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Conflito no Oriente Médio faz preços de fertilizantes dispararem no mundo

Ureia sobe mais de 15% no Brasil e nitrato de amônio avança 28% em uma semana diante de riscos à oferta global

Por: Redação Fonte: ASSESSORIA
09/03/2026 às 15h48
Conflito no Oriente Médio faz preços de fertilizantes dispararem no mundo
Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado

Os preços dos fertilizantes nitrogenados registraram forte alta nos últimos dias após os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus impactos diretos sobre a oferta global e a logística de exportação. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, o movimento de valorização foi observado em diversos mercados, incluindo o Brasil, onde as cotações de produtos nitrogenados apresentaram variações semanais expressivas.

Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% na semana, enquanto o nitrato de amônio apresentou aumento ainda mais acentuado, com valorização de cerca de 28% após subir mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, o movimento está diretamente ligado tanto às incertezas geradas pelo conflito quanto aos impactos concretos já observados na cadeia global de fertilizantes.

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“Nos dias que se seguiram ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram suas ofertas do mercado enquanto aguardavam maior clareza sobre a situação e sobre a formação de preços da ureia no mercado internacional. Ao mesmo tempo, houve redução da produção de nitrogenados no Catar após ataques no país, o que já indica uma diminuição na disponibilidade global de mercadorias”, ressalta Pernías.

Outro fator que pressiona o mercado é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, tem sido prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio.

“De forma geral, o Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia. Qualquer interrupção prolongada nessa região pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, explica o analista.

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No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir primeiro os efeitos dessa redução da oferta global. O país atravessa um período crucial de preparação para a safra de primavera, momento em que a demanda por fertilizantes costuma ganhar força à medida que as temperaturas se tornam mais favoráveis às aplicações no campo.

“Caso os preços mais elevados do mercado internacional sejam repassados ao comprador norte-americano, existe o risco de pressão sobre as margens dos agricultores, justamente em um momento importante de planejamento da safra”, destaca Pernías.

No Brasil, o impacto tende a ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, período que antecede o plantio da safrinha de milho. Diante do cenário atual, muitos importadores podem optar por adotar uma postura mais cautelosa no curto prazo.

“Apesar disso, o nível de incerteza é elevado e não há garantia de que os preços estarão mais favoráveis nas próximas semanas. A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista.

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