficiar produtores e organizações preocupados com o impacto ambiental das atividades agrícolas. Os princípios da certificação baseiam-se nos conceitos de segurança alimentar, proteção do meio ambiente, condições de saúde, higiene e segurança dos trabalhadores e bem estar animal. Leva em conta ainda a redução do uso de defensivos agrícolas, o não emprego de menores ou o trabalho escravo. Fonte IDR-Paraná.

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