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Agroindústrias familiares de doces encontram terreno fértil em Itaguara, na região metropolitana de BH

Rapadura é o destaque e Emater-MG garante orientações técnicas BELO

Por: Redação
09/07/2021 às 18h40
Agroindústrias familiares de doces encontram terreno fértil em Itaguara, na região metropolitana de BH
No total são produzidos 35,2 mil quilos de rapadura e 8,7 mil quilos de outros doces, mensalmente, no município.

Município da região metropolitana de Belo Horizonte, com pouco mais de 13 mil habitantes, Itaguara parece demonstrar vocação para sediar agroindústrias da agricultura familiar. Principalmente as de doce, com destaque para a produção de rapadura, mas também com espaço para os doces feitos de frutas e de leite. No total são produzidos 35,2 mil quilos de rapadura e 8,7 mil quilos de outros doces, mensalmente, no município.  

Dados do escritório da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), mostram que existem na região rural do município 14 fábricas de rapadura, duas fábricas de doces e uma agroindústria de processamento de leite de cabra que, no momento, está com atividades suspensas.  Em breve, Itaguara vai ganhar também uma agroindústria de processamento de leite de búfala, uma experiência inédita no município e com grande potencial.  A planta arquitetônica feita pela Emater-MG, já está aprovada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

“O Núcleo de Agroindústria do Departamento Técnico da Emater-MG elaborou a planta baixa e os memoriais descritivos para o produtor apresentar ao IMA e o projeto foi aprovado. Agora o produtor, Rodrigo Antônio Lara, da Fazenda Bom Sucesso, vai iniciar a construção da agroindústria. Eles vão produzir muçarela, ricota, provolone, queijo minas frescal, minas padrão e meia cura”, explica a coordenadora técnica regional de Pecuária, da Emater-MG, Cinthya Leite Madureira.

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O extensionista de Bem-estar Social, do escritório da Emater-MG em Itaguara, Sérgio Gandra, afirma que a agroindústria familiar é importante fonte de renda local. “Muitos desses produtores têm nessas agroindústrias a maior fonte de renda. Outros, um importante complemento da renda. Estamos aguardando agora, o começo das atividades de processamento de leite de búfala, que tem tudo pra ser o maior sucesso”, argumenta.

Rapadura

Entre os muitos produtores de rapadura em Itaguara, Enilson Magno Teles é um dos que chama a atenção na fabricação desse doce feito de caldo de cana-de-açúcar concentrado. Tendo como mão de obra, ele, a esposa, dois filhos e um ajudante que cuida da matéria-prima, Enilson produz, ao mês, 6,4 mil quilos do produto. É a terceira maior produção de rapadura do município.  As rapaduras são compradas pelo sócio de Enilson, José Luiz, dono da propriedade onde está instalada a fábrica. Elas são comercializadas em municípios como Divinópolis, Pará de Minas, Nova Serrana, Bom Despacho, além de Oliveira e Cláudio, entre outros.

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A agroindústria de Enilson e José Luiz está em operação desde 2010. Filho de gerações de ‘rapadureiros’ (avós e pais), Enilson conta que nem a crise decorrente da pandemia da covid-19, afetou o negócio. Além das rapaduras comuns que produz (tradicional, pé de moleque, com leite e com mamão), ele investiu recentemente em outra linha de produção, a rapadurinha, que vem embalada em caixa. 

O docinho é muito usado como sobremesa ou lanche pra quem aprecia o alimento, mas não quer comprar a barra grande. “Até que está saindo bem, graças a Deus. Creio que hoje as pessoas compram rapadura pra fazer outro doce. Então a nossa ideia das rapadurinhas é incentivar o jovem a comer rapadura, porque só os antigos comem”, conclui.

Para Enilson, essa é uma boa atividade de se exercer em Itaguara, e afirma que, tanto ele quanto o sócio José Luiz, vivem exclusivamente da renda gerada pela fabricação das rapaduras.  De acordo com o produtor, a concorrência entre os muitos fabricantes de rapadura, não impede de um ajudar o outro. “Quando algum cliente vem comprar rapadura e eu não tenho, indico outro. E ele faz o mesmo comigo. A mesma coisa acontece com a matéria-prima quando falta. Um ajuda o outro”, afirma.

Doces

Doceira de mão cheia, talento que aprendeu desde nova, vendo a mãe preparar doces para consumo da família, Ana Maria Martins é proprietária da Doces Rancho Paraíso, fábrica que comanda com o marido, Arnaldo Brandão Martins,  há 12 anos.  Ela fabrica 27 tipos de doces de frutas (figo, goiaba, laranja da terra, limão, cidra, marmelo, abacaxi, banana, jabuticaba e maracujá), além de abóbora e leite. A consistência vai de pastosa, cremosa a geleia e pedaços em compotas. A produção, estimada em 800 quilos por mês, varia conforme as safras frutíferas, sendo comercializada em empórios, delicatéssens, lojas de laticínios e restaurantes.    

“Vendo também para chefs de cozinhas que utilizam alguns doces para preparar seus pratos. O doce de jabuticaba, por exemplo, é muito usado para fazer molho de carne e outros molhos. Em restaurantes regionais e de outros estados, que oferecem comida mineira, usam meu doce para a culinária e para servir”, conta a produtora.

Ana Maria explica que seus doces são bem artesanais e naturais. “Higiene em primeiro lugar. Então eu não uso conservante algum. Meu conservante único é o açúcar e o processo. Como todo doce, ele vai a uma temperatura alta, no mínimo 180 graus, o que aumenta a validade do produto.  Eu uso a embalagem de vidro que dá uma conservação ainda maior, uma garantia maior dessa validade”.

Ana Maria já participou de várias feiras gastronômicas e eventos, como as Olimpíadas de 2016, no Brasil, representando Minas Gerais, com a oferta de doces, principalmente os mais tradicionais, que também são os mais vendidos. “E vou em várias feiras, inclusive com a Emater. Fui pra as Olimpíadas, representando Minas com os doces. Os mais consumidos foram os doces tradicionais, como o de abóbora, figo, laranja. Sempre estou participando de feiras”.

Assim como o produtor Enilson Magno Teles, que tem o atendimento da Emater-MG em questões como cursos de capacitação, análise de terra para o cultivo da cana-de-açúcar e outras orientações técnicas, a produtora de doces Ana Maria Martins também sempre conta com o apoio da empresa pública de extensão rural mineira. “Como temos o pomar, de onde tiramos as frutas, a Emater sempre orienta a gente, na época de poda, adubação. Estou sempre em contato com os técnicos”, confirma Ana Maria.

Outra agroindústria de doce bastante relevante no município é a Doces Cachoeira, de Neide Fátima de Oliveira. Com a ajuda da Emater-MG ela está em processo de regulamentação no IMA. O estabelecimento produz 7,9 mil quilos de variados doces de leite. A matéria-prima vem da própria fazenda. Fonte Emarter/MG.


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