
No dia 23 de janeiro, a cidade de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, vai receber o 1º Dia de Campo 100% Orgânico da Agrícola Brotas. Essa é uma oportunidade para trocar ideias, mostrar resultados e fazer demonstrações práticas sobre o manejo na agricultura orgânica. A iniciativa acontece em uma propriedade particular do município e é aberta ao público, com inscrições gratuitas por meio de formulário online. CLIQUE AQUI E FAÇA INSCRIÇÃO.
O encontro começa às 8h30 da manhã, com uma programação dividida entre palestras técnicas no período da manhã e atividades práticas em campo durante a tarde. O objetivo é mostrar, na prática, que a produção orgânica é possível, produtiva e economicamente viável, além de alinhada às demandas futuras do mercado e das políticas públicas.
Segundo a engenheira agrônoma Letícia Lunardi, responsável técnica pelo evento, o Dia de Campo foi pensado como um momento de aproximação entre conhecimento técnico, produtor rural e realidade de campo. “A parte da manhã será dedicada às palestras, para introduzir as pessoas ao universo do orgânico, falar sobre biológicos e manejo. Depois do almoço, vamos para o campo experimental, onde teremos paradas técnicas em diferentes culturas, com grupos circulando pelos estandes e conhecendo cada sistema de produção”, explica.
A programação se estende até às 16h30, quando está previsto um café de encerramento, reforçando o caráter de integração, troca de experiências e diálogo entre os participantes.
Um dos grandes diferenciais do Dia de Campo é a diversidade de culturas implantadas na área experimental. De acordo com Letícia Lunardi, mais de dez culturas orgânicas estão sendo conduzidas, incluindo espécies tradicionais e outras consideradas mais desafiadoras no sistema orgânico.
“Além de alface e repolho, que já são mais comuns no orgânico, nós temos milho orgânico para venda como milho verde, cenoura, tomate e também culturas da fruticultura, como melão e melancia. São sistemas que mostram que é possível ir além do básico e diversificar a produção”, destaca.
A agrônoma ressalta que o trabalho apresentado no Dia de Campo também dialoga diretamente com o futuro da agricultura paranaense. O estado possui um projeto que prevê que, até 2030, a merenda escolar seja totalmente orgânica.
“Esse trabalho já é uma preparação dos produtores da região. O orgânico não traz uma resposta imediata como o convencional. É uma construção contínua, que exige planejamento, manejo correto e acompanhamento técnico. O Dia de Campo entra justamente para ajudar a vencer o medo e os desafios de quem ainda não produz orgânico”, afirma.
Um dos mitos mais comuns em relação à produção orgânica é a suposta baixa produtividade. Letícia Lunardi esclarece que essa avaliação precisa ser feita de forma técnica, considerando custos, manejo e preço de venda.
“A produtividade precisa ser analisada junto com o custo de produção e o valor de comercialização. O orgânico tem um preço diferenciado. Quando conseguimos aliar boa produtividade, com o uso correto de biológicos e manejo adequado, os resultados econômicos são positivos. Até onde avaliamos aqui, o sistema tem se mostrado viável”, explica.
Durante o Dia de Campo, os participantes poderão observar comparativos práticos entre áreas manejadas e áreas sem intervenção. “Temos aqui, por exemplo, abobrinha italiana conduzida sem manejo e, ao lado, a mesma cultura com o manejo Brotas, usando condicionadores de solo e biológicos. O resultado é visível: plantas mais vigorosas e produtivas”, destaca a engenheira agrônoma.
No manejo fitossanitário, não há uso de produtos químicos. “Utilizamos biofungicidas e bioinseticidas, com aplicações quinzenais, em parceria com a empresa Clear Agro. Isso mantém a sanidade das plantas e explica o vigor que se observa no campo”, completa.

Além da visão técnica, o Dia de Campo também dá voz a quem está diariamente no campo. O agricultor Fernando Leitão, produtor orgânico certificado há cerca de 12 anos, é um exemplo de que o sistema funciona na prática.
Ele explica que a certificação utilizada na região é participativa, baseada no cooperativismo entre os produtores. “Nós mesmos somos fiscais uns dos outros. Todo mês temos reuniões nas propriedades do grupo. Como ninguém quer perder a certificação, todo mundo é rigoroso na vistoria. Esse sistema realmente funciona”, relata.
Fernando conta que sua transição para o orgânico aconteceu de forma natural, motivada pelo contato com outros produtores. “Eu comecei acompanhando um vizinho que já era orgânico. Fui pegando gosto. Além de ser muito benéfico para a saúde, o preço é melhor. Dá mais trabalho que o convencional, é verdade, mas na prática o orgânico é muito satisfatório e viável economicamente”, afirma.
Na propriedade, ele cultiva cerca de 20 culturas orgânicas, com destaque recente para o melão, que está em fase de testes. “Estamos gostando bastante do resultado. O melão está vigoroso, bonito, começando a perfilhar. A expectativa é de uma boa produção”, conta.

Grande parte da produção é destinada à merenda escolar, que paga valores superiores ao mercado convencional. “O orgânico na merenda chega a valer cerca de 30% a mais. Isso torna o sistema muito mais viável”, explica.
Apesar dos bons resultados, Fernando não esconde os desafios do sistema orgânico. Para ele, o principal gargalo atualmente é a mão de obra.
“No orgânico, não tem herbicida químico. É na enxada mesmo. O mato vem forte e precisa de gente para trabalhar. Esse é o maior desafio hoje”, relata.
Outro ponto fundamental é o manejo preventivo. “Os biológicos são preventivos. Eles precisam ser usados desde o início da cultura. Não adianta aplicar só quando o problema aparece. A observação diária do campo é essencial”, destaca.
Nesse processo, a assistência técnica é considerada indispensável. “A Letícia nos acompanha a cada 15 dias. Ela avalia a lavoura, identifica possíveis problemas e orienta quais biológicos usar. Sem assistência técnica, é muito difícil ter êxito no orgânico”, conclui o agricultor.
O 1º Dia de Campo 100% Orgânico da Agrícola Brotas surge, assim, como um espaço de aprendizado, troca de experiências e incentivo à produção sustentável, mostrando que o orgânico não é apenas uma tendência, mas uma realidade possível no campo brasileiro. CLIQUE AQUI E FAÇA INSCRIÇÃO.
