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Com 18 milhões de pés, tomate une diferentes gerações no município de Reserva

Sebastião e Eleandro Santos, pai e filho, dividem a mesma paixão – e o ganha-pão – pelo tomate. Com quase 200 mil pés plantados nas duas safras, eles ajudam a cidade dos Campos Gerais a consolidar o apelido informal de capital paranaense do tomate.

Por: Redação
07/06/2021 às 13h19
Com 18 milhões de pés, tomate une diferentes gerações no município de Reserva
A cultura cobre aproximadamente 3,6 mil hectares do Estado, com volume de 221 mil toneladas na última safra. Resultado que dá ao Paraná uma posição de destaque no ranking nacional do tomate. Fotod Gilson Abreu/AEN

A família Santos tem uma tradição que se repete de tempos em tempos em Reserva, nos Campos Gerais do Paraná. Quando podem, se reúnem em torno de uma boa mesa para celebrar a vida. Tudo regado a muito molho vermelho, com os tomates colhidos na hora, no quintal de casa. O fruto faz a alegria do clã há anos.

O patriarca, Sebastião da Silva Santos, de 55 anos, contabiliza quase três décadas de lida na roça. Conhece os altos e baixos da produção como poucos. Ainda assim, não tem do que reclamar. Começou com 5 mil pés plantados no já distante ano de 1994, começo do Plano Real no País, e agora bate na casa das 100 mil árvores de tomate, considerando as duas safras. Produção de 18 mil caixas por ano. Ou cerca de 432 mil quilos do fruto. Todos com um padrão de qualidade que beira o perfeccionismo.

“É uma vida toda. Antes plantava feijão e milho, mas decidi migrar para o tomate quando vi que os vizinhos começaram a se dar bem. Desde então, só mexo com tomate”, diz ele, que espalha o produto pelo Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

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Trajetória que, inegavelmente, encorajou o filho. Eleandro Marcos Santos, de 38 anos, tratou de ter a sua própria roça. Cerca a cerca com o pai, a propriedade já tem 40 mil pés de tomate, o que praticamente dobra a produção familiar, dando maior poder de negociação na hora da comercialização.

“Tenho 17 anos de tomate e, com orgulho, posso dizer que aprendi tudo com o meu pai”, ressalta o agricultor, que vê na disparada do dólar um inimigo a ser combatido com a mesma força com que tenta proteger a plantação de pragas indesejadas. “Do ano passado para cá os insumos ficaram 40% mais caros, atrapalha muito a nossa vida”.

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PRODUÇÃO – Os Santos são essenciais na engrenagem que fez com que a cidade de 26.825 habitantes retomasse o apelido informal de capital paranaense do tomate. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Reserva produziu 32,4 mil toneladas do fruto no somatório das duas safras, entre 2019/2020, último dado consolidado disponível.

Na primeira, de agosto a dezembro foram 17.550 toneladas. Na segunda, entre janeiro e maio, mais 14.850 toneladas. Estima-se que hoje o município tenha em torno de 18 milhões de pés de tomate, entre grandes e pequenos produtores. “É muito tomate por aqui mesmo”, diz Eleandro, enquanto ajeita as últimas caixas no imenso caminhão que vai partir carregado rumo a Curitiba.

RANKING NACIONAL – A cultura cobre aproximadamente 3,6 mil hectares do Estado, com volume de 221 mil toneladas na última safra. Resultado que dá ao Paraná uma posição de destaque no ranking nacional do tomate.

Segundo dados do censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção comercial de tomate está distribuída em 24 unidades da Federação, com estoque nacional estimado em 3,7 milhões de toneladas. O Paraná é, ao lado da Bahia, o quarto principal fornecedor de tomate, respondendo por 6% do mercado. Fica atrás de Goiás (29%), São Paulo (23%), Minas Gerais (13%).

O fruto mais comercializado no Brasil para consumo in natura é o salada longa vida, seguido pelo italiano e os minitomates (cereja). “A primeira safra costuma ser mais significativa do que a segunda. Aqui no Paraná os núcleos de Ponta Grossa, do qual Reserva faz parte, Curitiba, Ivaiporã, Jacarezinho, Cornélio Procópio e Apucarana são os que mais se destacam”, destaca o economista do Deral, Marcelo Garrido. Fonte AEN.

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