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Comunicado da Embrapa sobre abortamento de vagens de soja na safra 2020/21

O problema está sendo relatado com maior frequência nas regiões Oeste, Norte e Noroeste do Paraná (PR). Esse mesmo problema já foi relatado na safra 17/18, ocasião em que também foi elaborada nota técnica.

Por: Redação
17/02/2021 às 14h04 Atualizada em 17/02/2021 às 14h27
Comunicado da Embrapa sobre abortamento de vagens de soja na safra 2020/21
Figura 2. Vagem com grãos abortados versus vagem com grão normal na mesma lavoura. Foto do dia 03/02/21 - André Prando (Embrapa)

A Embrapa Soja  faz um comunicado sobre o abortamento de vagens de soja na safra 2020/2021. O problema está sendo relatado com maior frequência nas regiões Oeste, Norte e Noroeste do Paraná (PR). Esse mesmo problema já foi relatado na safra 17/18, ocasião em que também foi elaborada nota técnica

 

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Abortamento de vagens e grãos em soja na safra 2020/21

Figura 1. Abortamento de vagens já formadas. Foto do dia 26/01/21 - André Prando (Embrapa)

 

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Na safra 2020/21, têm ocorrido relatos de lavouras de soja com elevado abortamento de vagens e grãos (Figuras 1 e 2), sendo observada, em alguns casos, uma segunda florada atípica no baixeiro das plantas. Esse problema foi relatado na presente safra com maior frequência nas regiões Oeste, Norte e Noroeste do Paraná (PR). É importante mencionar que na safra 2017/18 esse problema também foi registrado em algumas lavouras do estado.

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Naturalmente, a soja está programada para descartar um número expressivo de flores, que são produzidas em excesso, e abortar um certo número de vagens, além de ajustar o enchimento dos grãos, de acordo com a disponibilidade dos fatores do ambiente. Esse controle intrínseco às plantas é complexo e é comandado pela programação genética de cada cultivar, que responde aos sinais do ambiente. O ambiente é formado por tudo aquilo que não é genético, constituindo-se das condições que ocorrem no solo e na atmosfera do local onde as plantas se desenvolvem. Também constituem o ambiente todas as práticas culturais empregadas na cultura (sistema de produção, manejo da física, química e da biologia do solo, época de semeadura, uso de agrotóxicos para controles fitossanitários, aplicação de produtos diversos, etc.).

Nos casos de abortamento drástico de vagens, as perdas de produtividade podem variar de 50% a 100%. Além disso, em geral as vagens que ficaram retidas nas plantas não apresentaram adequado enchimento dos grãos. Também foi constatada a emissão de uma segunda florada, além do engrossamento e esverdeamento das folhas. Nos casos mais adiantados, foram observadas vagens novas com coloração verde clara com grãos viáveis e achatados, porém em menor número, além de vagens com coloração verde escura que continham grãos mortos (Figura 3).

Figura 3. Vagem de cor verde clara e grãos viáveis oriundos da segunda florada e vagem verde escura com grãos mortos. Ambas coletadas na mesma planta. Foto do dia 11/02/21 - André Prando (Embrapa)

 

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Outro ponto observado foi que maioria das lavouras que apresentaram alto abortamento de vagens foi semeada no período de 14 a 25 de outubro de 2020. Há casos em que o produtor semeou a mesma cultivar no início de novembro e não se observou o mesmo problema. Segundo as informações levantadas até o momento, o problema ocorreu em aproximadamente 20 cultivares, demonstrando que a anomalia não ocorre especificadamente em uma ou em poucas cultivares.

De forma generalizada, tal abortamento de vagens e de grãos tem sido atribuído ao clima. No entanto, as áreas com o problema foram semeadas dentro do período indicado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), constituindo lavouras bem estabelecidas. No mês de janeiro de 2021 houve predominância de dias nublados e com alta precipitação. Os primeiros relatos chegaram até a Embrapa Soja na segunda quinzena de janeiro. Nesse período foram observadas várias áreas que apresentavam intenso abortamento. É importante frisar que nestas mesmas regiões onde ocorreu o problema foram observadas lavouras sem a ocorrência de abortamento significativo de vagens, em estádios fenológicos semelhantes ao das áreas prejudicadas. Assim, fatores climáticos como excesso de chuva e altas nebulosidade possivelmente interagem com condições locais durante determinado momento crítico do desenvolvimento da soja, promovendo o abortamento de vagens e de grãos.

Foram observadas lavouras com alto abortamento em diferentes tipos de solo, com teores de argila de 30% a 60% e sob diferentes manejos de adubação e de controle fitossanitário, não sendo possível até o momento identificar uma causa específica que acentuou o problema. De maneira geral, as áreas com abortamento severo apresentaram elevado crescimento de plantas, com alto índice de área foliar (Figura 4).

Figura 4.Lavoura com problemas severos. Foto do dia 26/01/21 - André Prando (Embrapa)

 

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Por meio de consultas a cooperativas, extensionistas, consultores e produtores, além de visitas técnicas, foi possível constatar que o problema se restringiu a algumas lavouras em suas regiões de atuação. Ressalta-se que nessas mesmas regiões foram observadas muitas lavouras com desenvolvimento normal, o que sugere que o problema ocorreu quando houve a coincidência de vários fatores, sendo que o excesso de umidade no solo, a alta umidade relativa do ar e a baixa luminosidade em janeiro são fatores que podem ter potencializado o fenômeno. Pesquisadores da Embrapa Soja estão coletando amostras de solo e de plantas em algumas lavouras de soja afetadas pelo problema para gerar dados que permitam avançar na elucidação das suas causas. Adicionalmente, imagens aéreas das lavouras com problema de abortamento, obtidas por meio de drones e de satélites, em diferentes fases da cultura, estão em fase de processamento, buscando estabelecer relações espaciais entre práticas de manejo, crescimento da cultura e ocorrência do abortamento.  

Não há medidas que resolvam ou minimizem o problema já estabelecido de abortamento de vagens e grãos. Além das perdas de produtividade, há alongamento do ciclo da cultura, uma vez que houve redução do dreno de fotoassimilados nas plantas, podendo, nesses casos, atrasar a semeadura da cultura em sucessão. Alguns produtores estão roçando ou passando rolo-faca nas lavouras muito afetadas, cuja colheita é inviável. No caso de dessecação, as alternativas disponíveis são o Diquat e o Glufosinato de Amônio. Fonte Embrapa.

 

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