
A gastronomia como vetor de desenvolvimento turístico, cultural e econômico foi o fio condutor do 2º Tour Gastronômico de Ponta Grossa, realizado no dia 19 de dezembro, reunindo representantes institucionais, jornalistas, influenciadores digitais e empreendedores do setor em uma imersão sensorial pelos sabores dos Campos Gerais. A ação integra a programação do 5º Circuito Gastronômico dos Campos Gerais, iniciativa consolidada que reafirma a comida regional como expressão de identidade e estratégia de posicionamento turístico.
Promovido pela Agência de Desenvolvimento dos Campos Gerais (Adetur), com apoio da Lei Municipal de Incentivo a Eventos Geradores de Fluxo Turístico de Ponta Grossa (Lei nº 12.066/14) e patrocínio da Águia Florestal e do Sicredi, o tour contou ainda com a parceria do Visite Ponta Grossa Convention & Visitors Bureau, Sebrae/PR, Sistema Fecomércio Paraná e das prefeituras da região.
A edição de 2025 envolveu mais de 50 empreendimentos gastronômicos, entre restaurantes, cafés, cervejarias artesanais e espaços rurais, destacando ingredientes locais, receitas autorais e tradições que conectam o campo à mesa. Além de Ponta Grossa, participaram empreendimentos dos municípios de Imbaú, Ortigueira, Castro, Carambeí, Palmeira, Sengés e Tibagi, reforçando o caráter regional do circuito.
Para a gerente executiva da Adetur Campos Gerais, Karen Kobilarz, o 2º Tour Gastronômico cumpre um papel estratégico dentro de um projeto mais amplo de valorização da gastronomia regional. “O circuito gastronômico está em seu segundo ano como ação complementar e já soma cinco edições no total. São 45 dias de promoção intensa da gastronomia regional, mostrando a diversidade, a qualidade e o crescimento desse segmento nos Campos Gerais”, explica.
Segundo Karen, o tour se diferencia por proporcionar uma experiência prática e vivencial, aproximando formadores de opinião, representantes do trade turístico e instituições do que é produzido localmente. “É um dia inteiro de atividades experienciais, onde as pessoas vivenciam os estabelecimentos e, a partir disso, conseguimos provocar o mercado para a criação de roteiros, formação de grupos e atração de agentes de viagem”, afirma.
A gerente destaca ainda que o evento cumpre uma contrapartida institucional prevista em lei, concentrando-se em Ponta Grossa como forma de entrega ao município. “Mas já sentimos a responsabilidade e a importância de dar continuidade a esse trabalho. Em cinco anos, colhemos resultados claros: a região evoluiu muito, tanto na gastronomia tradicional e rural quanto na alta gastronomia.”
O reconhecimento também vem de fora. O circuito já recebeu indicações a prêmios estaduais e nacionais de turismo, o que, segundo Karen, confirma que o formato está consolidado. “Para 2026, na sexta edição, vamos manter esse modelo, sempre atentos a inovações e melhorias.”

A força do Circuito Gastronômico também está nas parcerias institucionais. Para Nádia Joboji, gestora de projetos de turismo do Sebrae Paraná – Regional Centro, a gastronomia é uma das principais portas de entrada para o turismo regional. “O turista que vem para os Campos Gerais quer viver uma experiência completa, e a gastronomia é parte essencial disso. Temos produtos incríveis, empresas comprometidas e um potencial enorme”, ressalta.
O Sebrae atua diretamente na capacitação dos empreendedores, oferecendo consultorias, trilhas de formatação de experiências e apoio ao Fórum Gastronômico, que também chegou à sua quinta edição. “O fórum discute tendências, desafios do setor e prepara as micro e pequenas empresas para atender melhor o turista, fazendo com que ele permaneça mais tempo na região.”
Nádia destaca ainda o impacto econômico do turismo gastronômico. “Cada estabelecimento movimenta a economia de uma família inteira. Muitas vezes, toda a família está envolvida no atendimento, na produção e na recepção dos visitantes. Além disso, há uma articulação com produtores locais, o que gera um efeito em cadeia.”
Segundo ela, o turismo é uma atividade transversal. “Ele valoriza a história, a cultura, gera emprego e traz PIB de fora para dentro. É desenvolvimento local na prática.”
Entre os empreendimentos visitados, o Cantinho do Torresmo, em Ponta Grossa, é exemplo de como tradição e inovação podem caminhar juntas. A proprietária Luana Patricia Banisky vê o tour como uma vitrine para o setor.
“É importante para sermos conhecidos não só em Ponta Grossa, mas em toda a região. O evento traz pessoas para conhecer nosso trabalho, nossa história”, conta.
Fundado há sete anos, o Cantinho do Torresmo começou em um espaço pequeno, atendendo apenas para retirada. Hoje, consolidado, oferece torresmo de rolo, pururuca e uma variedade criativa de pastéis. “Inovamos bastante. Temos pastel de estrogonofe, parmigiana, x-pastel e outros modelos especiais.”
O carro-chefe, o torresmo de rolo, é preparado com técnica e paciência. “A panceta é enrolada, assada por cerca de quatro horas, depois defumada e finalizada na banha para pururucar. Fica com camadas bem definidas de carne e gordura, é um processo artesanal”, detalha Luana.

A OAK Cervejaria também integrou o roteiro, destacando o turismo industrial como experiência. Para o mestre cervejeiro e proprietário Ricardo Carvalho, abrir as portas da fábrica é uma forma de aproximar o público do processo produtivo.
“É interessante receber as pessoas, mostrar como funciona a estrutura, o processo de produção. Isso gera curiosidade e fortalece a marca”, afirma.
Ricardo explica que a cerveja é composta majoritariamente por água — cerca de 91% —, além de malte, levedura e lúpulo. “O lúpulo, mesmo em pequena quantidade, é responsável pelo amargor e personalidade da cerveja.”
Ele também destaca a importância da imprensa e dos influenciadores. “Com a internet, a divulgação é muito mais rápida. Trazer esses profissionais para vivenciar a experiência gera conteúdo e desperta o interesse de mais pessoas em conhecer a fábrica.”

Na Villa Kozina, o proprietário José Ricardo Mikulis reforça a importância de valorizar toda a cadeia produtiva local. “A gastronomia regional começa no produtor. Trabalhamos com fornecedores da região, o que traz autenticidade ao prato.”
Um dos destaques do restaurante é a costela preparada por 48 horas em cocção sous-vide, acompanhada de polenta italiana com trufas negras. “É um prato autoral, feito com insumos regionais, muito conhecido pelos clientes e que representa bem nossa proposta”, explica.

No espaço Partilha Comida com Afeto no Passo do Pupo em Itaiacoca, a proprietária Anaela Rocha oferece uma experiência que resgata sabores do passado. “Trabalhamos com receitas da vovó, feitas no fogão à lenha, com produtos da estação e da região.”
Aberto aos finais de semana, o café rural recebe turistas, ciclistas e visitantes que percorrem a região do Itaiacoca. “Aqui é um ponto de acolhimento, de comida feita com carinho.”
Um dos pratos mais simbólicos é o feijão tropeiro, preparado no fogo de chão. “Estamos no Passo do Pupo, antiga rota dos tropeiros. Fazer esse prato é resgatar a história e valorizar o território.”

Encerrando o roteiro, a Torre Gastrobar apresentou uma proposta que une gastronomia e paisagem. Para Gilmar Júnior, o tour amplia a visibilidade do restaurante. “Recebemos pessoas influentes e instituições para apresentar nosso trabalho.”
Localizado em um dos pontos mais altos da cidade, o espaço oferece uma vista privilegiada do pôr do sol. “A experiência envolve música, petiscos, bebidas e a contemplação da cidade se iluminando ao anoitecer. É algo único”, descreve.

O 2º Tour Gastronômico encerra oficialmente a quinta edição do Circuito Gastronômico dos Campos Gerais, que ainda prevê a entrega simbólica de um troféu ao empreendimento com maior engajamento junto ao público. Mais do que um prêmio, o reconhecimento simboliza a força coletiva de um setor que cresce com planejamento, parceria e identidade.
Ao transformar ingredientes, histórias e saberes em experiências turísticas, o evento reafirma os Campos Gerais como um destino onde a gastronomia vai além do prato — ela conta histórias, gera renda e conecta pessoas.