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Milheto granífero ganha força na 2ª safra em um dos anos mais arriscados para o milho

Atrasos no plantio da soja, chuvas irregulares e margens apertadas levam produtores a buscar culturas mais estáveis e menos dependentes de água; esse é considerado um dos verões mais irregulares da última década

Por: Redação
04/12/2025 às 16h48
Milheto granífero ganha força na 2ª safra em um dos anos mais arriscados para o milho
Crédito das imagens: ATTO Sementes.

A irregularidade das chuvas no Centro-Oeste voltou a dominar o planejamento da 2ª safra. Entre novembro e janeiro, diversas regiões registraram precipitações de 20% a 45% abaixo da média histórica, segundo dados do Inmet. O MATOPIBA e parte de Mato Grosso do Sul foram os mais afetados, alternando veranicos longos com chuvas concentradas em curtos períodos.

O atraso no plantio da soja, com áreas entrando no campo até 20 dias depois do ideal, encolheu a janela operacional do milho, empurrando o início do plantio para momentos de maior risco hídrico. Em Mato Grosso, por exemplo, dados do IMEA mostram que a semeadura do milho segunda safra deve avançar para após 25 de fevereiro em grande parte das regiões, justamente quando a curva de risco climático sobe.

O conjunto desses fatores levou muitos produtores a reconsiderar a dependência exclusiva do milho. A safra 23/24 já havia mostrado o impacto desse deslocamento: prejuízos expressivos no milho safrinha em áreas plantadas tardiamente, tanto por seca quanto por calor extremo, com perdas superiores a 30% em alguns polos.

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Estabilidade vale mais do que teto produtivo

Além do clima, a economia também pesou na balança. Com o preço do milho recuando entre R$ 8 e R$ 12 por saca em várias praças durante o primeiro trimestre, a conta ficou ainda mais apertada. Muitos produtores perceberam que, em um ambiente de margens comprimidas, vale mais apostar em culturas que entreguem ‘menos oscilação’ do que ‘picos produtivos incertos’.

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Esse movimento abriu espaço para alternativas como o milheto granífero, que se destaca por sua menor exigência hídrica e alto índice de regularidade em anos adversos.

 

Menor risco climático

Com necessidade hídrica em torno de 300 mm por ciclo, o milheto tem se mostrado uma das culturas mais estáveis da 2ª safra em anos marcados por variação de chuvas. Na prática, consegue manter produtividade mesmo quando janeiro e fevereiro apresentam falhas severas de precipitação, cenário observado em boa parte de Goiás, Mato Grosso do Sul e oeste da Bahia nesta temporada.

Os híbridos graníferos mais difundidos no mercado, como ADRG 9060 e ADRG 9070, têm alcançado produtividades de até 50 sc/ha, com áreas tecnificadas que ultrapassam esse número em condições favoráveis. Mas o ponto central não é o teto produtivo e sim a regularidade.

Enquanto o milho pode perder de 20% a 50% em ciclos com déficit hídrico na fase de embonecamento e enchimento, o milheto se mantém produtivo em ambientes de forte variação climática. E, em um ano de janela curta, essa previsibilidade pesa.

Outro fator que explica sua ascensão é a liquidez do grão. A indústria de rações, especialmente confinamentos e granjas do Centro-Oeste, ampliou sua demanda por milheto, com preços historicamente estáveis e boa aceitação como ingrediente na formulação.

 

Palhada forte, retenção de umidade e menos nematoides

Além da produção de grãos, o milheto tem sido utilizado como ferramenta estratégica de manejo. A produção elevada de palhada contribui para: melhor infiltração e retenção de águaestruturação física do soloredução da infestação por Pratylenchus brachyurus e maior proteção contra veranicos na implantação da soja.

Em áreas monitoradas de Cerrado, a soja implantada após milheto tem registrado ganhos que chegam entre 10 e 12 sc/ha em relação a áreas sem cobertura equivalente. Esse efeito sistêmico vem influenciando a decisão de produtores que enxergam o milheto como parte de uma estratégia de longo prazo, não apenas como substituto pontual do milho.

 

Consórcio com braquiária ganha força 

O avanço da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) também impulsionou a adoção do consórcio entre milheto e Brachiaria ruziziensis. Em regiões de solo leve e alta demanda por cobertura, essa combinação tem mostrado: formação acelerada de massa verde, maior longevidade da palhada, pasto mais rápido para entrada de animais e aumento significativo do aporte de matéria orgânica.

O milheto fornece o arranque rápido e volumoso; a braquiária prolonga a cobertura e contribui para um sistema radicular robusto. Para muitas fazendas, esse consórcio tem reduzido custos com reforma de pastagens e ampliado a eficiência do sistema como um todo.

 

Em ano de risco, racionalidade pesa mais que tradição

Com clima incerto, janela curta e preços pressionados, a 2ª safra 24/25 deve marcar um dos anos em que a diversificação dentro da propriedade volta a ganhar peso estratégico. A busca por resiliência, mais do que por recordes de produtividade, define a tônica desta temporada.

O milheto granífero, que, por muito tempo, ocupou um espaço periférico no planejamento, agora se posiciona como uma cultura de risco reduzidoboa liquidez e benefícios agronômicos comprovados, características que combinam exatamente com o cenário atual do campo.

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