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Comissões Técnicas representam FAEP no campo

Seja para resolver demandas pontuais ou questões estruturais, produtores rurais paranaenses contam com a agilidade e a representatividade de divisões temáticas

Por: Redação
15/06/2021 às 11h28
Comissões Técnicas representam FAEP no campo
As Comissões Técnicas são a voz, os ouvidos e os olhos da FAEP, a linha de frente para priorizar o que deve ser trabalhado e também para levar rapidamente dados sobre mudanças que precisam ser feitas

As Comissões Técnicas (CTs) da FAEP têm uma coleção de conquistas junto aos produtores rurais paranaenses. De certa forma, as atuações e conquistas da Federação e do SENAR-PR acontecem com a participação dos fóruns temáticos. Isso porque as CTs são órgãos que permitem captar as demandas prioritárias do campo junto a quem está no dia a dia e também espalhar informações das questões estratégicas de forma eficiente a cada localidade do Paraná.

“As Comissões Técnicas são a voz, os ouvidos e os olhos da FAEP, a linha de frente para priorizar o que deve ser trabalhado e também para levar rapidamente dados sobre mudanças que precisam ser feitas. Ao longo dos anos, temos estabelecido uma dinâmica de trabalho calçada na competência e agilidade para dar respostas ao campo. Com certeza, não teríamos chegado até aqui sem essa forma de organização”, avalia o presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

Esse ano, com o início do mandato da gestão 2021/24 da diretoria da FAEP, os 168 sindicatos rurais foram convidados a indicar membros para as comissões. Alguns foram reconduzidos e outros substituídos. Foram mais de 700 indicações para a composição das 10 CTs, recorde na história da FAEP.

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“Essa é uma prova do quanto nós podemos contar com o engajamento dos produtores rurais paranaenses. É na organização e no compromisso dos agropecuaristas que estão toda a nossa força”, reforça Meneguette.

Dinâmica das CTs

Nas 10 CTs, os integrantes coletam informações junto aos produtores da sua região para levar às reuniões, realizadas ao menos três vezes no ano. Durante a pandemia, os encontros ocorrem de modo virtual. Há rodadas de discussões entre os membros das comissões e posterior encaminhamento das ações necessárias.

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Além disso, quando é preciso, especialistas, representantes do poder público e quem mais for necessário participam das reuniões, como convidados, para esclarecer determinados pontos aos produtores. Palestrantes renomados nacional e internacionalmente, muitas vezes, são acionados para esclarecer as dúvidas e fornecer orientações. No fim de cada reunião, os membros das comissões voltam às suas bases e repassam as informações aos produtores de suas respectivas regiões e, assim, o ciclo recomeça.

Foi assim, por exemplo, que se coletou dados e algumas das providências cruciais foram tomadas para o Paraná conquistar o selo de área livre de febre aftosa sem vacinação, pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), no dia 27 de maio.

“Essa foi a grande conquista dos últimos anos para o Paraná, que envolveu justamente organizar melhor a cadeia produtiva em relação à sanidade animal. Dentro da Comissão de Bovinocultura de Corte, junto aos produtores rurais, foram inúmeros encontros e palestras para levantar discussões e levar as informações sobre a questão da aftosa. Tudo isso levou à maior organização do mercado de carne, frigoríficos e abatedouros. E o mais importante é que temos levado tecnologia e informação para o homem do campo, refletindo em mais qualidade e sustentabilidade”, aponta o presidente da CT de Bovinocultura de Corte, Rodolpho Botelho, de Guarapuava. Ele já ocupava o posto e foi reconduzido para o próximo triênio.

A erradicação da vacinação da aftosa no Estado irradia assunto para todas as comissões técnicas, em especial à CT de Suinocultura. Antes, 65% do mercado global estavam fechados para a carne suína do Paraná. Agora, novos negócios devem ser firmados com países como Japão e Coreia do Sul, que pagam até 50% a mais do que mercados menos nobres. Essa CT terá uma nova presidente, Deborah Gerda de Geus, de Tibagi, que já fazia parte do grupo como integrante, e agora foi alçada ao comando.

“Temos uma missão desafiadora na suinocultura, já que os custos de produção estão muito elevados. É necessário sensibilizarmos cada vez mais os produtores da importância da boa gestão e de gerarmos informações para que tenhamos referências para negociação junto às agroindústrias. Nessas crises temos que nos reinventar e focar muito em como obter resultados”, prevê Deborah.

Na CT de Cereais, Fibras e Oleaginosas, Nelson Paludo, de Toledo, teve seu mandato como presidente renovado para o próximo triênio. Para o dirigente, as comissões têm tido resultados expressivos. Na agricultura, avanços como o aumento no volume de recursos em linhas de crédito, melhora nas condições para contratação de seguro rural, ajustes nos calendários de plantio para minimizar efeitos de atrasos por estiagens são algumas das demandas que foram debatidas e atendidas.

“As comissões técnicas têm um trabalho muito importante dentro do setor, pois levam as reivindicações do que precisa ser feito. Elas são o canal direto com a FAEP”, aponta Paludo. Debate e união pretende promover o novo presidente da Comissão Técnica de Avicultura, Diener Gonçalves de Santana, de Cianorte. Ele chega com a expectativa de replicar o case de sucesso que os produtores da região têm protagonizado em relação à negociação com as agroindústrias e disseminar isso para outras localidades do Paraná.

“Não temos outra fórmula para esses resultados a não ser planejamento estratégico. A primeira coisa que fazemos é pegar o levantamento de custos, que a FAEP faz. Isso serve de base para qualquer reivindicação. Junto a isso confrontamos a realidade de cada região, cruzamos essas informações com o que está se desenrolando no nosso dia a dia e afinamos nosso discurso antes de sentarmos com a indústria. Sabemos exatamente o que e o porquê vamos pedir isso ou aquilo”, antecipa Santana.

Nova comissão

O Paraná se consolida, de modo isolado, como o maior produtor de tilápia do Brasil. O ganho de importância e o crescimento exponencial da atividade fizeram a FAEP criar uma CT específica para tratar do tema. Segundo Edmilson Zabott, de Palotina, que vai ocupar a presidência da comissão, o agronegócio não tem condições de se manter viável sem a ação de uma entidade representativa como a Federação.

“Os peixes são uma cadeia produtiva ainda engatinhando no Paraná. Precisamos de muito apoio da FAEP para trabalhar junto aos órgãos públicos, para alinhar demandas que a cadeia produtiva tem, como a necessidade de avanços em genética”, antevê Zabott. “A produção de tilápia ainda tem muito para se aprimorar e isso depende de várias mãos, desde produtor até governo. A Comissão Técnica vai auxiliar muito”, complementa.

Comissão de Mulheres assume uma defesa institucional

Neste ano, com a gestão 2021/24, uma nova comissão foi criada. A Comissão Estadual de Mulheres da FAEP passou a fazer parte das instâncias de discussão dos produtores paranaenses, a exemplo de outras comissões da Federação. Neste caso, o colegiado não tem uma atuação propriamente técnica, mas institucional, permitindo, entre outras iniciativas, a formação de lideranças femininas no campo.

Coordenada pela produtora Lisiane Rocha Czech, do município de Teixeira Soares, a Comissão de Mulheres tem o apoio de outras 15 participantes, de diversas regiões do Paraná.

“A Comissão de Mulheres é um grupo novo, mas que, em poucos meses, já está mostrando sua cara. Mesmo com a pandemia e suas restrições, algumas ações já foram realizadas. E tenho certeza que muitas atuações e conquistas vão ocorrer”, destaca Ágide Meneguette, presidente da FAEP

CTs colecionam conquistas

Desde que surgiram, em 1996, as Comissões Técnicas da FAEP participaram de praticamente todas as atuações e conquistas da entidade. Mesmo que a ideia para uma determinada decisão não surja nas CTs, os assuntos pertinentes são levados para debate nestes âmbitos.

Na agricultura, por exemplo, a técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR Ana Paula Kowalski enfatiza alguns dos principais tópicos de debate nos últimos anos, como o remodelamento do curso Manejo Integrado de Pragas (MIP) na Soja e sua ampliação para a cultura do milho. A capacitação é uma referência nacional no monitoramento e uso racional de defensivos agrícolas. Recentemente, o alerta de que a cigarrinha do milho estava aumentando nas lavouras do Estado motivou um trabalho de elaboração de cartilhas e alerta.

“A CT de Cereais, Fibras e Oleaginosas tem uma atuação intensa, com comprometimento dos produtores para trazerem informações de qualidade. Nos últimos anos, tivemos atuações em várias outras áreas, como nos debates do vazio sanitário da Soja, atualizações no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), na elaboração de sugestões à política nacional de crédito agrícola e seguro rural”, enumera Ana.

No âmbito da suinocultura, questões de novas normativas em bem-estar animal foram amplamente discutidas com especialistas do tema no Brasil. Foi nas reuniões do grupo também que se criou o Grupo de Trabalho para debater a questão da necessidade de controle de javalis no Estado, uma ameaça à segurança das pessoas e também à sanidade dos rebanhos paranaenses.

“Temos também a questão do levantamento dos controles de custo de suínos, para estabelecer parâmetros de negociação junto às agroindústrias. Nesse mesmo sentido, houve todo um trabalho debatido dentro da CT para o fortalecimento do Núcleo de Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração [Cadecs]”, relata Nicolle Wilsek, técnica do DTE do Sistema FAEP/SENAR-PR.

A questão do fortalecimento das Cadecs e formação de um núcleo também foram uma das tônicas da CT de Avicultura nos últimos anos, como aponta Mariana Assolari, técnica do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR. “As Cadecs mudaram o modo como os produtores têm espaço para debater junto às empresas e os repasses que recebem pelas aves que entregam”, pontua Mariana.

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