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Associação entre controle cultural e químico é melhor opção no combate ao Amaranthus palmeri

No Brasil, o Amaranthus palmeri foi encontrado apenas no estado de Mato Grosso, com ocorrência pontual em determinada região. Acredita-se que a infestação tenha sido causada pelo uso de máquinas importadas dos Estados Unidos que continham sementes.

Por: Redação Fonte: Redação
28/01/2020 às 09h21
Associação entre controle cultural e químico é melhor opção no combate ao Amaranthus palmeri
Planta daninha Amaranthus palmeri tem multirresistência a herbicidas e grande potencial de prejudicar lavouras de soja, milho e algodão.

O uso do controle químico, com aplicação de herbicidas em pré e pós-emergência, e de controle cultural, com semeadura de braquiária em consórcio com milho, é uma das estratégias mais eficientes de manejo do Amaranthus palmeri. A conclusão é de uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Embrapa em Mato Grosso, estado em que a planta daninha foi encontrada pela primeira vez no Brasil em 2015. A rotação de culturas e de mecanismos de ação de herbicidas também é fundamental para evitar novas seleções de resistência.

Os resultados do trabalho estão disponíveis na publicação “Estratégias de controle de Amaranthus palmeri resistente a herbicidas inibidores de EPSPs e ALS” da Embrapa Agrossilvipastoril.

Considerada uma planta do tipo C4, o Amaranthus palmeri tem crescimento acelerado e compete com a cultura agrícola por água, nutrientes, espaço, luz e CO2. Nos Estados Unidos, onde a ocorrência é mais comum, chega a causar queda na produtividade de 79% na soja, 91% no milho e 77% no algodão, conforme dados de pesquisas norte-americanas.

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Embora esteja em processo de erradicação no País, o Amaranthus palmeri, ou caruru-gigante, como também é conhecido, preocupa os produtores. Além de ter grande potencial de se disseminar pelas lavouras, chegando a produzir até 600 mil sementes por planta, a invasora possui resistência múltipla a herbicidas inibidores da EPSPs e da ALS. No biótipo encontrado em Mato Grosso foi constatada resistência a glifosato (glyphosate), chlorimuron-ethylcloransulam-methyl e imazethapyr.

Planta já atormenta a Argentina

No Brasil, o Amaranthus palmeri foi encontrado apenas no estado de Mato Grosso, com ocorrência pontual em determinada região. Acredita-se que a infestação tenha sido causada pelo uso de máquinas importadas dos Estados Unidos que continham sementes.Na Argentina a planta daninha já está bem alastrada, com caso registrado de resistência ao glyphosate, o que representa um risco permanente para as lavouras brasileiras. Dessa forma, o conhecimento prévio sobre as melhores alternativas de controle torna-se estratégico para o País.

Ao mesmo tempo em que o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) trabalha na completa erradicação junto às propriedades onde a espécie foi encontrada, pesquisadores da Embrapa iniciaram uma pesquisa a fim de identificar as melhores estratégias de controle, caso a planta se disseminasse ou em caso de novas ocorrências.

Foram testadas medidas de controle em sistemas produtivos com a sucessão soja-algodão e na cultura do milho, as lavouras mais comuns em Mato Grosso. No caso do controle químico, foram usados herbicidas com diferentes mecanismos de ação em pré-emergência e pós-emergência. Na cultura do milho, além do controle químico, foi testado o consórcio com capim Marandu.

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De acordo com o pesquisador da Embrapa Algodão Sidnei Cavalieri, somente o uso da braquiária já foi responsável por controlar 80% da emergência da planta. Isso ocorre devido à cobertura do solo e sombreamento causado pela forrageira durante o ciclo do milho. O uso do capim ajuda também no controle da espécie nos cultivos subsequentes, devido à manutenção da cobertura morta sobre o solo, fazendo o papel de barreira física que impede o desenvolvimento de invasoras.

O resultado já seria considerado satisfatório para a maioria das plantas daninhas, porém, considerando-se o potencial de infestação e a erradicação da espécie, é recomendado obter eficiência ainda maior. Assim, a associação com o controle químico, tanto com aplicação de herbicidas em pré quanto em pós-emergência são recomendados. Para eficácia de 100% no controle, a pesquisa mostrou que nas áreas de consórcio com milho, as melhores alternativas de herbicidas a serem usados são atrazine em pré-emergência e uma combinação de atrazine com tembotrione em pós-emergência.

“Se levarmos em consideração todos os benefícios da palhada para o sistema produtivo, com aumento de matéria orgânica do solo, ciclagem de nutrientes, retenção de água, entre outros, essa estratégia se mostra a melhor alternativa para controle do Amaranthus palmeri”, afirma Cavalieri.

A pesquisadora da Embrapa Agrossilvipastoril Fernanda Ikeda destaca ainda que os estudos indicaram que o uso do consórcio de milho com braquiária também estimula o controle biológico da planta daninha feito por insetos. Nas observações feitas em campo, a redução na infestação causada provavelmente por inimigos naturais foi de 60% com o consórcio, enquanto com o milho solteiro foi de 30%.

 

Já na sucessão soja-algodão, dentre os herbicidas avaliados, a pesquisa mostrou que a alternativa mais eficaz é a combinação da aplicação de pendimethalin em pré-emergência com lactofen ou fomesafen em pós-emergência, na cultura da soja. Em ambos os casos, o nível de controle superou 93% aos 14 dias após a última aplicação. Na cultura do algodão, os melhores resultados foram obtidos com a aplicação de s-metolachlor ou trifluralin em pré-emergência, combinado com amônio-glufosinato em pós-emergência, com eficácia acima de 96% aos 14 dias após a aplicação.

“Procuramos avaliar a utilização de combinações de herbicidas de diferentes mecanismos de ação com o objetivo de minimizar o risco de seleção para a resistência a herbicidas. Uma forma de se fazer isso é por meio da rotação de culturas, assim somamos aos benefícios do controle cultural e reduzimos a pressão de seleção”, ressalta Ikeda.

Cuidados com a pesquisa

A pesquisa sobre as estratégias de controle do Amaranthus palmeri foi desenvolvida em meio a uma série de cuidados para evitar a dispersão de sementes. Por isso, todo o trabalho teve de ser realizado no campo, na área de ocorrência da infestação.

“Preferimos não levar sementes para realizar testes em casas de vegetação, evitando-se o risco de contaminação de outras áreas”, conta Ikeda.

De acordo com Cavalieri, o cuidado com roupas, calçados e veículo também fez parte da rotina dos pesquisadores enquanto avaliavam os experimentos.

“Encontramos uma área com grande infestação, o que permitiu que fizéssemos uma excelente avaliação e, sendo uma área comercial, ainda pudemos obter os dados de produtividade dos experimentos”, destaca o cientista. Fonte Embrapa

 

Processo de erradicação do Amaranthus palmeri

Amaranthus palmeri foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2015 em uma área de cerca de dez mil hectares, na região médio-norte de Mato Grosso. Desde então, uma força tarefa encabeçada pelo Indea-MT e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt) e Embrapa vem atuando em diferentes frentes visando a contenção da praga, o estudo de formas de controle e a sua erradicação.

Com apoio da fazenda onde a planta foi identificada, está sendo feito além do controle químico, a capina manual e a destruição das plantas arrancadas. O esforço tem dado resultados e hoje considera-se que a infestação está controlada. Entretanto, a completa erradicação é considerada difícil devido às sementes permanecerem viáveis por mais de 15 anos no solo e a reinfestação poder ocorrer facilmente em decorrência de plantas não controladas.

A preocupação se deve à agressividade da espécie e dificuldade de controle. Além de produzir grande número de sementes (até 600 mil), ela é de rápido crescimento, chegando a dois metros de altura, e pode possuir múltipla resistência a herbicidas.

A pesquisadora da Embrapa Fernanda Ikeda explica que apesar de as sementes não serem aladas, como as do capim-amargoso e da buva, elas podem ser dispersas por animais e pelo maquinário das fazendas. Além disso, as plantas apresentam grande capacidade de rebrota mesmo após a capina.

 

Foto: Gabriel Faria

 

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