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Adubação racional eleva a qualidade nutricional e a produtividade do feijão-de-corda

Adubação com maiores doses de fósforo e zinco favorece o cultivo de feijão-de-corda. Em experimentos, a aplicação de doses dos minerais no solo elevou em 8,3% o teor de proteína bruta nos grãos, o que indica melhor qualidade nutricional. A produtividade passou de 1,6 para 1,8 tonelada por hectare em regime de sequeiro.

Por: Redação Fonte: Redação
14/04/2020 às 10h08
Adubação racional eleva a qualidade nutricional e a produtividade do feijão-de-corda
Doses maiores de fósforo e zinco aumentam a produtividade e a qualidade do feijão-caupi. Foto Fernando Sinimbu

O manejo racional da adubação do solo com maiores doses de fósforo e zinco aumenta expressivamente a qualidade nutricional e a produtividade do feijão-de-corda (Vigna unguiculata), também conhecido como feijão-caupi e feijão macassar. Um estudo do pesquisador Francisco Brito, da Embrapa Meio-Norte (PI), revelou que  as aplicações de doses dos minerais no solo elevou o teor de proteína bruta nos grãos em 8,3%, alcançando o valor máximo de 30,3%, percentual considerado alto para a cultura. A maioria das cultivares atinge 22% de proteína bruta, segundo Brito.

O outro resultado importante da pesquisa e que animou o cientista foi a produtividade de grãos. A adubação gerou um retorno líquido cerca de três vezes maior em comparação às lavouras que não receberam o fertilizante. O experimento revelou um valor máximo de 1,8 tonelada por hectare em regime de sequeiro. A média de produtividade de variedades de feijão-caupi em ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU), que é o protocolo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para registro de cultivar, alcançou até 1,6 tonelada por hectare, também sem irrigação. As que mais se destacaram foram: BRS Guariba (1,4 tonelada), BRS Imponente (1,3 tonelada), BRS Itaim (1,6 tonelada) e BRS Aracê (1,2 tonelada).

A pesquisa com o manejo racional da adubação foi desenvolvida com a cultivar BRS Imponente, lançada pela Embrapa em 2016. Os experimentos foram conduzidos em um solo classificado como Latossolo Amarelo Distrocoeso, de textura média, nos municípios de Magalhães de Almeida, no cerrado leste do Maranhão, a 409 quilômetros de São Luís; e Parnaíba, no litoral do Piauí, a 370 quilômetros de Teresina. 

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O experimento

O trabalho foi conduzido durante um ano. A primeira etapa, que correspondeu à produtividade de grãos, foi feita em campo usando um delineamento estatístico de blocos casualizados, em esquema fatorial de quatro doses de superfosfato triplo (0, 89, 178 e 267 quilos por hectare) associadas a quatro de sulfato de zinco (0, 10, 20 e 30 quilos por hectare), com  três repetições. A dose zero corresponde ao experimento sem o adubo (testemunha). A resposta técnica máxima às doses foi de 102 quilos de superfosfato triplo associada a dez quilos de sulfato de zinco na produtividade de grãos por hectare, atingindo a 1,8 tonelada.

Receita do produtor pode ser três vezes maior

O estudo mostrou que a relação custo-benefício com o manejo racional da adubação foi elevada e que pode melhorar a performance econômica da atividade. Para cada real investido no manejo, houve um retorno líquido de R$ 8,07, considerando os preços dos adubos e o valor de mercado do quilo de feijão. Hoje, o preço do saco de 25 quilos do superfosfato triplo é de R$ 71,16 e o do sulfato de zinco, com a mesma quantidade, custa R$ 204,99. O preço do quilo do feijão praticado no varejo é de R$ 5,00. A pesquisa revelou que a receita do produtor por hectare é de R$ 2.735,00 sem o uso de adubos, e R$ 8.500,70 com a adubação racional, descontado o custo dos fertilizantes, ou seja, um valor três vezes maior.  

O pesquisador esclarece que foi considerado apenas o custo variável das lavouras comparadas sem e com adubação. O motivo é que os custos fixos são comuns para ambas.

Fósforo e zinco são elementos fundamentais, segundo explica o pesquisador. “Em função dos solos tropicais serem pobres em nutrientes, esses minerais precisam ser absorvidos pelas plantas para desempenhar funções no metabolismo, como, no caso do fósforo, a síntese de carboidratos e acumulação de energia”, detalha o cientista. Quanto ao zinco, Brito explica que é importante na síntese do triptofano, um aminoácido essencial à planta, responsável pela formação das proteínas. “Ele entra também como regulador de grande número de enzimas, importantes no metabolismo das plantas”, completa. 

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Aumento do teor de proteína bruta

Na segunda fase, a pesquisa investigou a qualidade nutricional dos grãos, revelando o expressivo aumento de 8,3% no teor de proteína bruta. O valor máximo alcançado foi de 30,3%. Nas análises químicas, os valores revelados de fósforo e zinco no grão foram excelentes. O fósforo saiu de dois para quatro miligramas. O zinco passou de 43 para 53,4 miligramas. As análises foram feitas no laboratório de bromatologia da Embrapa, em Teresina (PI). 

O resultado do estudo, no entender do pesquisador Edson Bastos, da Embrapa Meio-Norte, “traz uma grande contribuição à comunidade técnico-científica e aos produtores de feijão-caupi da região, pois identifica as doses de fósforo e zinco que maximizam tanto a produtividade como a qualidade nutricional dos grãos”. Segundo ele, a outra “valiosa” contribuição do trabalho foi a constatação que o maior teor de zinco no solo aumenta a proteína no grão.

“Estudo descobriu que elevação do teor de zinco no solo aumenta a proteína no grão"

“Com esses resultados, os produtores de feijão-de-corda na região poderão aplicar a quantidade adequada de adubo e, com isso, alcançar maiores lucros com a lavoura”, destaca Bastos, frisando que o agricultor deve sempre realizar a análise de solo antes do cultivo, já que as recomendações de adubação variam de acordo com a fertilidade do solo a ser semeado.

Para o pesquisador da Embrapa Henrique Antunes, os resultados da pesquisa são importantes, pois além de descobrir um meio de aumentar a produtividade por área, eles contribuem com a geração de um produto de melhor qualidade nutritiva. “No entanto, os ensaios de adubação necessitam de mais de uma safra, para que os resultados obtidos possam ser consolidados e permitam recomendações mais seguras”, pondera Antunes. Nesse estudo foram conduzidos experimentos em três safras.

Trabalhos como esse de Brito, segundo Antunes, “mostram a importância do macronutriente fósforo e do micronutriente zinco para os programas de fertilização do solo”. O bioma Cerrado naturalmente apresenta baixos teores de minerais como fósforo e zinco, o que sempre foi, de acordo com o cientista, um grande limitante à produtividade nessas áreas. “Por causa disso, a adubação contribui para a calibração de doses ótimas e econômicas, mantendo a fertilidade do solo e garantindo a longevidade dos sistemas de produção”, declara. Fonte Embrapa.

 

Números do sucesso

Âncora da segurança alimentar e nutricional entre os consumidores de baixa renda, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o feijão é rico em carboidratos, fibras, vitaminas e minerais como ferro, cálcio, magnésio, zinco e fósforo. Em 2019, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País produziu pouco mais de três milhões de toneladas de feijão. Os maiores produtores foram, respectivamente, Paraná, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. A área plantada foi de 2,8 milhões de hectares. Já a área colhida alcançou a 2,7 milhões de hectares.Em 2019, o Brasil manteve o ritmo nas exportações de feijão, embora com tímida elevação nos números. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), com sede em Curitiba (PR), o País exportou mais de 166 mil toneladas para 81 países, com um faturamento de quase US$ 113 milhões de dólares. De acordo com o presidente da entidade, Marcelo Eduardo Lüders, 55% das exportações foram de feijão-caupi. O restante foi de feijão comum. Os principais compradores foram Índia, Vietnã e Paquistão, respectivamente. Em 2018, as exportações de feijão alcançaram pouco mais de 163 mil toneladas, que somaram US$ 92 milhões de faturamento. Foto: Antônio Carlos Pereira Góes
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