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Em março preço da soja no mercado brasileiro é impulsionado pelas valorizações externas e cambial.

Como mais da metade da safra 2020/21 já foi comercializada, produtores estiveram reticentes em negociar grandes lotes no spot; até porque também houve dificuldade na obtenção de cotas para embarcar soja no spot – agentes consultados pelo Cepea indicam que devem conseguir escoar o grão apenas a partir de maio.

Por: Redação
06/04/2021 às 16h56
Em março preço da soja no mercado brasileiro é impulsionado pelas valorizações externas e cambial.
A demanda por farelo de soja esteve enfraquecida em março. Isso porque a oferta esteve elevada, e consumidores do coproduto já haviam se abastecido para médio prazo.Foto Sistema CNA/Wenderson Araujo/Trilux

As valorizações externa e cambial impulsionaram os preços da soja no mercado brasileiro em março, mesmo com a proximidade de finalização da colheita no Centro-Oeste do País. Além disso, como mais da metade da safra 2020/21 já foi comercializada, produtores estiveram reticentes em negociar grandes lotes no spot; até porque também houve dificuldade na obtenção de cotas para embarcar soja no spot – agentes consultados pelo Cepea indicam que devem conseguir escoar o grão apenas a partir de maio. O elevado patamar do frete, que diminui a receita ao produtor, também limitou a comercialização. Segundo agentes consultados pelo Cepea, o frete de soja de Cascavel (PR) para Paranaguá (PR) chegou a mais de R$ 200,00/tonelada no decorrer de março. 

No acumulado do mês, o dólar atingiu a maior média nominal da história do Plano Real, a R$ 5,6419, com avanços de 4,1% frente à de fevereiro/21 e de 15,2% em relação à de março/20. 

Com isso, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá foi de R$ 171,87/sc de 60 kg em março, a maior média mensal da série do Cepea, em termos nominais, sendo 3,3% superior à de fevereiro e 81% acima da de março de 2020. 

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O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná subiu 1,8% em relação ao mês anterior e 86,5% se comparado ao mesmo período do ano passado, a R$ 164,51/sc de 60 kg – o segundo maior valor nominal da série do Cepea, abaixo apenas do observado em novembro de 2020 (R$ 164,55/sc de 60 kg). Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, de fevereiro/21 para março/21, os aumentos foram de 3,5% no balcão e de 2,3% no disponível. Na comparação entre março/20 e março/21, as cotações registraram avanços expressivos de 95,2% e 92%, respectivamente. 

Apesar da retração no mercado spot, agentes intensificaram os negócios para entrega no segundo semestre, período de cultivo (da temporada 2021/22), quando muitos terão necessidade de recursos para as despesas operacionais. Com a expectativa de baixa disponibilidade, os prêmios de exportação para setembro/21 estiveram em patamares elevados frente aos demais embarques. Esse cenário é atípico, uma vez que, de setembro em diante, as exportações de milho tendem a ser priorizadas. 

Enquanto o prêmio de exportação de soja para embarque em abril/21, por Paranaguá (PR), tinha compradores indicando -30 centavos de dólar/bushel e vendedores, -15 centavos de dólar/bushel, para setembro/21, compradoressinalizavam US$ 1,6/bushel, e vendedores, US$ 2,1/bushel. 

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DERIVADOS – A demanda por farelo de soja esteve enfraquecida em março. Isso porque a oferta esteve elevada, e consumidores do coproduto já haviam se abastecido para médio prazo. O maior processamento de soja, no intuito de suprir a procura por óleo de soja, consequentemente gera maior oferta de farelo. Diante disso, na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações do farelo de soja recuaram significativos 9,2% entre as médias de fevereiro e março. Entretanto, na comparação com março de 2020, o farelo de soja se valorizou 80,7%. 

Já a demanda por óleo de soja esteve firme. Indústrias mostraram interesse em exportar em detrimento de vender no mercado doméstico. O preço na cidade de São Paulo (com 12% de ICMS incluso) subiu 17,8% entre fevereiro e março, a R$ 7.045,66/tonelada no último mês, bem acima dos R$ 3.542,25/tonelada na média de março/20. 

INTERNACIONAL – O aumento nos valores externos foi resultado da firme demanda pelo grão norte-americano e do excesso de umidade nas lavouras da Argentina, que estão sendo colhidas. Além disso, no final do mês, foi divulgada a primeira estimativa do USDA referente à área de grãos a ser cultivada em 2021 nos Estados Unidos – que veio abaixo das expectativas do mercado. 

Os Estados Unidos devem semear 35,45 milhões de hectares na temporada 2021/22, a maior área desde a temporada 2017/18 e 5,44% acima da safra anterior, segundo o USDA. Agentes do mercado, contudo, esperavam aumento mais significativo, diante do estoque de passagem apertado. 

O USDA também apontou que os estoques de soja norte-americanos somavam 42,5 milhões de toneladas até o dia 1º de março, 30,63% inferior ao volume estocado há um ano. Essa queda esteve atrelada ao aumento nas demandas doméstica, devido ao elevado consumo de óleo de soja, e externa. Segundo o relatório de inspeção e exportação do USDA, na parcial desta safra (até o dia 1º de abril), os Estados Unidos embarcaram 54,38 milhões de toneladas de soja, volume 70,97% superior ao escoado no mesmo período da temporada anterior. 

Na Argentina, agricultores iniciaram a colheita da soja na última dezena do mês, mas as chuvas impediram a intensificação dos trabalhos de campo. Embora as precipitações tenham recuperado parte das lavouras de cultivo mais tardio, as primeiras colhidas apresentaram produtividade abaixo da média dos últimos cinco anos, devido ao déficit hídrico na principal fase de desenvolvimento do grão, segundo dados da Bolsa de Cereales. Ainda assim, a Bolsa mantém as estimativas de 44 milhões de toneladas de soja na safra 2020/21, 10,2% inferior à temporada passada. 

A menor produção na Argentina pode favorecer as exportações de farelo e de óleo de soja do Brasil e dos Estados Unidos. O país norte-americano deve iniciar a semeadura da oleaginosa em abril. Fonte Cepea.

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