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Agricultura de precisão: a tecnologia aliada à produção de morangos

Produzida por startup gaúcha, tecnologia auxilia no manejo da fruta, que caiu no gosto do consumidor e vem se popularizando a cada safra

Por: Redação
05/04/2021 às 15h15
Agricultura de precisão: a tecnologia aliada à produção de morangos
As frutas, produzidas com o uso de defensivos biológicos, sem agroquímicos, têm mercado garantido em grandes de redes de supermercados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O cultivo do morango gera renda para mais de 30 mil famílias brasileiras, a maioria  agricultores familiares. O mercado da fruta está em expansão, com boa demanda junto ao consumidor. Existem diferentes cultivares, mas, em geral, precisam de dias ensolarados e noites frias para a produção dos melhores morangos. A planta pequena e de raízes curtas é exigente em condições físicas, nutricionais e de mão de obra, necessidades que vêm sendo facilitadas pelo uso da tecnologia, uma aliada que está mudando a realidade dos cultivos no Sul do país.

No Rio Grande do Sul, as principais regiões produtoras de morangos são o Vale do Caí e a Serra Gaúcha. Em Caxias do Sul, na propriedade do produtor rural Fernandes Andreazza, a adoção do uso de um Caderno de Campo Digital – chamado Demetra - auxilia nas tomadas de decisão na propriedade, onde são cultivados 120 mil morangueiros no distrito de Santa Lucia do Piaí. A ferramenta, desenvolvida pela startup Elysios Agricultura Inteligente, é uma plataforma digital, em que o agricultor faz, de maneira fácil e prática, o registro das atividades do dia a dia nas lavouras por meio de um aplicativo no smartphone.

As frutas, produzidas com o uso de defensivos biológicos, sem agroquímicos, têm mercado garantido em grandes de redes de supermercados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “Depois de passar orientações para o pessoal na granja, eu sei quando estão concluídas porque está tudo no aplicativo e eu vi que já realizaram. O Caderno de Campo faz com que a gente tenha registrado tudo o que acontece dentro da propriedade, eu consigo monitorar à distância”, explica o produtor rural, que divide com dois irmãos a marca Granja Andreazza. Também engenheiro agrônomo, Fernandes afirma que planeja ampliar uso da tecnologia para o serviço de consultoria, em que presta atendimento a outros agricultores. “Vimos que a plataforma é viável e ajuda, tanto nas recomendações quanto no monitoramento de pragas e doenças. Pretendo estender esse trabalho para os meus clientes”, conta o consultor, que foi um dos precursores do cultivo de morangos no município, em 1995.

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Andreazza está ampliando o uso de tecnologia na propriedade. Há menos de um mês,  instalou o sistema de sensoriamento da Elysios junto aos canteiros. “Quero monitorar as condições climáticas das estufas, acredito que o resultado vai ser um sucesso”, acredita. O sistema atua de forma inteligente, controlando fatores como irrigação, temperatura e umidade, entre outros. Com comunicação integrada em rede, sem fio, também fornece dados precisos de nutrientes do solo, pluviometria e molhamento foliar, o sistema sabe a quantidade de nutrientes ideal para a melhor produção da planta, desenvolvendo a planta no seu estado ótimo. 

Eu acredito que o morango pode ser uma alternativa para propriedades pequenas. Uma planta bem cuidada tem produtividade média de 900 gramas a um quilo planta/ano. A produção de um bom volume de frutas, possibilita à área ser rentável economicamente”, aposta.

Já no Oeste catarinense, a família França cultiva morangos desde 2019. Karine e Daniel trocaram as carreiras profissionais, em Curitibanos, pela vida rural, junto aos três filhos pequenos. Por indicação do gerente de uma instituição financeira, começaram a usar o sistema Demetra na propriedade onde colhem, em média, 700 quilos de morangos por semana. “Vemos o aplicativo como um divisor de águas, pois tivemos a possibilidade de informatizar a lavoura, colocando os funcionários a serem, também, os alimentadores de informação e criando comunicação direta com o nosso agrônomo. Isso faz com que a gente possa trabalhar, com mais rapidez, em cima de pragas e doenças. A colheita ficou mais precisa, em números, sem falar da rastreabilidade que nos abriu portas em supermercados. Isso aumentou a nossa lucratividade, já que tiramos um atravessador”, explica a produtora rural Karine França. 

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A ex-bancária afirma que fazem o registro das atividades ainda no campo, facilitando a rotina na propriedade. “O aplicativo é simples, intuitivo e permite ser alimentado off-line com informações, pois na lavoura não pega wi-fi e não temos sinal de operadoras em casa. Além disso, os relatórios nos ajudam a tomar decisões, como, por exemplo, antecipar as vendas da próxima semana, já que é possível saber a colheita, média, que teremos”. Os Morangos França são comercializados diretamente ao consumidor e em três supermercados da região.

O Caderno de Campo Digital- Demetra foi desenvolvido pela Elysios Agricultura Inteligente, startup - ou agtech, como são chamadas as startups do agro - com sede em Porto Alegre que está no mercado há cinco anos. “Insumos utilizados, horas trabalhadas e vendas realizadas naquela safra, tudo fica registrado de forma simples e é possível comparar com as anteriores, ele facilita isso. Para o próximo ano, o produtor só tem que renovar a safra e ir atualizando o sistema, não precisa criar tudo novamente. Com o Caderno de Campo isso não era possível”, explica Luiz Fernando Rauber Albé, líder de agrotecnologia da Elysios. E explica a versatilidade da plataforma: “O aplicativo foi desenvolvido e pensado junto com produtores de hortaliças e frutíferas. Com isso, conseguimos deixá-lo abrangente e ter configurações no sistema que o tornam versátil e rápido, com as configurações necessárias a cada cultivo. Seja por divisão de áreas, de plantações, quadras ou estufas. Então, ele consegue ter toda essa divisão correta dos cultivos para, ao final, ter uma análise correta daquela safra”. Com assessoria.

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