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Segundo os produtores a queda de energia da Copel está sabotando o supermercado do mundo

Reunidos no Sindicato Rural de Castro, produtores, lideranças políticas e representantes da Copel discutiram os prejuízos causados pelas constantes quedas de energia elétrica na área rural e cobraram medidas imediatas para evitar o colapso na produção agropecuária da região, a exemplo de suínos, aves e leite, entre outros.

Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
04/03/2026 às 16h37
Segundo os produtores a queda de energia da Copel está sabotando o supermercado do mundo
Produtores e autoridades discutem os prejuízos causados pelas quedas de energia no campo, em reunião no Sindicato Rural de Castro. Crédito da Foto: Toninho Anhaia

As constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica nos Campos Gerais estão comprometendo a produção de suínos, aves, leite, peixes e grãos na região. O problema foi debatido nesta quarta-feira (04), durante o “Café com Produtores”, realizado no Sindicato Rural de Castro, que reuniu representantes do Sistema Faep, dos Sindicatos de Castro, Piraí do Sul, Carambeí, Tibagi, das Cooperativas Castrolanda, UniCastro,Cooperovos, Associação dos Avicultores do Campos Gerais entre outras lideranças. 

O objetivo foi cobrar da Copel soluções concretas e prazos para resolver falhas que, segundo os produtores, já causaram mortalidade de animais, queima de equipamentos e prejuízos financeiros significativos.

A crise de energia no campo afeta diretamente a produtividade e a economia regional. Municípios como Castro e Carambeí lideram rankings nacionais na produção de leite, enquanto a avicultura e a suinocultura são pilares do Valor Bruto da Produção (VBP) paranaense. Sem energia estável, sistemas automatizados, ordenhadeiras robotizadas, aviários climatizados e armazenagem refrigerada ficam comprometidos.

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O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, destacou o contraste entre os prejuízos no campo e o resultado financeiro da companhia.

“Essas situações de falta de energia e perdas dentro da porteira se tornaram recorrentes no meio rural, com o prejuízo sempre ficando com o produtor rural. Isso é inadmissível. A Copel precisa achar uma solução o quanto antes”, afirmou. Ele reforçou que apagões, queima de equipamentos e mortalidade animal têm sido frequentes, enquanto a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025.

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O presidente do Sindicato Rural de Castro, Eduardo Medeiros Gomes, anfitrião do encontro, ressaltou a importância da mobilização conjunta. Segundo ele, o momento foi fundamental para dar voz aos produtores e formalizar as demandas da região, que enfrenta dias consecutivos sem energia e falhas no atendimento.

Representando a Copel, o gerente executivo da região Centro Sul, Rodrigo Marcassini Rezende, reconheceu a importância do diálogo. “Foi muito importante estar aqui no sindicato rural e escutar as oportunidades apontadas pelos produtores. O diálogo é a melhor forma de encontrar soluções institucionais e voltarmos com números e um plano para melhorar cada vez mais o atendimento da Copel na região de Castro”, declarou.

Ele afirmou que a companhia está realizando um levantamento técnico e que apresentará dados na próxima reunião que deve acontecer quarta-feira dia 10 de março no Sindicato Rural de Castro. Entre as medidas práticas discutidas, destacou a atualização cadastral dos produtores para enquadramento como atendimento prioritário.

“O cadastro é muito importante para que os produtores possam estar enquadrados como VIP e receber atendimento prioritário”, explicou. Sobre divergências entre protocolos e registros da empresa, pontuou que é necessário “sentar na mesa e entender realmente os números apresentados”.

O deputado estadual Moacyr Fadel avaliou a reunião como um avanço após meses de cobrança. “Os produtores já há algum tempo estão sofrendo. Precisamos de uma resposta e de uma solução para as quedas de energia na nossa região”, afirmou. Segundo ele, a Copel prometeu concluir o levantamento técnico até sexta-feira e apresentar, na próxima semana, os investimentos previstos para municípios como Castro, Piraí do Sul e Tibagi.

O prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso, alertou para o risco de colapso. “A situação da energia no nosso interior está muito ruim, quase indo a um colapso. Isso tem prejudicado muito os produtores e a nossa economia”, disse. Ele destacou o compromisso assumido pela Copel de apresentar soluções em até dez dias, ainda que reconheça que as obras demandam prazo maior para execução.

Já o presidente do Sindicato Rural de Piraí do Sul, Luiz Fernando Tonon, demonstrou ceticismo quanto à efetividade das promessas. “Se não condizer com o que nós queremos, acho que o único jeito é procurar o Ministério Público”, afirmou, defendendo medidas mais rigorosas caso não haja respostas concretas.

Os relatos técnicos reforçaram a gravidade do cenário. O presidente da Associação dos Avicultores dos Campos Gerais, Carlos Bonfim, falou em nome de produtores de mais de dez municípios integrados à cadeia da BRF. “O prejuízo vai além do diesel e do gerador. A oscilação de energia está arrebentando equipamentos”, relatou, citando motores e painéis queimados. Ele também criticou falhas no aplicativo de atendimento da Copel e a demora nas respostas aos protocolos.

Vice-presidente da Cooperativa Castrolanda, Armando de Paula Carvalho Filho contextualizou o crescimento acelerado da produção. “A nossa produção cresce em média 8% ao ano. Na minha opinião, os investimentos da Copel não seguem o ritmo de crescimento do campo”, avaliou. Ele explicou que sistemas robotizados de ordenha são altamente sensíveis a oscilações. “Às vezes não precisa ficar sem luz. Uma piscada na energia já exige reiniciar dezenas de máquinas”, detalhou.

O produtor de leite Marcos Macedo trouxe um exemplo extremo: “Já ficamos 46 horas sem energia”. Segundo ele, mesmo com investimento próximo de R$ 1 milhão em estrutura de emergência, oscilações de baixa voltagem inviabilizam o funcionamento de equipamentos modernos. “Aumenta a demanda e quem está na rede que se lasque. Isso não pode acontecer”, criticou, ao questionar critérios para liberação de novas cargas na rede rural.

A reunião terminou com o compromisso de nova rodada de diálogo na próxima semana, quando a Copel deverá apresentar dados técnicos e um plano de ação. Para os produtores, energia elétrica no campo não é luxo  é condição básica para produzir alimento, gerar renda e sustentar a economia paranaense.

 

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