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Brasil segue protagonista no mercado aeroagrícola mundial

Relatório internacional da indústria mostra ajuste nas entregas de Air Tractor e Thrush em 2025, mas reforça peso do mercado brasileiro

Por: Redação
20/02/2026 às 14h35
Brasil segue protagonista no mercado aeroagrícola mundial
TURBOÉLICE: avião Air Tractor, de fabricação norte-americana, em operação em lavoura de milho no Município de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul – foto: Castor Becker Junior/C5 NewsPress

Mesmo com um ajuste mundial nas entregas de aeronaves em 2025, o Brasil segue consolidado como um dos principais motores do mercado internacional de aviação aeroagrícola. É o que indica o relatório divulgado nesta quarta-feira (18) pela Associação dos Fabricantes da Aviação Geral (GAMA, na sigla em inglês), entidade que reúne as principais indústrias de aeronaves do planeta. Conforme o relatório sobre a produção total, a texana Air Tractor registrou 178 aeronaves agrícolas entregues em 2025, abaixo das 202 unidades contabilizadas em 2024 – queda de 11,9%. Já a Thrush Aircraft, que tem sede no Estado da Georgia, fechou o ano com 20 aviões entregues, ante 27 no ano anterior (recuo de 25,9%).

Segundo estimativas do setor, parte significativa dessas entregas teve como destino o mercado brasileiro. Neste ponto, os dados da entidade estadunidense confirmam números preliminares do relatório anual do Sindag sobre o crescimento da frota aeroagrícola daqui – que será lançado na próxima semana (veja mais abaixo). Quem destaca isso é o diretor operacional da entidade aeroagrícola, Cláudio Júnior Oliveira, que está terminando o estudo brasileiro relativo a 2025.

A retração apontada no panorama aeroagrícola pela GAMA indica uma acomodação natural do mercado internacional, após anos de forte demanda. Em um cenário global que inclui custos elevados, reorganização de encomendas e limitações industriais, o movimento é interpretado como parte de uma acomodação natural do mercado. Porém, no quadro amplo, a entidade internacional revela que a aviação geral manteve desempenho positivo em 2025, com alta expressiva nas entregas de jatos executivos e um faturamento total de US$ 35,7 bilhões – crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior.

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PROTAGONISMO

Além disso, mesmo com a redução apontada lá fora, o Brasil permanece um mercado estratégico no mapa da aviação agrícola mundial. Para Oliveira – que acompanha a evolução da frota e o comportamento das compras internacionais, “o Brasil é um player importante em relação às aeronaves agrícolas fabricadas nos Estados Unidos”. Segundo ele, o peso do mercado brasileiro segue determinante tanto nas exportações principalmente da Air Tractor quanto na dinâmica global do setor. “Setenta por cento das aeronaves (da fabricante texana) são espalhadas no mundo (…) e 47% a 50% desses aviões vêm  para o Brasil”, assinala o dirigente.

No caso da Thrush, o representante do Sindag também cita o ritmo de entrada de aeronaves novas no País como termômetro da importância do Brasil. “Em 2024 foram registrados na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) oito aeronaves novas (30% da produção total da fábrica da Georgia) e em 2025 registramos a entrada de cinco (25% da produção) ”, relata.

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Aliás, o desempenho geral negativo das fabricantes de aeronaves agrícolas estadunidenses acompanha a tendência de todo o mercado de turboélices, categoria em que se enquadra a maior parte das aeronaves de pulverização de grande porte. Segundo a GAMA, as entregas de turboélices no mercado geral reduziram 5,1% em 2025, caindo das 626 unidades em 2024 para 594 em 2025. Já o segmento das aeronaves a pistão teve leve crescimento de 0,6% (de 1.772 para 1.782), enquanto os jatos executivos registraram a maior alta do ano: 11,8%, passando de 764 para 854 unidades

Air Tractor: divergência tem explicação no próprio relatório

Um ponto que pode gerar dúvidas ao comparar dados da indústria é a diferença entre números divulgados pela GAMA e os apresentados pela Air Tractor em comunicado corporativo. No caso específico, a associação de fabricantes lista 178 aeronaves agrícolas entregues pela empresa, na seção principal de seu relatório divulgado ontem. Com a fábrica tendo anunciado o envio de mais de 85 aviões destes ao Brasil.

Porém, a fabricante texana também havia divulgado, em seu site, em notícia no último dia 7, a entrega de 189 aeronaves ao mercado global em 2025. Só que aí a Air Tractor contabilizou na postagem a produção geral da fábrica. O que incluiu na conta 11 aeronaves do avião AT-802U entregues em 2025 – uma versão militar elaborada a partir de seu maior modelo agrícola. Esse modelo também aparece no relatório da GAMA, mas com a produção lançada no segmento Other Military and Government Aircraft Shipments (remessas militares e governamentais). Fazendo, então, a conta fechar.

Campeão brasileiro não aparece no balanço

O relatório da GAMA não funciona como um censo global de fabricantes, mas como um levantamento baseado nas associadas que reportam seus números internacionais à entidade. Por isso, projetos relevantes em mercados locais — como o avião Ipanema, da brasileira Embraer —não aparecem na lista. Mesmo o modelo mantendo há vários anos o domínio de metade da frota aeroagrícola do País.

Lembrando que o Ipanema é fabricado desde os anos 1970 e está em sua sétima geração. Sem falar que desde 2004 sai de fábrica com motor movido a etanol – o que o sacramenta também como um importante case de sustentabilidade.  

Por outro lado, a Embraer (que integra a GAMA) aparece nos relatórios da associação apenas com seus jatos executivos das linhas Phenom e Praetor – seus principais produtos de exportação. Aliás, conforme a entidade internacional, o avanço dos jatos e o crescimento do faturamento mostram que o setor segue aquecido, mesmo com oscilações pontuais em alguns segmentos. Lembrando que a família Phenom 300, da Embraer, segue sendo o jato leve mais vendido do mundo pelo 14º ano consecutivo.

Sindag divulga radiografiada frota na próxima semana

O tamanho e o crescimento da frota aeroagrícola do Brasil, o ranking por Estados e outros números do setor no País devem ser divulgados na próxima semana pelo Sindag. Como ocorre todos os anos, a apresentação do levantamento completo será feita durante a Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão, no Rio Grande do Sul – ao lado de Pelotas, que é berço do setor no País. A programação será de a terça a sexta-feira (dias 24 a 26), na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado.

No entanto, a entidade já ventilou alguns dados preliminares, como o de que a frota brasileira teve um crescimento de 5,2 % no ano passado. O que fez o setor bater as 2,8 mil aeronaves (aviões e helicópteros) atuando em 24 unidades da Federação. Além do número exato, o documento a ser lançado na próxima semana traz também a quantidade atualizada de aeronaves por Estados, análise sobre a presença de modelos importados e nacionais, percentuais de equipamentos operados por empresas e fazendas, entre diversas outras informações.

Conforme Oliveira, que elaborou o estudo nacional, os dados lançados ontem pela  GAMA não indicam uma perda estrutural de mercado. Mas sim um ajuste pontual dentro de um ciclo que permanece sólido. Na verdade, os dois documentos ratificam a demanda por eficiência no campo, agilidade para se atuar nas janelas de aplicação e a necessidade de resposta rápida a pragas e doenças. O que continuam impulsionando a modernização da frota em diversos países — especialmente no Brasil

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