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Agricultura Familiar qualifica a alimentação escolar em São Bento do Sul (SC)

A alimentação dos alunos da rede pública municipal de São Bento do Sul teve um salto de qualidade nos últimos anos e parte desses resultados se deve à participação dos agricultores familiares, que com o apoio da Epagri se organizaram para oferecer uma grande variedade de hortaliças e frutas para as escolas. O resultado foi tão positivo que a experiência do município foi relatada pela nutricionista Liliane Grein Beuther no encontro técnico das nutricionistas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), no dia 25 de março.

Por: Redação
05/04/2021 às 14h04
Agricultura Familiar qualifica a alimentação escolar em São Bento do Sul (SC)
O cardápio das escolas conta com grande variedade de frutas e hortaliças oriunda da agricultura familiar. Foto: Aires Mariga

Segundo o extensionista rural da Epagri em São Bento do Sul, Rogério Pietrzacka, em 2020 a participação da agricultura familiar no Pnae movimentou cerca de R$500 mil no município. “São 58 unidades escolares e mais de 11 mil alunos atendidos pela Cooperativa de Produtores Rurais de São Bento do Sul (Aprosul), que hoje conta com 53 cooperados.  O Pnae é um canal de venda importante para o pequeno produtor porque paga melhor que o mercado e dá a ele a garantia da compra de sua produção”, diz Rogério.

Para a nutricionista Liliane, o principal desafio no desenvolvimento do Pnae é cumprir com todos os requisitos do programa com o orçamento que o município dispõe.  “Para as mudanças que pretendíamos fazer, argumentamos com a gestão municipal que o mais importante não era olhar para o custo, mas para a saúde a médio e longo prazo, pois entendemos que o investimento em alimentação é investimento em saúde”, explica ela. O resultado desse trabalho, compartilhado com a colega nutricionista Maristela Kotovicz, fez Liliane ser convidada pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) para expor a experiência de São Bento do Sul com a alimentação infantil às nutricionistas do país, no referido encontro técnico.

Em 2020, a participação da agricultura familiar no Pnae movimentou cerca de R$500 mil em São Bento do Sul. Foto: Aires Mariga

 

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Liliane relata que o olhar mais cuidadoso aos cardápios da alimentação infantil começou em 2014, quando as duas nutricionistas conseguiram fazer substituições de alimentos nas refeições dos bebês. “Em seguida tivemos o aumento de produtos da agricultura familiar em termos de variedade e quantidade de itens, maior oferta de frutas no cardápio e comunicação mais assertiva com as cozinheiras e com as professoras, no sentido de mostrar a elas o objetivo dessas mudanças na melhoria da alimentação, sempre baseadas nas recomendações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria”, explica ela.

A nutricionista se orgulha da relação de itens que compõem a alimentação escolar de São Bento do Sul. “Hoje temos um cardápio fantástico: já faz alguns anos que substituímos a margarina pela manteiga, pelo requeijão cremoso e pela bionese, que é um creme feito à base de biomassa de banana, azeite de oliva e ervas. Também substituímos o óleo de soja pelo girassol, temos banha, várias espécies de tubérculos que vai além da tradicional batata inglesa, uma diversidade de frutas, ovo caipira, tudo da agricultura familiar”, diz Liliane.

Segundo o presidente da Aprosul, Marcelo Smieguel, que é e egresso dos cursos de jovens da Epagri, o Pnae é uma excelente oportunidade para a agricultura familiar. “Com certeza é o melhor mercado em questão de preço de venda. O Pnae adquire uma ótima quantidade e diversidade de alimentos, o que garante uma renda estável para cada família cooperada. A organização dos agricultores por meio da cooperativa é o que nos possibilita entregar a quantidade de alimentos solicitada, já que a agricultura familiar trabalha com pequenos volumes. Isso também gera segurança dos produtores, que podem plantar na certeza de comercialização”, diz o jovem agricultor.

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Epagri: organização e elo entre as escolas e os agricultores

A alimentação escolar é um canal de venda importante para o pequeno produtor porque paga melhor que o mercado e dá a ele a garantia da compra de sua produção. Foto: Aires Mariga

 

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Segundo Marcelo, a Epagri teve participação efetiva na organização dos produtores, que em 2016 se uniram em associação e em 2018 passaram a constituir a cooperativa. O extensionista Rogério reforça a importância dessa organização para atender o Pnae. “Inclusive articulamos com outros escritórios locais da Epagri o incentivo para que novos agricultores possam se associar à cooperativa para entregar seus produtos, reforçando o caráter regional da cooperativa. Um exemplo é de citricultores de Itaiópolis que hoje entregam tangerina para as escolas de São Bento do Sul”, diz o extensionista.

Outra ação viabilizada pela Epagri foi a capacitação das cozinheiras das escolas. “A empresa possibilitou a ida dessas profissionais à Estação Experimental de Itajaí para conhecer o trabalho com as plantas alimentícias não convencionais e ao centro de treinamento daquele município para fazer um curso de panificação nutracêutica. Outra experiência importante foi o curso de biomassa de banana verde e de práticas culinárias com esse ingrediente no centro de treinamento da Epagri em Joinville”, relata Liliane.

 

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A nutricionista também credita à Epagri a articulação e a organização do colegiado de nutricionistas, formado por essas profissionais que estão à frente do Pnae nos municípios próximos. “Destaco sempre a importância dessa rede de apoio. É muito positivo trocar experiências com as nutricionistas da região que compartilham da mesma realidade e que buscam desenvolver ações dentro dos requisitos do programa”, afirma Liliane. Fonte Epagri.

 

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