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Dos desafios às oportunidades de uso da Inteligência Artificial na agricultura tropical

Stanley Oliveira, chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, apresentou um panorama com as aplicações atuais da ferramenta, associada a uma visão para o futuro.

Por: Redação Fonte: Embrapa
12/06/2026 às 10h53
Dos desafios às oportunidades de uso da Inteligência Artificial na agricultura tropical
Dos desafios às oportunidades de uso da Inteligência Artificial na agricultura tropical Foto: Marisa Yuri Horikawa

Da detecção precoce de doenças nas folhas ao monitoramento de rebanhos por drones, a inteligência artificial (IA) vem se consolidando no agronegócio brasileiro. Durante o painel sobre o uso da IA na agricultura, promovido na Reunião de Pesquisa de Soja, em Londrina (PR), nos dias 10 e 11 de junho, Stanley Oliveira, chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, apresentou um panorama com as aplicações atuais da ferramenta, associada a uma visão para o futuro.

Em termos globais, Oliveira afirma que a China lidera a robótica agropecuária e o uso massivo de constelações de satélites para mapeamento terrestre. Por outro lado, os Estados Unidos dominam o mercado de inovação, concentrando quase 40% das AgTechs (startups do agronegócio) do mundo. E o Brasil vem atuando no desenvolvimento de soluções voltadas para a agricultura tropical. 

No caso da soja, principal commodity brasileira, Oliveira aponta a pulverização seletiva como um dos casos de práticos de aplicação da ferramenta.  "Temos equipamentos que detectam a área com infestação de plantas daninhas e aplicam o herbicida, de forma customizada”, explica. “Um estudo de caso no Mato Grosso mostra que o retorno financeiro desse investimento se paga em apenas dois anos", ressalta Oliveira.

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Oliveira pontua ainda que as soluções de IA operam em ritmo acelerado na agricultura de precisão. “O monitoramento por satélite e a visão computacional já permitem classificar culturas em tempo real e diferenciar, de forma automatizada, a plantação das ervas daninhas”, ressalta. Outro avanço exemplificado, pelo chefe da Embrapa Agricultura Digital  é a robótica agropecuária. O mercado já conta com pequenos robôs capazes de circular por fileiras de pomares e realizar a contagem precisa de frutas, como maçãs e laranjas, sem sequer tocar nas árvores.

Além dos cases atuais, Oliveira vislumbra que os próximos cinco anos reservam uma revolução orientada por dados. Neste sentido, o palestrante aponta a introdução dos "gêmeos digitais" (digital twins) na agropecuária. A tecnologia consiste em criar uma réplica virtual idêntica da propriedade rural. Com isso, os produtores poderão simular toda uma safra antes mesmo do plantio. "Vamos usar a IA para olhar o presente e projetar o futuro, simulando quebras de safra e possíveis problemas. Isso traz uma realidade preditiva e muito mais rápida para o produtor brasileiro", afirma.

Além disso, Oliveira defende que a IA irá acelerar os processos e encurtar prazos na ciência. No melhoramento genético de plantas e animais, por exemplo, a ferramenta pode reduzir o desenvolvimento de novos produtos, graças ao cruzamento acelerado de grandes volumes de dados.

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Capacitação e acesso Digital -  Apesar do cenário otimista, Oliveira diz que o setor enfrenta duas grandes barreiras: a escassez de mão de obra no campo e a falta de capacitação tecnológica. Segundo ele, a Embrapa tem em seu planejamento colaborar no combate à desigualdade e incluir os médios e pequenos produtores: que representam cerca de 80% do setor. Entre os pilares apontados pelo palestrante, estão a democratização da tecnologia.

“É preciso socializar o conhecimento técnico por meio de plataformas acessíveis, inclusive em parceria com as big techs”, diz. Além disso, Oliveira aponta a digitalização como alternativa para automatizar o máximo de processos possíveis e a desmonetização para baixar o custo das aplicações das soluções de IA e ampliar o acesso à ferramenta.

Oliviera reforça também que a Inteligência Artificial deve ser vista como uma aliada dos processos de trabalho e não como uma ameaça aos empregos. "Ao falar de IA não estamos dizendo que haverá redução de empregos, mas sim ganho de produtividade, redução de custos e mitigação de riscos. O produtor que antes fazia tudo de forma manual deve ser capacitado para usar a IA na linha de frente, otimizando os processos dentro da fazenda", conclui.

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