
O 29º Show Tecnológico Verão da Fundação ABC foi realizado nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2026, no Centro de Desenvolvimento e Ensino (CDE), em Ponta Grossa (PR), com expectativa de público superior a 5 mil participantes. O evento reuniu produtores rurais, consultores, pesquisadores e empresas do agronegócio para discutir como aumentar a produtividade e a rentabilidade nas culturas de soja e milho, em um cenário de margens apertadas e desafios climáticos e econômicos.
Consolidado como um dos principais eventos técnicos do Sul do Brasil, o Show Tecnológico Verão 2026 apresentou uma estrutura renovada, com Palestras Âncoras voltadas à análise de mercado e estratégia, Arenas Técnicas simultâneas e Áreas Demonstrativas que aproximaram o produtor da pesquisa aplicada. O foco central foi claro: produzir mais, com menor custo, maior eficiência e sustentabilidade..
O gerente geral da Fundação ABC, Luis Henrique Penkoski, destacou que o evento é o momento estratégico da instituição para transferir conhecimento ao campo.
Segundo ele, o Show Tecnológico é mais do que uma vitrine de resultados. “A importância do Show Tecnológico é apresentar ao produtor informações que ajudem a melhorar não só a produtividade, mas principalmente a rentabilidade. É um momento de troca: o produtor vem buscar informação e também traz sua experiência. É uma construção conjunta entre pesquisadores, agrônomos e parceiros”, afirmou.
Penkoski ressaltou que a edição 2026 inovou ao trazer palestrantes externos nas chamadas Palestras Âncoras. “Nós focamos em como aumentar a rentabilidade, como produzir mais com menos custo possível. Estamos vivendo um momento de margens apertadas na agricultura e precisamos buscar altos tetos de produtividade com eficiência”, explicou.
Entre os destaques, ele citou a palestra do professor Paulo Arbex sobre plantabilidade e a participação do grupo Primos Agro, influenciadores digitais do setor, ampliando o debate sobre comunicação e marketing no agro.
O coordenador de marketing da Fundação ABC, Silvio Bona, definiu o evento como um grande ponto de convergência do setor.
“O Show Tecnológico é um grande encontro. Aqui estão as principais marcas do mercado agrícola, pesquisadores e produtores. É uma troca de experiências que faz o evento ter um público cativo, 95% focado em agricultura”, destacou.
De acordo com Bona, o momento é estratégico para avaliar a safra atual e começar a planejar a próxima. “A agricultura muda constantemente, surgem novas tecnologias e o ambiente também se transforma. Esse é o espaço para discutir o que aconteceu e projetar o futuro.”
Ele também reforçou a presença de 50 empresas expositoras, número ajustado ao cenário econômico dos últimos anos, mas ainda representativo. “Mesmo com desafios recentes na agricultura, estamos muito felizes com o apoio das empresas parceiras. Elas ajudam a tornar esse evento possível.”

Um dos pontos altos da programação foi a palestra do professor da Unesp Botucatu, Paulo Arbex, especialista em mecanização agrícola, que abordou a importância da plantabilidade para elevar a produtividade da soja e do milho.
Arbex foi direto ao ponto: “Se o produtor entendeu que fazer um plantio caprichado aumenta a produtividade e a rentabilidade, eu já cumpri meu papel.”
Ele resumiu o conceito em três pilares fundamentais:
Qualidade dos insumos, garantindo emergência uniforme;
Manutenção preventiva das máquinas, evitando falhas no momento crítico do plantio;
Regulagem correta dos equipamentos, assegurando profundidade e posicionamento adequados da semente.
“O disco de corte precisa cortar bem a palha, a semente precisa estar no lugar certo e na profundidade correta. Esse capricho faz toda a diferença no resultado final”, enfatizou.
Sobre as plantadeiras, Arbex alertou que não existe máquina perfeita para todas as situações. “Existe a máquina adequada para cada realidade, solo e sistema de produção. O produtor precisa avaliar custo-benefício, não optar apenas pela mais barata ou mais cara.”
Ele também elogiou a qualidade do evento. “O nome é correto: é um Show Tecnológico. Aqui se mostra tecnologia que impacta diretamente a produtividade, não é uma vitrine vazia.”
O presidente da Cooperativa Frísia, Geraldo Slob, ressaltou que o evento é indispensável no calendário do produtor moderno.
“É uma vitrine do que há de mais novo no campo, não apenas em variedades, mas em tecnologias de cultivo e gestão. Hoje, mais do que nunca, números importam. Não basta produzir muito, é preciso ter lucratividade”, afirmou.
Slob destacou que o momento econômico exige controle rigoroso da administração da propriedade. “Aqui é o espaço para coletar informações que ajudam na melhor gestão do negócio rural.”
Além da programação técnica e estratégica, o 29º Show Tecnológico Verão também se consolidou como vitrine de soluções práticas para o produtor rural. Mais de 50 empresas apresentaram tecnologias voltadas à produtividade, crédito, correção de solo, biológicos e inovação em aplicação.
Se a ciência mostrou o caminho nas arenas técnicas, foi nos estandes que o produtor encontrou as ferramentas para transformar conhecimento em resultado econômico. Empresas de diferentes segmentos apresentaram soluções pensadas para os desafios reais do campo.

Representando o setor financeiro, o gerente de Crédito Rural do Sicredi Campos Gerais e Grande Curitiba, Guilherme Bueno, reforçou a importância da proximidade com o produtor.
“O Sicredi participa pela 29ª vez consecutiva, como única instituição financeira presente. Estar aqui nos permite entender as necessidades do produtor e ajustar as soluções de crédito à realidade do campo”, explicou.
Ele destacou que conhecer novas tecnologias ajuda na tomada de decisão financeira. “Precisamos acompanhar a evolução do campo para oferecer linhas adequadas e apoiar o crescimento sustentável do produtor.”

Para o gerente comercial da Calpar, Rubens Antonio de Souza, a correção do solo continua sendo o primeiro passo para altas produtividades. “O calcário é o insumo principal. Antes de pensar em semente e adubo, é preciso ter um solo bem corrigido”, afirmou.
Ele ressaltou que a empresa mantém padrão de qualidade há quase 60 anos. “Trabalhamos com a melhor rocha para produzir nosso calcário. Qualidade é prioridade.”
O gestor do Departamento Técnico da Cooperativa Capal, Roberto Martins, destacou que a presença no evento fortalece o compromisso com o cooperado.
“Nosso objetivo é entender as inovações e aplicá-las em prol do resultado do cooperado. Trabalhamos com assistência técnica personalizada, focada na otimização do uso de recursos.”
Segundo ele, muitas vezes, a decisão de não aplicar um insumo é tão estratégica quanto aplicar. “O uso racional reduz custos e aumenta eficiência.” A Capal atua no Paraná e sudoeste de São Paulo, superando 200 mil hectares assistidos.
O gerente da Regional Paraná Leste da Fortgreen, Flávio Falcão, ressaltou que o produtor precisa extrair o máximo potencial da lavoura.
“A Fortgreen trabalha com tecnologia de aplicação, nutrição, biológicos e fertilizantes especiais. O cenário exige produzir mais na mesma área.”
Ele destacou o laboratório de tecnologia de aplicação apresentado no estande. “Mostramos na prática como reduzir incompatibilidades químicas e melhorar a eficiência da pulverização.”
Já o responsável técnico da PI AgSciens nos Campos Gerais, Juliano Ribeiro Duarte, apresentou tecnologias baseadas em peptídeos.
“Trabalhamos com fungicida bioquímico, bionematicida e proteína para controle de estresses bióticos e abióticos. A região dos Campos Gerais é altamente tecnológica e enfrenta grandes desafios fitossanitários.”
Segundo ele, estar no evento fortalece a conexão direta com produtores e técnicos.
Ao reunir ciência aplicada, empresas inovadoras, cooperativas e instituições financeiras, o 29º Show Tecnológico Verão reafirmou seu papel como elo entre conhecimento e resultado econômico.
A combinação de pesquisa, tecnologia, gestão e crédito desenha o novo perfil do produtor rural brasileiro: mais técnico, mais estratégico e cada vez mais atento à rentabilidade e sustentabilidade.
Em um cenário de volatilidade de preços e custos elevados, o recado foi unânime entre os entrevistados: informação de qualidade e decisões baseadas em dados são o caminho para manter a sustentabilidade econômica da propriedade.
O Show Tecnológico Verão 2026 mostrou que o futuro do agro passa por ciência aplicada, capricho operacional e gestão eficiente — três pilares indispensáveis para quem deseja continuar competitivo no campo.