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Práticas de produção integrada de cebola desenvolvidas pela Epagri viram norma técnica do MAPA

A Epagri desenvolveu projeto de pesquisa para estabelecimento das normas para produção integrada de cebolas, que agora foi formalizada por do MAPA. A publicação da norma é um marco na cebolicultura nacional. O sistema permite reduzir o uso de insumos, como fertilizantes e agrotóxicos, e diminuir os custos de produção, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade nas lavouras. Santa Catarina é o maior produtor nacional de cebola.

Por: Redação
14/03/2022 às 11h30
Práticas de produção integrada de cebola desenvolvidas pela Epagri viram norma técnica do MAPA
Técnicas de produção integrada permitem reduzir o uso de insumos como fertilizantes e agrotóxicos e diminuir os custos de produção

Por meio da Instrução Normativa nº 18 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), entraram em vigor em março de 2022 as normas técnicas específicas (NTE) para a produção integrada de cebola, desenvolvidas por meio de projeto de pesquisa da Epagri. Trata-se de um conjunto de orientações técnicas atualizadas, que, ao serem aplicadas integralmente pelo produtor, contribuem para o aprimoramento da gestão da propriedade, redução de custos e agregação de valor ao produto, melhorando a renda e diminuindo perdas e desperdícios.  

Segundo o coordenador do projeto na Epagri, pesquisador na Estação Experimental de Ituporanga (EEItu), Francisco Olmar Gervini de Menezes Júnior, a publicação da norma é um marco na cebolicultura nacional. “Com ela, o produtor poderá produzir alimento seguro ao consumo humano, ao mesmo tempo em que racionaliza insumos, respeita a legislação ambiental e trabalhista, gera empregos e mercado, e aumenta a rentabilidade da lavoura. Com a produção integrada todos ganham: produtor, consumidor, ambiente e cadeia produtiva”, diz.

Para o gerente da Estação Experimental de Ituporanga, Daniel Pedrosa Alves, a homologação da NTE reforça a importância do trabalho de pesquisa da Epagri. “Com o apoio e os investimentos do Governo Federal e de Santa Catarina, a Epagri tem contribuído para as várias cadeias produtivas do setor agrícola ao gerar informações e tecnologias atualmente aplicadas pelo setor produtivo, o que tem contribuído de forma expressiva para colocar o estado como maior produtor de cebola do Brasil e como referência na produção alimentos”, afirma. 

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Santa Catarina é o maior produtor nacional de bulbos de cebola (Foto: Aires Mariga)

 

Santa Catarina é o maior produtor nacional de bulbos de cebola, com mais de 8 mil famílias envolvidas na atividade. A cebola é a principal hortaliça cultivada no estado, com 70% da produção concentrada na região do Alto Vale do Itajaí.

O que prevê a Instrução Normativa

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As normas técnicas para a produção integrada de cebola estão divididas em 16 tópicos: Gestão da Propriedade; Gestão Ambiental; Organização de Produtores; Material Propagativo; Implantação da Cultura; Nutrição de Plantas; Manejo do Solo e da Cobertura Vegetal; Irrigação; Proteção Integrada da Planta; Colheita e Pós Colheita; Monitoramento de Resíduos; Legislação Trabalhista; Processo de Embalagem; Registro de Informações e Rastreabilidade; Certificação; e Assistência Técnica.

Um diferencial da produção integrada em relação a outros selos de qualidade diz respeito à obrigatoriedade de rastreabilidade e análise de resíduos de agrotóxicos (Foto: Aires Mariga

 

Caso o produtor queira aderir ao sistema de produção integrada, precisa cumprir todas as normas, como o uso racional de insumos e capacitação técnica da equipe. Uma das orientações, por exemplo, recomenda que o produtor deve ter um Plano de Gestão de Resíduos provenientes da lavoura e do lixo, de forma a permitir o processamento (ou reciclagem) e descarte conforme a legislação vigente. Além disso, o agricultor precisa estocar os adubos de forma segura, em local seco e ao abrigo da luz e da água e sem calor excessivo, visando prevenir a contaminação do meio ambiente. “Um diferencial da produção integrada em relação a outros selos nacionais e internacionais de qualidade diz respeito à obrigatoriedade de rastreabilidade e análise de resíduos de agrotóxicos. A adesão é voluntária e poderá ser feita por grupo ou associação de produtores, o que irá baratear os custos com assistência técnica e auditoria”, ressalta o pesquisador da Epagri.

Na instrução normativa estão contidos os referenciais tecnológicos de como produzir a cebola no sistema de produção integrada, um dos pré-requisitos para a certificação e recebimento do selo Brasil Certificado, através do Inmetro, o que valoriza o produto no mercado. A próxima etapa será, através de cursos, a formação de responsáveis técnicos e auditores, os quais serão responsáveis por orientar, acompanhar e auditar as atividades desenvolvidas nas propriedades, com vistas à certificação.

Como funciona o Sistema de Produção Integrada

O Sistema de Produção Integrada de Cebola envolve uma série de técnicas que buscam garantir alimentos seguros para o consumidor. Um dos pilares desse sistema são as Boas Práticas Agrícolas que incluem a rastreabilidade: o produtor, o técnico e o fiscal adotam procedimentos que permitem acompanhar todo o processo produtivo, de forma a certificar a qualidade do que será colhido. Para isso, todas as práticas adotadas na lavoura são registradas em cadernos de campo.

Produção Integrada de Cebola envolve uma série de técnicas que buscam garantir alimentos seguros para o consumidor (Foto: Aires Mariga)

 

O sistema permite reduzir o uso de insumos como fertilizantes e agrotóxicos e diminuir os custos de produção. Em várias propriedades acompanhadas em Santa Catarina, a produtividade foi cerca de 8t/ha superior à dos cultivos tradicionais. “Não foram encontrados resíduos significativos de agrotóxicos nos bulbos de cebola coletados nas lavouras de produção integrada”, diz Francisco Gervini. O sistema prevê, também, a adoção de práticas de conservação do solo e análise de resíduos.

O projeto na Epagri foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e pelo MAPA. O trabalho foi desenvolvido com apoio da Estação Experimental em Caçador e dos escritórios municipais da Empresa em Alfredo Wagner, Atalanta e Ituporanga, além do Instituto Federal Catarinense/Campus Rio do Sul e Embrapa Hortaliças. O projeto contou com a participação de representantes da Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace) e de produtores do estado catarinense.

Em 2016 o projeto foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como uma boa prática para o desenvolvimento sustentável. O trabalho faz parte da plataforma digital de boas práticas da organização. Fonte Epagri.

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