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Atendimento remoto ganha espaço na assistência técnica e extensão rural

Emater-MG utiliza diversas ferramentas digitais para ampliar e melhorar comunicação com produtores

Por: Redação
02/03/2021 às 11h11
Atendimento remoto ganha espaço na assistência técnica e extensão rural
Um dos produtores atendidos por Carlos Alberto é Márcio Willian Cesári, que tem uma pequena propriedade onde cria, junto com a esposa, gado da raça Jersey, para a produção de leite, além de aves de postura. Foto Divulgação

Criatividade, agilidade e trabalho em equipe foram determinantes para que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) mantivesse o atendimento aos produtores rurais, durante a pandemia da Covid-19. Em meados de março de 2020, os extensionistas iniciaram uma jornada desafiadora, pois, de repente, já não era possível atuar ali, pertinho dos agricultores. Mas, ao mesmo tempo, era fundamental manter as atividades, para garantir a produção e o escoamento dos alimentos do campo para as cidades. Todos tiveram que se reinventar para atuar à distância, na maioria dos casos.

Mas o serviço de assistência técnica e extensão rural à distância, ou Ater Remota, já estava no planejamento estratégico da empresa, antes mesmo da disseminação mundial do novo coronavírus mudar as rotinas de todos. É o que conta Ademar Pires, gerente regional da Emater-MG em Governador Valadares.

“Antes mesmo da pandemia, com o Programa Emater 4.0, se discutia como as ferramentas digitais poderiam ser utilizadas nos atendimentos. Então, com a necessidade do trabalho remoto, em março do ano passado, nos desdobramos para sistematizar rapidamente essa forma de atuação”. Ademar Pires explica que a ferramenta mais utilizada ainda é o aplicativo de mensagens WhatsApp, pela facilidade de uso e também pela economia de dados.

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De acordo com o gerente, o atendimento remoto, por internet, aumenta o alcance da Emater-MG a produtores rurais, principalmente nos municípios maiores, em que as grandes distâncias dificultam a locomoção das equipes da empresa. Mas ele ressalta que essa nova forma de atender não vai substituir a presença dos técnicos nas propriedades.

“A Emater, tradicionalmente, tem essa aproximação presencial, junto às famílias dos produtores. Essa proximidade física é importante para o extensionista ter um entendimento maior da realidade e das necessidades das comunidades. As ferramentas digitais, mesmo depois da pandemia, continuarão sendo muito úteis para agilizar o atendimento, de forma complementar”, explica.

E, com a necessidade de manter a comunicação, mesmo com restrições ao atendimento presencial, até quem tinha pouco conhecimento das tecnologias digitais já está familiarizado quando o assunto é videoconferência ou atendimento virtual. Este foi o caso do engenheiro agrônomo Fernando Tinoco, coordenador de Agroecologia da Emater-MG. Ele admite que, num primeiro momento, ficou inseguro com a utilização mais intensa das ferramentas digitais, mas destaca que há muitas vantagens, sendo uma delas, a economia.

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“É claro que, em vários momentos, é necessário que o técnico esteja lá no local, mas em muitas etapas, pode ser resolvido via internet. Antes da pandemia, meu uso dessas ferramentas de videoconferência era muito tímido, mas está cada vez mais frequente”, afirma.

O projeto de atendimento remoto da empresa prevê várias etapas no processo, como planejamento da ação, negociação do tempo necessário, apresentação dos participantes e definição dos objetivos, antes da discussão técnica propriamente dita. Depois, é feito um relatório com todas as decisões e os encaminhamentos necessários, com os respectivos responsáveis. Fica tudo registrado, para consultas futuras e acompanhamento.

Aplicativos como o Google Meet, WhatsApp, Zoom e Skype, entre muitos outros, estão sendo fundamentais para manter a dinâmica de rotina de atendimento aos clientes da Emater-MG, em mais de 90% dos municípios mineiros. Muitas dessas iniciativas partem dos próprios empregados, mas a Emater-MG investe continuamente em oferecer condições para que o atendimento aos produtores melhore a cada dia, mesmo em meio a crises como a que estamos vivendo.

Emater 4.0

A empresa, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), lançou, em dezembro de 2019, o Programa Emater 4.0. O foco é adequar a empresa às exigências da transformação digital, com a criação e utilização de ferramentas para tornar os serviços oferecidos mais ágeis e conectados às necessidades dos produtores rurais. Os extensionistas de campo, por exemplo, dispõem de tablets, com conexão à internet, em que está instalada a plataforma Deméter, criada sob medida para o serviço de assistência técnica e extensão rural. Nos atendimentos em campo, os técnicos abastecem, por meio de tablets, o banco de dados com informações sobre as propriedades, como área, atividades produtivas, e até as condições do solo. Assim, nas outras visitas a uma mesma propriedade, mesmo que sejam feitas por técnicos diferentes, todas as informações estarão disponíveis.

O extensionista agropecuário Carlos Alberto da Trindade, do município de São João Del Rey, no Campo das Vertentes, é um entusiasta do atendimento remoto.  “Como o município aqui é muito grande, eu já tinha o hábito de usar a internet para auxiliar no atendimento aos produtores, mesmo antes da pandemia. Eu já esparramei meu número de WhatsApp (para os clientes da Emater-MG) e estou sempre recebendo consultas. É muito bom também pra adiantar o atendimento. Por exemplo, no crédito rural, o produtor pode mandar as informações e quando chega aqui no escritório, o processo já está adiantado, é só assinar a documentação. É claro que isso acontece com produtores que já conheço pessoalmente, que já visitei a propriedade”, conta.

Um dos produtores atendidos por Carlos Alberto é Márcio Willian Cesári, que tem uma pequena propriedade onde cria, junto com a esposa, gado da raça Jersey, para a produção de leite, além de aves de postura. Apesar de quase nenhuma experiência com tecnologias digitais, o pecuarista é só elogios quando fala da videoconferência de que participou, com o extensionista da Emater-MG e coordenadores da empresa, sobre a melhoria na pastagem e produção de capim capiaçu para silagem.

“Foi uma interação muito boa, só tenho dificuldade de mexer no celular, mas isso a gente aprende. Estou sempre em contato com o Carlos Alberto, e toda dúvida sempre recorro a ele, até pelo WhatsApp. A Emater é uma parceira muito boa, dá um suporte muito bom aqui no sítio”, confirma o produtor. Com Emater/MG.

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