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Produtividade final supera as expectativas e safra de soja chega a 137,1 milhões de toneladas

Lavouras avaliadas na BA e no RS pelas últimas equipes do Rally da Safra surpreendem e contribuem para uma produtividade média recorde no Brasil

Por: Redação
07/04/2021 às 09h38 Atualizada em 07/04/2021 às 10h02
Produtividade final supera as expectativas e safra de soja chega a 137,1 milhões de toneladas
Nos Campos Gerais, onde o clima se comportou de maneira muito mais regular, permitiu boas safras e contribuindo para que o rendimento do estado se mantenha em torno de 61 sacas por hectare (abaixo das 63,8 de 2019/20). Foto Toninho Anhaia

A safra brasileira de soja 2020/21 foi marcada pela irregularidade climática que causou grandes transtornos do plantio à colheita. Apesar disso, a temporada termina com um surpreendente recorde triplo. 

O primeiro refere-se à maior área já plantada no país – 38,6 milhões de hectares, 1,6 milhão de hectares acima da safra anterior. Na sequência, o recorde de produção, cuja estimativa foi elevada para 137,1 milhões de toneladas pela Agroconsult, organizadora do Rally da Safra, ao final de três meses percorrendo as principais regiões produtoras do país e confirmando a projeção de safra recorde divulgada no início do Rally (era de 134,0 milhões em 23 de fevereiro). São mais de 10 milhões de toneladas acima da safra passada, o equivalente a um crescimento de 8,5%. E, por fim, o recorde de produtividade, inesperadamente alta numa temporada de tantos problemas. A expectativa é de que os produtores brasileiros colham na média 59,3 sacas por hectare – 2,3 sacos acima da safra passada e 0,8 sacos sobre a melhor marca anterior, obtida em 2018. 

Rio Grande do Sul

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O bom desempenho se deve em parte às regiões de soja mais tardia, percorridas em março pelas últimas equipes da etapa de avaliação de soja do Rally 2021. É o caso do Rio Grande do Sul, que tem tudo para retomar a segunda posição no ranking dos principais estados produtores, com uma safra de 21,1 milhões de toneladas. A produtividade média do estado é projetada em 57,9 sacas por hectare, recuperando-se do péssimo desempenho da safra anterior, na qual as lavouras produziram apenas 37,1 sacos por hectare, prejudicadas por uma forte seca. Até o final de março, apenas 30% da área do estado havia sido colhida – se as lavouras mais tardias continuarem produzindo bem, não se descarta uma revisão positiva nas estimativas.

“O início da safra no Rio Grande do Sul parecia pouco promissor. A chuva demorou para regularizar e o plantio atrasou. Em fevereiro e março, porém, choveu na medida, favorecendo o peso do grão e permitindo ótimos resultados”, explica André Debastiani, coordenador do Rally.

MAPITO-BA

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Na região Norte e Nordeste o destaque positivo fica por conta da Bahia, que deve alcançar a marca histórica no estado de 67 sacos por hectare de produtividade média. As chuvas regulares de fevereiro em diante e a boa luminosidade favoreceram principalmente a soja mais tardia. Esse resultado supera a maior marca alcançada, de 66,6 sacos por hectare, em 2018. A produção de soja da Bahia deve chegar a 6,9 milhões de toneladas (foi 6,2 milhões em 2019/20). O Maranhão também bate recorde de produtividade, com 54,7 sacas por hectare (0,4% acima da safra anterior). Choveu nos momentos certos no estado e a produção deve chegar a 3,4 milhões de toneladas, ante 3,2 milhões na temporada passada. 

No Piauí, os constantes e longos veranicos limitaram o potencial produtivo. Em relação à safra anterior, o rendimento médio vai subir de 55,9 para 57,0 sacos por hectare, levando a uma produção de 2,9 milhões de toneladas. Entre os estados da região, apenas o Tocantins terá resultados ligeiramente inferiores aos de 2019/20. Apesar de ter sido o estado com o melhor início de safra da região, acabou sendo fortemente prejudicado pelo excesso de chuvas na colheita – mas ainda assim será uma boa safra, de 3,7 milhões de toneladas.

Mesmo nessas regiões de destaque, houve momentos complicados. O plantio atrasou no Rio Grande do Sul. Houve veranicos mais ou menos prolongados no MAPITO-BA (além da chuva fora de hora no Tocantins). Mas nenhum desses casos foi tão preocupante quanto em outras regiões. O Norte e Oeste do Paraná, o Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso foram os mais prejudicados pelas irregularidades climáticas e obtiveram as maiores perdas de produtividade em relação à safra passada. 

Paraná

A falta de chuva no Oeste e Norte do Paraná durante o plantio gerou um atraso histórico na implantação das lavouras. Já em janeiro foi o excesso de chuvas que prejudicou seu desenvolvimento gerando, inclusive, um alongamento do ciclo das plantas. A realidade do Sudoeste do estado e dos Campos Gerais é totalmente diferente, onde o clima se comportou de maneira muito mais regular, permitindo que as lavouras expressassem seu potencial e contribuindo para que o rendimento do estado se mantenha em torno de 61 sacas por hectare (abaixo das 63,8 de 2019/20). A produção no estado deve atingir 20,4 milhões de toneladas (21,1 milhões em 2019/20). O maior problema resultante do atraso no plantio e alongamento de ciclo da soja recai sobre o milho segunda safra. Segundo estimativas do Rally da Safra, 81% das lavouras de milho do Oeste do Paraná foram plantadas em uma janela de alto risco climático. 

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso também teve o pior início de safra da história. A chuva foi irregular durante quase todo o ciclo – inclusive na colheita, quando choveu demais, causando perdas de qualidade e de produtividade, especialmente no Médio-Norte. Houve, no entanto, fatores positivos, como a alta luminosidade que favoreceu o peso dos grãos. Os bons resultados da soja de ciclo médio e tardio permitiram que as perdas das lavouras precoces fossem recuperadas parcialmente. Com isso, a produtividade média no estado é estimada em 57,9 sacas por hectare, contra 60 sacas na safra passada, e uma produção de 36 milhões de toneladas, semelhante à da safra passada. Já no Mato Grosso do Sul, a chuva demorou a regularizar, e a produtividade média deverá ficar em 58,6 sacas por hectare (61,4 na safra 2019/20), com produção de 11,3 milhões de toneladas (11,1 milhões na safra anterior).

“Foi uma safra muito difícil não só para o produtor, que perdeu o sono em alguns momentos com a falta de chuva e em outros com o excesso de umidade, mas também para nós que trabalhamos com estimativas de safra. Os dados de campo desse ano foram fundamentais para que pudéssemos chegar no resultado dessa estimativa de 137,1 milhões de toneladas”, explica Debastiani.

Apesar das dificuldades, houve também muitos aprendizados. Um deles foi a importância do manejo adequado do solo, tanto por meio da construção do perfil de solo quanto da manutenção de cobertura. Com isso, mesmo em situação de estresse, as lavouras puderam desempenhar muito bem, como ocorreu na Bahia. Foi fundamental também um bom dimensionamento operacional de estrutura e máquinas para plantio e colheita. “Quem ganhou neste ano foi o produtor que conseguiu aproveitar todas as brechas nas quais o clima foi bom para plantar e colher suas lavouras”, explica o coordenador do Rally.

Milho segunda safra

Com relação ao milho segunda safra, há dois pontos positivos: o crescimento de área e de tecnologia. Há, no entanto, um viés de baixa para a produtividade. O plantio tardio desta safra aumentou consideravelmente o percentual de lavouras implantadas fora da janela ideal, o que eleva a preocupação não somente com a falta de chuvas, mas também com a ocorrência de geadas.  O resultado da safra vai depender muito do clima na segunda metade de abril e em maio, períodos que vão concentrar as fases críticas para produtividade do milho. A estimativa de produção atual é de 78,3 milhões de toneladas numa área plantada de 14,3 milhões de hectares (7,3% acima da safra anterior, quando foram colhidas 75,7 milhões de toneladas). Em maio e junho as equipes do Rally da Safra voltam a campo para avaliar as condições das lavouras e consolidar as estimativas da segunda safra no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. 

Trabalho durante a pandemia

As 18 equipes do Rally da Safra percorreram mais de 42 mil quilômetros na etapa soja, passando por 455 municípios em 9 estados produtores. Cada equipe trabalhou de forma mais independente, sem a interação entre os técnicos e produtores, como ocorria em outras edições. A atenção das equipes se voltou ao levantamento de campo. Foram coletadas no total 1.092 amostras de lavouras de soja, com informações sobre população de plantas, número de grãos por planta, estádio de desenvolvimento, peso de grãos, umidade e incidência de pragas e doenças, entre outras. Devido à pandemia, não houve visitas aos produtores nas propriedades, mas nem por isso se deixou de interagir com eles: foram realizadas 70 reuniões online com agricultores que permitiram coletar informações não somente sobre o volume produzido, como também sobre a conjuntura atual.

Organizado pela Agroconsult, o Rally da Safra 2021 chega à 18ª edição com patrocínio da FMC, Banco Santander, Phosagro e Rumo, e o apoio da Plant UP, Unidas Agro, FIESP e Universidade Federal de Mato Grosso. Com assessoria.

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