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Mulher no Campo

Dia da Mulher: lideranças femininas fazem a diferença no campo do Paraná

Programa Empreendedor Rural chega aos 15 anos proporcionando uma revolução no campo

06/03/2020 16h58
Por: Redação
Fonte: Redação
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 Só no ano passado, mais de 43,2 mil mulheres frequentaram cursos da entidade, oferecidos em todos os municípios do Paraná. Além disso, há programas voltados para o público feminino, como o Mulher Atual.
Só no ano passado, mais de 43,2 mil mulheres frequentaram cursos da entidade, oferecidos em todos os municípios do Paraná. Além disso, há programas voltados para o público feminino, como o Mulher Atual.

Não é de hoje que as mulheres vêm conquistando espaço no agronegócio paranaense. Elas marcam presença maciça em todas as frentes, da gestão das propriedades à lida no campo, a ponto de serem mais do que indispensáveis para o setor rural. Essa participação, em boa medida, está diretamente relacionada à atuação do SENAR-PR. Só no ano passado, mais de 43,2 mil mulheres frequentaram cursos da entidade, oferecidos em todos os municípios do Paraná. Além disso, há programas voltados para o público feminino, como o Mulher Atual.

O papel decisivo das mulheres, cada vez mais, tem se expandido para além da porteira. Hoje, o público feminino vem exercendo papel de liderança no setor agropecuário, seja na direção de sindicatos, seja trabalhando diretamente nas entidades que representam o setor produtivo. Um bom exemplo desta representatividade são as seis mulheres que ocupam o posto de presidente em seus respectivos sindicatos rurais. É por meio delas que o Boletim Informativo do Sistema FAEP/SENAR-PR celebra o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e dá os parabéns à força feminina que move o campo.

Helvetia Rother (Renascença)

Diferentemente de outras mulheres que ingressaram no meio rural ao longo da vida, a produtora Helvetia Maria Rother sempre esteve envolvida com a agropecuária. Filha de agricultores gaúchos, Helvetia desembarcou no município de Renascença, na região Sul do Paraná, ao lado do marido, em 1974, em busca de terra para plantar.

“Na época não havia mais área para comprar no Rio Grande do Sul. Decidimos vir para o Paraná e aqui começamos plantando soja em 12 hectares”, relembra. “Sempre ajudei nas atividades. Já dirigi muita plantadeira”, complementa. Após alguns negócios em busca de mais área para o cultivo, atualmente, Helvetia e o marido dedicam 62 hectares ao plantio de grãos.

A relação com o sindicato rural local começou tempos depois. Diante da necessidade de se aprimorar, Helvetia passou a fazer alguns cursos do SENAR-PR. Reconhecendo o importante trabalho da entidade na região, acabou por se associar em 2006. Desde então, sempre foi ativa no dia a dia do sindicato. Até que em 2011 passou a fazer parte da diretoria e, em 2014, assumiu o cargo de presidente.

“O número de mulheres ainda não é tão expressivo como dos homens. Mas, cada vez mais, as mulheres estão interessadas em participar, tomando a frente da liderança”, aponta Helvetia.

Alzira Kiyoe Hayashi (Uraí)

Alzira Kiyoe Hayashi se reaproximou do campo em 1995. Nascida e criada em meio rural, no município de Uraí, no Norte do Paraná, ela havia se mudado para Curitiba, onde trabalhava como técnica em segurança do trabalho e se formou em marketing e propaganda. Mas o pai de Alzira adoeceu, o que fez com que ela retornasse a Uraí para gerenciar a propriedade rural da família.

“Eu voltei por necessidade. Como meu pai adoeceu, eu precisava ajudar”, disse a produtora rural. “Na tradição dos japoneses, quem assume [a propriedade] é sempre o filho mais velho. Aqui foi o contrário: eu sou a caçula de quatro filhos e eu que vim gerenciar o negócio”, acrescentou.

Na ocasião, Alzira já pôs a mão na massa e passou a conduzir a propriedade de 43 hectares, onde plantam soja, trigo e milho. Paralelamente, ela encarou jornada dupla, trabalhando como gerente de uma agência bancária no município. E sua atuação no banco – ao longo de 12 anos – a aproximou de líderes rurais e da direção do Sindicato Rural de Uraí. Como ela também era produtora, passou a exercer atuação também como uma líder agropecuária. Há um ano e meio, foi eleita presidente da entidade.

“Eu fui me envolvendo cada vez mais com o Sindicato Rural. Hoje, faz mais de 15 anos em que eu participo ativamente da diretoria. Ser presidente é uma consequência de todo esse trabalho que fiz ao longo desses anos”, disse. “Hoje, temos três mulheres na diretoria do sindicato. O restante são homens. É um trabalho difícil, tem que assumir responsabilidades e requer muita dedicação”, apontou Alzira, que tem 59 anos.

Cheia de energia, a presidente planeja continuar exercendo atuação em defesa dos produtores rurais. Ela espera que, cada vez mais, outras mulheres também se sintam estimuladas a participar do processo de liderança. “A dificuldade é a própria mulher descobrir que é capaz de estar em um posto de direção. Hoje, ela ainda tem medo por causa do preconceito.

Tem muito homem que ainda não aceita muito. É uma luta. Eu não nasci líder, eu me tornei líder ao longo da vida, pelo meu caminho e pela necessidade”, disse. 

Adriana Kuhnem Warmling de Melo (Alto Paraná)

A produtora rural Adriana Kuhnen Warmling de Melo, de 38 anos, carrega o campo em seu DNA. Filha de produtores rurais, ela nasceu em uma família que já se dedicou a diversas atividades, da agricultura à pecuária de leite e de corte, em Alto Paraná, Noroeste do Estado. Apesar de toda essa ligação com o campo, ela já sonhou em tocar sua vida na cidade. Chegou a se formar em turismo e hotelaria e a fazer planos de ir embora. Mas seis anos atrás, o falecimento do pai, Dionísio Warling, acabou provocando uma mudança de planos.

“Eu sempre acompanhei meu pai. E isso me trouxe de volta. Com meus irmãos, fomos assumindo a cabeça das coisas”, disse. “Não foi uma dificuldade para mim. Eu sempre gostei do meio rural, sempre ajudei. E o que aprendi na faculdade, principalmente na área administrativa, uso aqui”, apontou Adriana, que é casada com produtor rural e mãe de dois filhos.

Hoje, Adriana é uma das gestoras da propriedade, em que produzem laranja (em 60 hectares) e seringueira (25 hectares). Apesar das responsabilidades, aos poucos, foi se tornando uma líder rural. E a aproximação dela com o Sindicato Rural de Alto Paraná ocorreu a partir das dezenas de cursos do SENAR-PR, que ela frequentava desde adolescente.

“Desde pequena eu faço cursos do SENAR-PR e sempre participei. O serviço de escritório da nossa propriedade sempre foi feito no sindicato. Sempre tivemos essa relação profissional. Eles foram me chamando para participar. Aí, cheguei à presidência”, contou.

Segundo Adriana, só dentro do sindicato é que ela pôde perceber a importância do sistema sindical e a infinidade de conquistas que FAEP, CNA e sindicatos vêm auferindo nos últimos anos, em benefício do produtor. Para ela, o maior desafio é fazer o produtor entender esta dinâmica. “Sozinho, o produtor rural não tem força nenhuma. Se não fossem as conquistas dos sindicatos, FAEP e CNA, a atividade seria inviável para muitos agricultores”, resumiu.

Quanto à participação feminina, a presidente considera que esteja estável em relação aos últimos anos, mas com um grande potencial de aumentar. “As mulheres têm um olhar mais detalhista. Mas a gente ainda esbarra na questão cultural. Ainda têm muito a visão de a mulher ficar cuidando da casa, enquanto o homem vai para a roça. Tem muito espaço para crescer. Não é fácil mudar essa cultura, mas temos programas ótimos, como o JAA [Jovem Agricultor Aprendiz] e o Agrinho, que vêm mudando a cultura dos jovens”, disse.

Tereza Patek Roman (Juranda)

A produção agrícola sempre teve espaço significativo na vida de Tereza Patek Roman. Filha de agricultores, em 1990 ela se casou com o produtor rural Antônio Roman. Logo, passou a ajudar o marido na propriedade da família, de cerca de 65 hectares, em Juranda, no Centro-Oeste do Paraná. “Eu ajudava em tudo. Cuidava da casa, dava assistência no que meu marido precisasse, mexia na horta e lidava com um pouco de gado, que a gente também criava” contou Tereza.

Com o passar do tempo, a produtora rural passou a acompanhar o marido em reuniões do Sindicato Rural de Juranda, do qual ele fazia parte. Paralelamente, começou a frequentar cursos do SENAR-PR, oferecidos na região. Com a morte do marido, Tereza continuou próxima do sindicato e seguiu o caminho que lhe parecia natural: tornou-se uma líder do campo.

“Meu marido sempre foi muito ativo no sindicato, era da diretoria. Eu acho que acabei pegando o gosto dele. Hoje, faz 12 anos que participo da diretoria”, disse Tereza, que tem 61 anos.

A liderança chegou a tal ponto que, se tornou presidente do sindicato rural. Ao mesmo tempo, não deixou de fazer cursos. O último foi o de Liderança Rural, concluído no ano passado. E Tereza não quer parar por aí. Pretende continuar trilhando o caminho da representatividade e, de quebra, incentivando mais mulheres a participarem da direção.

Na avaliação da presidente, hoje, o público feminino é indispensável ao agronegócio. Tanto que, segundo ela, os cursos ofertados pelo SENAR-PR no município têm tido participação majoritária das mulheres. Além disso, ela aponta que mulheres também têm feito a diferença no sindicato rural e nas propriedades da região.

A participação das mulheres é excelente. Tanto que temos turmas só de mulheres. Aumentou bastante e vejo que deve aumentar ainda mais”, avaliou. “Hoje, se você for ver, tem mulher que administra a propriedade, que opera colheitadeira, que comercializa, que faz plantio. Estamos em todas”, disse.

Ana Thereza da Costa Ribeiro (Porecatu)

A presidente do Sindicato Rural de Porecatu, Ana Thereza da Costa Ribeiro, também teve a vida voltada para a atividade rural. Neta e filha de produtores, sempre esteve envolvida com os “fazeres” na propriedade da família. E, como não poderia ser diferente, acabou por optar em cursar a faculdade de engenharia agronômica.

Há alguns anos, por conta de alguns golpes da vida, com o falecimento do pai, assumiu a gestão da propriedade, ao lado das duas irmãs e da mãe. Numa área de 911 hectares, os Ribeiros produzem grãos, cana-de-açúcar (entregue para uma usina da região), pecuária de corte, por meio da integração com floresta.

“Uma das minhas irmãs é veterinária. Então, nós duas estamos sempre na linha de frente, acompanhando de perto todo os serviços”, diz Ana Thereza.

Para aprimorar o conhecimento e, consequentemente, a gestão da propriedade, Ana Thereza realizou alguns cursos no sindicato rural local, ainda quando era apenas uma associada. Porém, o seu dinamismo fez com que surgisse um convite, em 2005, para se candidatar à presidência da entidade. “Eu tinha contato com o sistema sindical por conta dos cursos e treinamentos. Então, na véspera da eleição, me convidaram. Na época, eu e outros dois jovens topamos o desafio”, relembra, hoje, presidente.

Nos primeiros anos de mandato, até preparar a equipe, a própria presidente era quem fazia a mobilização dos cursos, a aula de abertura acompanhava os instrutores do SENAR–PR. De forma paralela, Ana Thereza articulava com entidades parceiras e representantes dos poderes municipais ações e serviços de interesse dos produtores rurais do município e região.

“Sempre procurei ser bastante ativa. É importante esse papel atuante para conseguir defender os interesses dos produtores. Tanto que o nosso sindicato sempre teve uma boa relação com todos”, ressalta Ana Thereza.

Lisiane Rocha Czech (Teixeira Soares)

Neta de produtores rurais, a agrônoma Lisiane Rocha Czech passou a maior a parte da infância e adolescência no campo, em Teixeira Soares, região Centro-Sul do Paraná. Na época, morava e estudava em Curitiba, mas a relação próxima fez com que criasse gosto pela vida rural e pelas atividades da família. “Desde sempre eu falava que ia estudar Medicina Veterinária ou Agronomia. Eu brinco que meu primeiro negócio foi ainda criança, quando troquei uma bicicleta antiga que não me servia mais por uma leitoa”, conta.

Com 22 anos, após terminar a faculdade em Ponta Grossa, recebeu um pedaço de terra do pai e mudou-se para Teixeira Soares. Ali, também, deu início – oficialmente – ao seu próprio negócio, abrindo um escritório de planejamento agrícola. “Na época, os agrônomos que atendiam o município eram todos de fora. Quando abri o escritório, houve um estranhamento pela minha cara de menina. Devagar, fui começando os projetos, o primeiro foi para os nossos vizinhos de propriedade. Como eu era a única agrônoma da cidade atendendo, cheguei a fazer 100% das áreas”, compartilha Lisiane, hoje com 50 anos.

Com o trabalho na propriedade e no escritório, Lisiane foi se envolvendo com os produtores sindicalizados na região, o que resultou na sua primeira atuação direta no Sindicato Rural de Teixeira Soares. Com 29 anos, participou do conselho fiscal e, nos anos seguintes, foi vice-presidente por duas gestões. “Eu representava bastante o então presidente nas viagens, assembleias e outros eventos, foi quando comecei a participar mais ativamente. Quando teve eleição [em 2008], decidi que não queria ser mais vice e, sim, presidente”, afirma a produtora, recentemente reeleita para seu quarto mandato.

Fazer a diferença na comunidade é um dos princípios de Lisiane. Enquanto líder rural no município, também passou a incentivar a participação de outras representantes femininas. Atualmente, cinco mulheres fazem parte da diretoria do sindicato – duas são fruto do Programa Mulher Atual e uma do Programa Empreendedor Rural (PER).

“A mulher tem que fazer parte do setor rural, não é só um ambiente masculino. Aqui no nosso município temos parcerias com empresas que fazem um trabalho com as mulheres. Eu percebo que elas são meio tímidas ainda, talvez por estarem em minoria ou pelo receio de se manifestar, mas isso está mudando e a participação está crescendo. A mulher tem que estar junto para saber o que está acontecendo, tem que ser uma parceria”, destaca. “Eu sempre digo que a gente tem que mostrar mais serviço para ganhar espaço, por isso que me dediquei tanto. Tive que dar um jeito de dividir meu tempo entre casa, escritório e fazenda, mas deu certo, eu sou uma apaixonada pelo campo”, complementa. Fonte FAEP.

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