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Alerta: Brasil corre risco de perder mercado de Feijão na Venezuela para os EUA

O presidente do IBRAFE Instituto Brasileiro do Feijão  Marcelo Eduardo Lüders alerta que o “caso Venezuela” não é um fato isolado. A estratégia americana de utilizar linhas de crédito agressivas e o peso diplomático para exigir a compra de seus próprios grãos pode se espalhar para outros mercados onde o Brasil é líder.

Por: Redação
09/01/2026 às 09h37
Alerta: Brasil corre risco de perder mercado de Feijão na Venezuela para os EUA
Alerta: Brasil corre risco de perder mercado de Feijão na Venezuela para os EUA. Foto Toninho Anhaia

BRASÍLIA – O agronegócio brasileiro está diante de um divisor de águas que pode redefinir as rotas de exportação na América Latina. A Venezuela, que nos últimos dois anos se consolidou como um destino estratégico para o Feijão-preto brasileiro, tornou-se o epicentro de uma disputa geopolítica. Com a nova configuração política em Caracas e a crescente influência de Washington, o Brasil enfrenta o risco real de ser excluído do fornecimento de alimentos para o país vizinho.

Nos últimos dois anos (2024-2025), o Brasil aproveitou sua eficiência produtiva e proximidade logística para abastecer as mesas venezuelanas. O Feijão-preto brasileiro, operando com preços altamente competitivos em torno de US$ 700 por tonelada, tornou-se a opção natural para o mercado vizinho. No entanto, o cenário de 2026 aponta para uma ofensiva dos Estados Unidos, que buscam atrelar a reconstrução econômica da Venezuela e a exploração de petróleo a acordos de exclusividade agrícola.

O Efeito Dominó

O presidente do IBRAFE Instituto Brasileiro do Feijão  Marcelo Eduardo Lüders alerta que o "caso Venezuela" não é um fato isolado. A estratégia americana de utilizar linhas de crédito agressivas e o peso diplomático para exigir a compra de seus próprios grãos pode se espalhar para outros mercados onde o Brasil é líder.

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"Estamos vendo a transição da competitividade de preço para a competitividade política. O nosso Feijão-preto é mais barato e está mais perto, mas a força dos acordos bilaterais entre Washington e Caracas pode levantar barreiras artificiais ao produto brasileiro", afirma a análise técnica do setor.

A perda do mercado venezuelano atingiria em cheio os produtores do Sul, além do polo produtor de Roraima, que organizaram sua logística para atender o vizinho do Norte. Sem a Venezuela, o excedente de Feijão pode pressionar os preços internos, desestimulando o plantio das próximas safras. A recomendação do IBRAFE é extrema cautela no plantio da segunda safra de Feijão-preto no Paraná. Por outro lado, destaca que é mais do que a hora de trabalhar o aumento do consumo interno e, neste sentido, convocou uma reunião em São Paulo no Dia Mundial do Feijão, dia 10 de fevereiro, para discutir alternativas neste sentido.

Pontos Chave da Crise:

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  • Competitividade: O Feijão-preto brasileiro a US$ 700/t é imbatível tecnicamente, mas vulnerável politicamente.
  • Pressão dos EUA: Utilização de ajuda financeira para impor a compra de grãos americanos (Black Beans).
  • Risco Regional: A possibilidade de este modelo de "exclusividade forçada" ser replicado em outros países da América Latina e do Sudeste Asiático.

O setor produtivo agora olha para o Ministério da Agricultura e para o Itamaraty em busca de uma resposta diplomática que garanta a manutenção do espaço conquistado pelo Feijão brasileiro, sob pena de vermos uma retração histórica em um dos pilares da nossa balança comercial agrícola.

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