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Abortamento de vagens de soja acarretou perdas de até 20% durante a safra 20/21 em relação às colheitas dos anos anteriores

Os resultados de pesquisa apontam perdas no sequeiro e áreas irrigadas

Por: Redação
05/06/2021 às 18h08
Abortamento de vagens de soja acarretou perdas de até 20% durante a safra 20/21 em relação às colheitas dos anos anteriores
De acordo com a pesquisadora, a umidade e as temperaturas são fatores que contribuem para o crescimento de fungos nas vagens e sementes abortadas.Fotos Solange Maria Bonaldo

Resultados de pesquisas durante a safra 2020/2021, realizadas nas lavouras da região médio norte de Mato Grosso, revelam que o abortamento de vagens e sementes em soja resultaram em perdas de 4 a 8% no sequeiro, e nas áreas irrigadas, de 4 a 20%, em relação a mesma produtividade obtida nestas áreas na safra 2019/2020. Esse dano tem relação, principalmente, com o efeito do ambiente no desenvolvimento e na fisiologia da cultura da soja, podendo ocorrer também na fase final de enchimento de grãos, devido ao desbalanceamento na relação fonte/dreno.

 

As informações foram disponibilizadas por produtores através de amostras sintomáticas e analisadas pela Clínica de Diagnose de Doenças de Plantas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Sinop.

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Esses dados foram apresentados pela pesquisadora em Fitopatologia, doutora Solange Maria Bonaldo, na palestra sobre os impactos do clima na fisiologia e fitossanidade da soja na safra 20/21, realizada na última terça-feira (1º), na programação do Circuito Master Meeting Soja, evento realizado pela Proteplan e reúne os maiores especialistas do Brasil para debates sobre temáticas importantes da agricultura. De acordo com a pesquisadora, a umidade e as temperaturas são fatores que contribuem para o crescimento de fungos nas vagens e sementes abortadas. Com elevada umidade e temperaturas favoráveis ao desenvolvimento de fitopatógenos – que infectam após os danos nos tecidos -, foi possível observar o crescimento desses fungos.

 

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“Nas amostras que analisamos observamos a presença de fungos como Colletotrichum spp., Macrophomina sp., Phoma sp. e Phomopsis sp., nas vagens e sementes. Porém, com maior frequência nas amostras foi observado a presença de Colletotrichum spp. e Phoma sp., fungos considerados oportunistas, sapróbios ou endófitos da própria planta”, revela.

 

Alana Tomen, pesquisadora da Proteplan, explica que o distúrbio nas vagens, com consequente apodrecimento, é resultado de um conjunto de fatores edafoclimáticos. “Nas duas últimas safras tivemos temperaturas acima da média nos meses de outubro e novembro. Além disso, houve meses com restrição hídrica e com excesso de radiação solar. Em situações extremas como essas, não há como esperar que as plantas se comportem exatamente da maneira como estávamos acostumados”, explica.

 

A Clínica de Diagnose de Doenças de Plantas da UFMT, recebeu na safra 2020/2021, um total de 40 amostras apresentando os sintomas de apodrecimento nas vagens, provenientes de áreas de irrigação ou sequeiro, sendo que nas áreas de sequeiro, ocorreu estresse hídrico na implantação e estabelecimento da cultura.

 

Outras análises

 

Segundo a pesquisadora, além das vagens e grãos, analisou-se o sistema radicular destas amostras e observou-se comprimento médio de 11,78 cm, com mínimo de 7 cm e máximo de 22 cm, sendo que 62,50% das amostras das raízes de plantas com apodrecimento de vagens e grãos apresentaram crescimento de Macrophomina sp., fungo naturalmente encontrado em solos cultivados e amplamente distribuído. Também se observou a presença de Rhizoctonia sp., Fusarium sp. e nematoides no sistema radicular.

 

Fitopatógenos no sistema radicular e/ou colo das plantas comprometem os processos fisiológicos de absorção e transporte de água e nutrientes, o que, conforme relatos da pesquisadora, provavelmente acarretou o desbalanço na relação fonte/dreno.

 

Sobre a infecção por Macrophomina sp., ela explica que a incidência ocorre em função da predisposição da planta ao patógeno, e pode ser favorecida por solos compactados, solos sob elevada temperatura e déficit hídrico. “Além disto, a compactação favorece a ocorrência de doenças causadas por patógenos presentes no solo (afetando o sistema radicular) e o baixo potencial hídrico reduz a atividade de microrganismos benéficos (antagonistas)”.

 

  

Buscando solução

 

Diante da abertura precoce das vagens de soja, Solange recomenda ao produtor buscar o diagnóstico correto do que está causando o problema em sua lavoura. “Se a causa for abiótica (estresse hídrico, por exemplo), os produtores devem adotar estratégias de manejo do solo que evitem compactação, adoção de rotação de culturas, uso de condicionadores de solo e microrganismos benéficos. A semeadura deve ser realizada com teores adequados de umidade no solo, manejo adequado da irrigação em pivô, bem como determinar o espaçamento entre linhas e número de plantas/m mais adequado para o nível de fertilidade do solo, uma vez que a redução de plantas na linha permite maior engalhamento das mesmas, contribuindo para preservação do terço inferior das plantas e exposição das folhas a luz”, explica Bonaldo.

 

Diferentes locais

 

Foi possível observar os mesmos sintomas em amostras de diferentes munícipios do médio norte de Mato Grosso, como Sorriso, Nova Mutum, Tabaporã, Nova Ubiratã, Feliz Natal e Lucas do Rio Verde. Além desses municípios mato-grossenses, houve também amostras recebidas do estado de Rondônia. Com assessoria.

 

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